ENTREVISTA: COLEÇÃO DE VIDEOGAMES

A oitava edição da revista MegaGames, de abril de 2007, traz um especial de remakes de jogos antigos e uma matéria sobre colecionadores de videogames. E eu fui um dos entrevistados dessa matéria. Transcrevo abaixo, na íntegra, a entrevista concedida à revista do grupo Universo Editorial.

Revista MegaGames: Qual foi o seu primeiro contato com um videogame?
Foi bem no começo dos anos 80, quando vi, na casa de uma amiga da minha tia, o famoso TeleJogo da Philco, onde passei a tarde jogando "Paredão" (Pong, em inglês). Nunca tinha visto nada parecido antes e aquilo me conquistou imediatamente. Foi paixão à primeira vista. Quando fomos embora, minha vida havia mudado, pois eu encontrara outra forma de entretenimento além dos brinquedos convencionais. Saí de lá decidido a ter um aparelho daqueles. Infelizmente, aquela foi a primeira e única vez que coloquei as mãos no TeleJogo.

Revista MegaGames: Quando começou seu interesse e o que o fez se aprofundar mais neste segmento?
Após um bom tempo sonhando com o TeleJogo, em 1985 ganhei o Intellivision II, da Sharp. Ao contrário da molecada da época, nunca tive um Atari, mas o Intellivision possuía gráficos melhores e oferecia uma biblioteca de jogos mais interessantes. Aquele videogame rendeu incontáveis momentos de diversão em frente à TV. Infelizmente, na época eu não era tão "cuidadoso" com as minhas coisas como sou hoje, e do Intellivision não restou nada além de lembranças.

Depois disso, tive um breve contato com o computador MSX e, já no começo dos anos 90, comprei o famoso NES (ou "Nintendinho", como é mais conhecido no Brasil). Esse foi, sem dúvida, um dos aparelhos que mais joguei e foi o ponto de partida para iniciar minha atual coleção. Daí pra frente não me desfiz de nenhum console e a coleção foi aumentando: Super Nintendo, Mega Drive, Neo Geo, Saturn, Xbox e por aí vai. Nunca tive o propósito de me tornar colecionador no sentido "profissional" do termo, mas aí um dia você olha para armários e gavetas repletos de jogos e pensa: "Caramba! Isso não é normal" (risos).

Revista MegaGames: Sua coleção abrange mais ou menos quantos tipos de aparelhos diferentes?
Atualmente possuo mais de 10 consoles diferentes, sem contar algumas variações de um mesmo aparelho (por exemplo, modelo japonês e americano). Em matéria de jogos, são mais de 300 - perto de outros colecionadores que conheço é até pouco, mas procuro comprar jogos que me divertem e não apenas para fazer o número da coleção subir. No último ano reduzi bastante minhas aquisições, pois, como estou para casar, preciso optar entre um Nintendo Wii ou um microondas. A sorte é que minha noiva também gosta de jogar e, vez ou outra, me "libera" para comprar uma coisinha aqui, outra ali (risos).

Revista MegaGames: Onde fica sua coleção? Qualquer pessoa pode visitá-la?
Atualmente minha coleção fica em casa, dentro de armários e gaveteiros que comprei justamente para esse propósito. Por enquanto ainda há espaço, mas depois que casar e me mudar para o apartamento, precisarei fazer um sério trabalho de "engenharia" para acomodar tudo em um quartinho.

Sobre as visitas, geralmente só os amigos mais chegados, que freqüentam minha casa, é que costumam jogar. Na verdade, por motivos de conservação, os jogos não ficam expostos e dificilmente alguém vai lá em casa só para ver a coleção. Geralmente nos finais de semana reúno os amigos e jogar um pouco de tudo, por pura diversão.

Revista MegaGames: Você já a expôs em algum lugar ou a expõe eventualmente?
Não. Nunca expus. Ocasionalmente seleciono alguns itens mais raros ou valiosos e levo em encontros realizados com outros colecionadores. Mas montar uma exposição com tudo o que tenho nunca passou pela minha cabeça. Se surgir uma oportunidade, posso pensar a respeito, seria divertido.

