O CULTO À MEDIOCRIDADE

Dizer que vivemos tempos de inversão de valores não é novidade alguma. Existe uma sinistra nuvem "imbecilizante" que ronda o planeta há décadas, mas ela parece ter especial preferência pelo Brasil. Nós somos o país que mais produz nulidades e, insatisfeitos, cultuamos a incompetência alheia, também. Nossos conceitos de heróis e ídolos deixam muito a desejar. Na política não existem personalidades expressivas - acredito que precisaríamos retroceder aos tempos do Império para encontrar um ou outro nome que possa ser citado. Na área social é a mesma coisa, pois, me recuso a aceitar Chico Mendes como um herói nacional, chega a ser ridículo. Na arte e cultura estamos ainda piores, visto que qualquer beócio consegue um lugar ao sol na mídia.

Eu posso estar exagerando, vocês dirão. Talvez sim, afinal, cada um tem o direito de gostar do que quiser. Concordo, mas o problema não está no "ídolo" propriamente dito e sim nos motivos pelo qual ele é cultuado. Parece que fazemos uma seleção dos piores e, entre esses, escolhemos o mais inútil. Pronto, está aí o nosso herói. E muitas pessoas que concordariam comigo possuem em seu panteão alguns "deuses" duvidosos. Essa cultura da mediocridade está tão enraizada em nosso subconsciente que temos a capacidade de repudiar coisas como É o Tchan e, ao mesmo tempo, glorificar Cazuza ou Raul Seixas. Ora, dadas as suas devidas proporções, eles são até muito parecidos. Para muitos posso estar cometendo uma heresia ao criticar "Raulzito", mas, digam-me, o que ele tem de mais? Se você disser apenas que gosta das músicas dele eu posso compreender, afinal, gosto não se discute. Mas não posso deixar de rir quando dizem que ele foi um poeta inigualável, que suas letras possuem uma tremenda profundidade espiritual, que ele é um símbolo de ideologia para a juventude e mais um monte de bobagens. A simples parceria do ícone da "sociedade alternativa" com Paulo Coelho (outro inútil) deveria servir de aviso para mantermos distância.

E outra nobre figura histórica tão adorada pelos jovens descerebrados é Che Guevara. Não consigo entender o motivo de ver pessoas usando camisetas com o rosto de Che estampado. Já vi gente dizendo que ele foi o "homem que revolucionou a história do mundo" - é de rolar no chão de rir. Revolucionou ou participou de revoluções? Se formos analisar a "carreira" de Che, veremos que ele não conquistou absolutamente nada e foi medíocre em tudo o que fez. Lutou por uma ideologia fictícia, que nada mais fez a não ser levar centenas de inocentes à morte. Das duas revoluções que participou, foi derrotado em ambas. Como "prêmio de consolação", ganhou do ditador Fidel Castro o ministério da economia em Cuba, porém, conseguiu quebrar ainda mais o país, levando um chute no traseiro de Fidel. Viveu sem propósitos definidos e não atingiu nenhum objetivo. Por que, então, todo esse assédio em seu nome? Eu vejo Che Guevara como a versão argentina do nosso Rubens Barrichello: idolatrado por sua inutilidade.

Nosso presidente também é o símbolo máximo de como as nulidades conseguem obter enorme destaque. Em recente discurso, afirmou: "Quando eu terminar o meu mandato, eu não vou para a França nem para os Estados Unidos fazer pós-graduação. Vou voltar para São Bernardo do Campo para conviver com meus companheiros metalúrgicos". Realmente, alguém precisa avisar Lula de que é impossível fazer pós-graduação sem que, antes, seja graduado em alguma coisa. Seria cômico se o dono dessa afirmação não ocupasse o cargo que ocupa.

Tendo em vista todos esses ícones de sabedoria, cultura, força e coerência, aclamados com tanta hipocrisia pela mídia, não é de se espantar que a população perca a capacidade de pensar por si mesma e deixe de diferenciar o joio do trigo. Sim, eu tenho orgulho de ser brasileiro, mas não posso dizer que me orgulho dos brasileiros.

Publicado em 26/02/2005 no blog Hot Rod's Café