AS COISAS ACONTECEM

Era um sábado ensolarado de algum dia do final dos anos 70 ou início dos 80 - já não lembro bem. Eu costumava dormir na casa dos meus avós de sexta para sábado e encarava isso como uma "visita ao sítio" - ainda que meus avós morassem apenas duas ruas acima da minha. Acordávamos cedo, tomávamos café em um balcão de mármore, sentados em altos bancos de madeira e, depois disso, o dia inteiro era apenas brincar, brincar e brincar. E tudo indicava que aquele sábado não seria diferente. Mas foi.

Minha tia decidiu visitar uma amiga à tarde e me levou junto. Não há nada que uma criança deteste mais do que interromper suas atividades para ficar no meio de adultos conversando. E foi o que aconteceu. Lá estava eu, sem nada pra fazer e rodeado de coisas absolutamente desinteressantes. As pessoas devem ter percebido minha expressão de tédio e, então, me levaram para a sala, dizendo "deixa ele jogando enquanto a gente conversa". Mas jogando o quê?

Assim, fui colocado em frente à TV, onde havia também um pequeno aparelho retangular com detalhes em madeira. O aparelho tinha dois botões parecidos com seletores de rádio e, escrito em uma placa metálica, lia-se "Telejogo". Ligaram o console na TV e me explicaram o funcionamento da coisa: em um fundo preto, eu poderia mover, com os botões, dois "palitos" brancos que rebatiam um pequeno quadrado (chamado de "bola"), que ricocheteava pela tela. Aquele foi o meu primeiro contato com um videogame e passei horas encantado com o jogo "Paredão" (ou Pong, como era mundialmente conhecido).

O Telejogo, com o passar do tempo, acabou sendo esquecido, porém, anos mais tarde eu teria um novo contato com outra maravilha tecnológica que me colocaria definitivamente no universo dos videogames.

Continua...