01/08/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

O Segredo (requentado) por Ana Maria Braga

Posted by Emilio Calil On novembro - 19 - 2007 6 COMENTARIOS

Eu havia comentado em post anterior sobre o tal livro de auto-ajuda O Segredo – o qual, segundo dizem, ‘mudou’ a vida de milhares de pessoas contando algo que todo mundo já sabia. Coloquei o mudou entre aspas porque, na verdade, não conheci ninguém que, tendo lido o livro, obteve de fato qualquer mudança. Que mais não seja, em minha outra crônica terminei o texto com a seguinte frase:

“Como livros de auto-ajuda conseguem fazer tanto sucesso contando a mesma história centenas de vezes e fazer com que as pessoas acreditem que se trata de algo inédito?”

E não é que agora temos mais uma autora se aventurando no campo da auto-ajuda? A apresentadora Ana Maria Braga lança hoje o livro O Segredo por Ana Maria Braga. Após ler A Lei da Atração, de Michael Losier, Ana Maria Braga descobriu o verdadeiro ‘segredo’: livros de auto-ajuda vendem aos montes e seus autores são os únicos a obter reais benefícios do tema. Assim sendo, a apresentadora sequer se preocupou em disfarçar o tema ou apresentá-lo como algo inédito. Plagiou até o título, incluindo apenas um adendo para evitar questões judiciais, e mandou ver!

Assim, se você é um ávido leitor do gênero, corra e garanta já o seu exemplar! Descubra o que todo mundo já está cansado de saber e ajude a fundamentar minha tese de que a auto-ajuda realmente opera maravilhas na vida…. dos escritores de auto-ajuda.

Na verdade, ando pensando em me enveredar por esses caminhos. Já que estou precisando de algum ‘segredo’ para melhorar minha conta bancária, quem sabe ainda não lanço um livro semelhante? Já tenho até o título: “Mais do Mesmo – por Emílio Calil“.

Onde está o segredo?

Posted by Emilio Calil On maio - 29 - 2007 11 COMENTARIOS

Dentre as citações de Sócrates, uma das que mais gosto é “nada vos ensinei que vós mesmos já não o soubessem”. O filósofo grego fazia questão de não entregar as respostas a seus ouvintes, mas fazia-os chegar a conclusões por si próprios, utilizando seqüências de raciocínio. Assim, ao mesmo tempo em que Sócrates dizia “só sei que nada sei”, ensinava às pessoas coisas que elas já sabiam, mas que até então ignoravam. Ou seja, não aprendiam nada de novo, a não ser usar os próprios cérebros.

Diametralmente oposto aos métodos de Sócrates está o fato de se aprender o óbvio em pseudo-lições recauchutadas e disfarçadas de “brilhante descoberta”. Falo dos livros de auto-ajuda. A fórmula é manjada e volta e meia conquista a atenção do grande público que, ignorando as prévias encarnações, abraça as novas roupagens da mesma idéia como se fosse algo novo.

Certa vez, um amigo emprestou-me A Chave Mestra das Riquezas, de Napoleon Hill. O autor pode ser considerado o “pai” do gênero de auto-ajuda. Apesar de existirem precursores do tema, Hill foi um dos primeiros a organizar os pensamentos e publicá-los em forma de regras (Lair Ribeiro é seu discípulo direto, copiando descaradamente quase todas as obras de Hill).

No livro, Napoleon Hill apresenta um conjunto de filosofias que farão a pessoa obter sucesso na vida. Em certos capítulos, o texto chega a assumir ares místicos, evocando forças invisíveis que trabalham em favor de quem mantém o pensamento positivo sob qualquer circunstância da vida.

Longe de mim ridicularizar tal atitude, pois considero essencial a fé e o bom-humor como ferramentas para enfrentar os revezes do cotidiano. Mas não posso aceitar que as pessoas acreditem ser essa uma recente fórmula mágica e inovadora para a solução de todos os problemas do mundo.

Nada do que Hill mostra é novidade. Por exemplo, sabemos que um funcionário só se destaca quando se esforça para além da obrigação. Hill chama isso de “caminhar um quilômetro extra”, ou seja, assumir mais responsabilidades sem almejar reconhecimento, pelo bem da empresa. É óbvio que a chance desse funcionário ser recompensado aumentará. Mas antes de Hill, o ex-presidente dos EUA, Abraham Lincoln, tinha feito a mesma descoberta quando disse, lá pelos idos de 1800, que “o homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz”.

