O CIRCO FECHOU
Se você tem acompanhado os jornais e notícias há algum tempo, deve ter percebido que estamos vivendo dias muito interessantes em nosso cenário político. Instalou-se um verdadeiro festival de acusações, queda de máscaras, indignações, beicinhos e lágrimas de crocodilo. Até aí, seria mais um dia rotineiro em Brasília, não fosse o atual governo o alvo das acusações.
Confesso que tem sido divertido observar Lula e seus "cavaleiros da távola redonda" procurando desesperadamente desvencilharem-se da rajada de acusações de corrupção disparadas pelo deputado Roberto Jefferson. Não há muito a dizer que já não tenha sido dito em outros jornais e blogs espalhados pela Internet. Lula está atolado até o pescoço de lama. Finge que está tudo bem, mas não está. Não mesmo.
Política e corrupção andam de mãos dadas desde que o mundo é mundo. Aliás, acredito que ambas nasceram ao mesmo tempo, como gêmeas siamesas. Não existe um único governo na face da terra que não esteja envolvido em atividades ilícitas. Existe apenas um volume de corrupção, menor ou maior, dependendo de vários fatores. Então, por que todo esse festival sobre corrupção no governo Lula? Simples, porque Lula e seus "companheiros" sempre levantaram estandartes da moral e transparência, transmitindo - não para mim, claro - a imagem sacrossanta de guerreiros enviados pelos deuses para combater as maléficas hordas de corruptos que assolavam o país.
No papel de oposição, exigiam as investigações de qualquer princípio de denúncia contra os governos anteriores, sempre com brados ufanistas e palavras de ordem. Tivesse a denúncia fundamento ou não, o clamor pela instauração de CPIs era unânime. Chegando ao poder, os discursos se invertem. Hoje não há a necessidade de se investigar nada. Não movem um dedo para apurar os fatos, mas correm como loucos para abafar seus escândalos - o "mensalão", a CPI dos correios, o caso do Waldomiro Diniz, etc. Em sua defesa, culpam a oposição por intrigas, manobras eleitoreiras e desejos de desestabilizar o governo. Ora, só alguém muito ingênuo não consegue perceber a contradição que salta aos olhos. Os governos passados não poderiam, então, usar das mesmas afirmações? Aliás, Roberto Jefferson compunha a base aliada do governo Lula, sendo assim, não se pode culpar a "oposição".
Os defensores de Lula insistem em dizer que a imprensa deseja derrubar o presidente. Se isso fosse verdade, o metalúrgico jamais teria sido eleito. A imprensa compactua com Lula, porém, dadas as circunstâncias, torna-se inviável mostrar-se partidária de alguém acusado de corrupção. Não é de hoje que alguns dos meus textos aqui no blog se propunham a ressaltar as incongruências e despreparo do presidente que aí está. Entretanto, há de se levar em conta que a "moda" agora é falar mal do PT e isso é muito perigoso. Como partido que defendia as "causas proletárias", batendo na retrógrada tecla do socialismo (descartado por países inteligentes há anos), o PT perdeu todo o seu crédito. Terminou, mesmo. Ele pode continuar existindo, mas sua imagem já está maculada, assim como a de Lula - o qual, com sorte, termina seu mandato.
Mas não é o PT ou o próprio Lula que preocupam. Mesmo derrotados, eles deixaram "larvas" que podem germinar no tempo certo, aproveitando-se das mesmas ideologias com nova roupagem. Até mesmo a chamada oposição possui os elementos necessários para repetir as baboseiras do atual governo. Percebam que não há governo e oposição propriamente ditos, mas apenas uma alternância de poder. É desconcertante saber que, para impedir uma reeleição de Lula, as pessoas podem trazer FHC de volta. Custa-me a acreditar que essas sejam as alternativas que temos.
Enfim, ainda temos um ano e meio pela frente e muita coisa pode acontecer. Mas não deixo de dar crédito à última afirmação de Lula, quando disse "não deixaremos pedra sobre pedra", afinal, a casa caiu.