Revista MegaGames: Você trabalha atuando diretamente ligado aos videogames ou apenas os coleciona por hobbie?
Já trabalhei. Quando garoto, trabalhei em locadoras de videogames, que atingiram o auge na primeira metade dos anos 90. Talvez esse contato constante com o universo dos games tenha contribuído para alimentar minha paixão, sem falar que na época eu tinha bem mais tempo para jogar.

Hoje atuo como jornalista e designer na área de marketing corporativo. Não possuo mais um elo direto com o mercado de games, mas procuro estar sempre a par das últimas novidades, seja por meio de revistas ou sites especializados. Se algum dia eu tiver a oportunidade de voltar a interagir com esse fascinante universo e ainda ser pago por isso, será uma realização pessoal.

Revista MegaGames: Você mantém contato com outros colecionadores? Como é essa relação?
Sem dúvida. Isso é algo que aconteceu naturalmente. Ainda no início da minha coleção comecei a procurar textos e informações na Internet sobre jogos e aparelhos. Não demorou muito para encontrar outras pessoas que partilhavam do mesmo interesse. Hoje mantenho contato com diversos colecionadores espalhados pelo Brasil inteiro. Meu principal ponto de encontro é o fórum do site NES Archive (www.nes.com.br/forum), onde trocamos mensagens diariamente, além de nos falarmos por e-mail e Messenger. O grande barato é que a maioria do pessoal possui quase a mesma faixa etária, o que torna as conversas (não necessariamente relacionadas a videogames) muito mais interessantes. Temos um relacionamento de profunda amizade, pois estamos unidos pelos mesmos interesses e a sensação de nostalgia impera. Colecionar videogames fez com que eu firmasse grandes amizades.

Revista MegaGames: Neste período que envolve diversas gerações de consoles, com qual ou quais deles você se identifica mais? Por quê?
Bem, sou uma pessoa muito nostálgica. Adoro falar dos "bons e velhos tempos" por horas a fio. Então, esse meu elo com o passado se dá através de muitas maneiras, e videogames é uma delas. Ao ligar um determinado jogo que fez parte da minha infância sou inundado por boas lembranças daqueles tempos. Assim, para citar os consoles com os quais mais me identifico, eu ficaria com o NES, o Mega Drive e o Super NES. Não apenas porque, na minha opinião, esses três aparelhos tiveram os melhores jogos já lançados, mas porque eles marcaram uma época da minha vida em que as coisas eram mais simples, onde minha maior responsabilidade era tirar boas notas nas provas. Assim, quando jogo um "Castle of Illusion", "Super Mario Bros." ou "Battletoads", eu retorno àquela época e resgato um pouco da minha infância. Lá no fórum do site NES Archive o pessoal costuma usar muito uma frase que, pra mim, descreve exatamente o que eu penso: "Não coleciono jogos, coleciono lembranças".

Revista MegaGames: Existe algum tipo de jogo que desperte seu interesse de forma mais intensa? Qual seria?
Gosto de tudo um pouco. Quando tinha mais tempo pra jogar, me dedicava mais aos RPGs, que são títulos mais extensos. Hoje prefiro jogos mais rápidos e fáceis de assimilar - não quero passar metade do dia aprendendo a usar o controle para jogar apenas 5 minutos. Assim, fico com jogos de corrida como "F-Zero", "WipeOut", "Daytona USA", "OutRun" e jogos de luta clássicos como "Street Fighter II Turbo: Hyper Fighting" (na minha opinião, o melhor jogo de luta de todos os tempos), "King of Fighters '98" e "Real Bout Fatal Fury". Jogos que misturam ação e aventura, como "Tomb Raider" e "Prince of Persia" também me atraem bastante. E, claro, o insuperável "Tetris".

Revista MegaGames: Além de uma coleção de videogames, você tem mais algum tipo de coleção?
Eu não chamaria exatamente de coleção porque é algo meio esporádico, mas também gosto muito de comprar brinquedos - mais especificamente bonecos de personagens de quadrinhos, filmes, desenhos animados e games. Tenho prateleiras repletas de bonecos. Já colecionei muitas histórias em quadrinhos, mas acabei me desfazendo de quase tudo.