E agora a auto-ajuda ganha novamente o destaque na mídia, mostrando as mesmíssimas coisas, mas com ares de descoberta do século. Outro dia uma amiga me disse: “Você precisa ler O Segredo, esse livro mudou minha vida”. Então disparei a pergunta: “O livro ensina alguma coisa que você já não soubesse?”. E ela: “Bem, não… Mas ele descreve as coisas de uma maneira nova”. Nova para quem? Não para mim.

O tal Segredo, da australiana Rhonda Byrne, prega, outra vez, a força do pensamento positivo, nos mesmos moldes de Napoleon Hill. E os desavisados correm ávidos às livrarias para descobrirem, novamente, tudo o que já sabiam e poderem exclamar: “Puxa! Como não pensei nisso antes?”. Pior, alguns acham até que estão adquirindo cultura apenas por portarem o livro!

O que espanta é ver a auto-ajuda encarada quase como religião. Milhares de pessoas, que querem se apegar em algo para crer, acabam fisgadas por autores espertalhões que lhes dizem o que já sabiam, mas, ao contrário de Sócrates, não estimulam o raciocínio.

O mais engraçado é que vemos um crescente repúdio mundial às religiões, com deboches de quem se diz cristão, budista, etc., ao mesmo tempo em que se abraça a auto-ajuda. Ora, o leitor atento perceberá que as filosofias da auto-ajuda são fundamentadas em doutrinas religiosas, com a diferença que excluíram Deus e colocaram o indivíduo como centro do universo.

Maior ironia é vermos crentes (de qualquer religião) caírem no conto da auto-ajuda. Qualquer um que siga realmente os ensinamentos de sua fé já obedece a princípios que suplantam aos da auto-ajuda, mas parece que muitos precisam beber em outras fontes para descobrir o óbvio.

No meu caso – e essa é uma visão pessoal – a auto-ajuda não mostrou absolutamente nada que eu já não soubesse e me espantei em ver pessoas maravilhadas com as “descobertas” desses livros, quando as mesmas já estão presentes justamente nas tão criticadas religiões. Claro, todo mundo tem o direito de acreditar naquilo que quiser, ou mesmo não acreditar em nada. Mas não me venham dizer que existe um “segredo” por aí, porque de secreta a auto-ajuda não tem nada.

Ou melhor, existe sim um segredo. Como livros de auto-ajuda conseguem fazer tanto sucesso contando a mesma história centenas de vezes e fazer com que as pessoas acreditem que se trata de algo inédito?

O mundo já foi mais culto

Posted by Emilio Calil On maio - 23 - 2007 3 COMENTARIOS

Leio na Folha que Harry Potter e a Pedra Filosofal foi eleito pelos britânicos o melhor livro dos últimos 25 anos. A lista completa você encontra aqui: Top 25 Books

Difícil engolir uma dessas. Tudo bem, é leitura pra crianças e até ajudou muita gente a pelo menos descobrir o que é um livro, mas eleger uma historinha fraca dessas como melhor obra literária dos últimos 25 anos é subestimar o intelecto de muita gente. Às vésperas da estréia do novo filme, bem como do lançamento do último livro que encerra a coleção, Harry Potter conquista um lugar de honra entre os livros britânicos. Quanta coincidência.

Olhando a lista com cuidado, percebe-se o sofrível O Código Da Vinci ocupando o quinto lugar. Ao que parece, mediocridade vende. Paulo Coelho que o diga. Aliás, estou surpreso que o “mago” não esteja integrando essa lista.

Já haviam me dito para fugir de todo e qualquer livro classificado como “best-seller”. E é a pura verdade. A leitura para as massas parece “emburrecer” as pessoas e criar uma legião de seguidores de coisa alguma. Haja visto o novo “sucesso” das livrarias, O Segredo, de Rhonda Byrne, que também trilhou o caminho para o cinema. Aliás, falarei mais sobre esse livro em crônica futura.

Lá embaixo, ocupando uma discreta 21ª posição, está O Nome da Rosa. Se os britânicos consideram J. K. Rowling melhor do que Umberto Eco, só posso concluir, então, que o mundo já foi mais culto no passado. Ou será que nunca foi?

