CONSERVADORES E LIBERAIS
A confusão que se faz com certos termos e adjetivos está presente em todas as esferas da sociedade. Geralmente começa com uma divulgação equivocada da informação por parte da mídia e, ao cair no vocabulário popular, o estrago é quase sempre irreversível. É o caso, por exemplo, do termo "hacker". Pergunte a qualquer pessoa na rua o que significa hacker e terá como resposta a descrição de "um adolescente que passa o dia invadindo outros computadores para roubar dados e destruir sistemas". Para quem não sabe, hacker é pura e simplesmente uma pessoa que gosta e possui bons conhecimentos de informática. Só isso.
Mas por que complicar? Particularmente, arrisco dizer que esses absurdos são resultados de pesquisas mal feitas por parte da mídia, que junta meia-dúzia de termos - sem nem ao menos se preocupar em saber seus significados - e os dispara com ar de verdade. Porém, existem as distorções propositais, onde ideologias falam mais alto. Nessas, a associação de certos termos com algo "bom" ou "mau" fica a critério de quem os descreve.
E atualmente um dos termos mais distorcidos é "conservador". A simples pronúncia dessa palavra evoca a imagem de um velho ranzinza de suspensórios, apoiado numa bengala e criticando toda a sociedade. A figura do conservador é vista como atrasada, chata e ditatorial - é o seu avô, preso ao passado e incapaz de entender os jovens de hoje. Em contrapartida existe o "liberal". Esse sim é sinônimo de modernidade, juventude e "gente boa". O liberal não impõe horário para os filhos chegarem em casa, é a favor da igualdade incondicional e até faz parte do Greenpeace. O conservador é amargo, triste; o liberal é feliz, cheio de vida.
Se você concordou comigo até agora, é mais uma vítima desse jogo de palavras. As pessoas confundem conservador com retrógrado e saem por aí cuspindo adjetivos sem o mínimo conhecimento. O conservador, como o nome diz, é aquele que "conserva", "preserva", "mantém" certos padrões e ideais que funcionaram antes e funcionam ainda hoje. O conservador olha para o passado, aprende com o que já foi feito e procura extrair o melhor das experiências anteriores para aplicar no presente. O futuro é encarado com uma visão mais real, menos fantasiosa - ele não se baseia no que o ser humano "deveria ser", mas no que ele "é".
O conservador, diferente do que se acredita, não é contra o progresso ou a ciência. Ao contrário, ele apóia tanto um quanto o outro, pois reconhece sua importância para a humanidade. A diferença está em que o conservador coloca seus valores morais acima das novidades que o mundo oferece, "dissecando" informações e não se deixando levar pelos modismos. Geralmente ele encara a família como o alicerce da sociedade, daí o cuidado na criação e educação dos filhos - o que não implica necessariamente em proibições, mas esclarecimentos, pois, se não falar abertamente sobre assuntos como sexo e drogas, as crianças inevitavelmente obterão essas informações por meios duvidosos.
Mais engraçado, no entanto, é perceber que justamente aqueles que se dizem "liberais" são os primeiros a se engajar em lutas contra a globalização, indústrias, pesquisas genéticas, etc., assumindo uma posição mais "conservadora" do que a dos próprios conservadores, pois, colocam-se contra o avanço da ciência. É claro que a destruição do meio ambiente não se justifica, e tanto liberais (os verdadeiros) quanto conservadores concordam nesse ponto. Pesquisas recentes apontam o aquecimento global como um possível resultado do fim da última Era Glacial (ainda estamos desgelando e não aquecendo por causa do efeito estufa). Os gases lançados ao ar pelas fábricas possuem muitos elementos químicos que anulam-se uns aos outros, reduzindo o impacto ambiental. Isso quer dizer que a poluição que você respira todo dia não é real? Não, isso mostra que muitos dos dados publicados com sensacionalismo catastrófico podem não ser tão precisos como se pensa.
Então, se ser conservador não é tão ruim, por que toda essa revolta sobre seu comportamento? Simplesmente porque não é fácil "dobrar" um conservador. Não se pode enganá-lo tão facilmente porque ele é convicto de seus ideais - os quais, como eu disse, já se mostraram eficientes com o passar dos anos. O conservador geralmente fundamenta seus conceitos na religião, por isso, para atacá-los, costuma-se direcionar o "fogo" para sua fé, criando polêmicas, induzindo à dúvida ou mesmo ridicularizando-os. Os verdadeiros conservadores não se deixam abalar, pelo contrário, a cada novo ataque percebem que estão no caminho certo e saem mais fortificados. A revolta contra os conservadores chega a ser hilária e já gerou teorias das mais absurdas. Mas é sempre bom estar atento, pois, atualmente, está em vigor a máxima criada pelo Ministro da Propaganda Nazista, Joseph Goebbels, que afirmava: "Repita uma mentira mil vezes e ela se tornará verdade".