A ironia do Big Brother

Posted by Emilio Calil On abril - 3 - 2007 2 COMENTARIOS

Não, não me refiro ao emburrecedor programa de televisão onde meia-dúzia de retardados passam semanas enclausurados em uma prisão de luxo emitindo pérolas de sabedoria uma atrás da outra, enquanto a população os assiste hipnotizada.

Falo do verdadeiro Big Brother – ou o “Grande Irmão” – criado no livro 1984, de George Orwell – e que, tristemente, acabou originando o programa de TV.

Quem diria, a casa do famoso escritor, situada em Londres, hoje é vigiada por nada menos que 32 câmeras de segurança. Vítima de sua própria criação, Orwell deve estar se virando no túmulo.

Segundo um levantamento feito pelo site ThisIsLondon.co.uk, a Inglaterra possui 4,2 milhões de câmeras de segurança, uma para cada 14 habitantes do Reino Unido. Nem o pub predileto do escritor, o Compton Arms, escapou à constante vigia que tomou conta do país.

Visto que outra criação de Orwell, a “novilíngua”, também se tornou realidade na forma da ditadura do politicamente correto, não é exagero dizer que a realidade encontrará outras inspirações na obra do escritor. E um forte candidato a isso é o “duplipensar”: “Guerra é paz”; “Liberdade é escravidão” e “Ignorância é força”.

Leia a notícia completa no El Pais.

Leitura recomendada

Posted by Emilio Calil On março - 28 - 2007 COMENTAR

Recentemente li o livro Mistério de Natal, de Jostein Gaarder, autor também do famoso O Mundo de Sofia (o qual ainda não li). A história narra a aventura de Joaquim, um garoto norueguês que ganha um “calendário mágico de natal” – é um calendário com pequenas “portas”, cada uma correspondendo a um dia do mês de dezembro, sendo que a última termina no dia 24, véspera de natal. Quando o garoto abre a primeira porta, revela uma gravura atrás dela e descobre um pedaço de papel, onde está escrito o pequeno trecho de uma história.

O papel do calendário fala sobre uma menina que saiu correndo de uma loja de departamentos da Noruega atrás de uma ovelha de pelúcia e encontrou, num bosque, um anjo que a convidou para ir andando até Belém, presenciar o nascimento de Cristo. Mas como eles estão em 1948, o anjo explica que, além de andar em direção a Belém, eles também voltarão no tempo à medida que caminharem. Assim começa a jornada.

Conforme Joaquim vai abrindo as outras portas do calendário, sempre uma por dia, descobre outros papéis que continuam a história da menina e do anjo, os quais vão encontrando pelo caminho outros personagens que se juntam ao grupo, como pastores, mais ovelhas, outros anjos e até os três reis magos. Eles atravessam, a pé, toda a costa da Noruega e rumam para o Oriente, passando por cidades e locais históricos, onde o anjo faz questão de relatar todos os eventos importantes relacionados a esses lugares.

Com o desenrolar de outros acontecimentos na vida de Joaquim, começam as suspeitas de que a história do calendário talvez não seja mera ficção. Assim, o livro começa a prender o leitor pelas duas aventuras simultâneas: a da menina e sua jornada, e a de Joaquim e suas deduções.

A bem da verdade, a história do livro é bem singela e escrita de maneira simples, nitidamente voltada para crianças. Entretanto, algumas coisas chamam a atenção, como os relatos do anjo, fazendo com que o leitor aprenda história sem se dar conta disso e, também, o relacionamento de Joaquim com os pais, que se tornam cúmplices do filho na ansiedade de lerem o próximo “capítulo” do calendário. O pai inclusive faz uso de diversos atlas geográficos e da própria Bíblia para mostrar por onde os viajantes andavam em cada parte da história. É o tipo de coisa que incentiva os pais a terem esse mesmo relacionamento com seus filhos (e vice-versa).

Mesmo cansado de ficção, acabei lendo esse livro quase sem querer e fui cativado. Numa era onde a literatura infanto-juvenil parece ser a mina de ouro das editoras e produtoras de cinema, cada qual tentando pegar carona no sucesso de Harry Potter e semelhantes, não seria má idéia ver essa obra transformada em filme, fugindo um pouco da fantasia com elfos e dragões e centrando-se mais no relacionamento da família.

VÍDEO DO DIA » THOR (TRAILER)
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