03/09/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

Uma pedra no caminho

Posted by Emilio Calil On julho - 9 - 2010 3 COMENTARIOS

Eu já me preparava para dormir quando ela apareceu de madrugada. A princípio ignorei-a, tentando passar despercebido. Mas já a conhecia de outra data e sabia que não seria fácil. Ela não é do tipo que desiste sem luta. Sua presença foi ficando mais forte e, antes que se tornasse insuportável, precisei de ajuda para me livrar dela.

Faltando dois meses para o casamento, não podia deixar que a reaparição dela estragasse tudo. Ela cruzou meu caminho uma vez há três anos, mas percebi que não me esqueceu.

Ela, a quem me refiro, é uma cólica renal. O leitor que conhece o drama de perto sabe que não é coisa que se ignore. Ela surge do nada, como um formigamento, e vai ficando mais forte até dar a impressão de uma mão esmagando os rins. É dor que faz o mais forte dos homens chorar feito criança. E eu estou longe de ser o mais forte dos homens.

Um pulo no hospital para tomar buscopam acabou com a dor. Mas na noite seguinte tive outra visita dessa amiga indesejada. Dessa vez, achei melhor procurar o médico. Após exames surge o causador do tormento: Um cálculo renal desgarrado que escapou do rim e se alojou a meio caminho da bexiga.

O médico me chama pra conversar. “Precisamos remover a pedra para que ela não obstrua o canal e prejudique o rim”. OK, doutor, bombardeie com ondas de choque e estamos conversados. “Infelizmente não é possível no seu caso, pois a pedra está em um local onde não podemos bombardear. Além disso, ela é grande, o que impede que seja expelida naturalmente.” OK, doutor, quais as alternativas? “Fazer uma cirurgia com uma sonda para remover a pedra e colocar um cateter entre o rim e a bexiga, permitindo que o fluxo passe normalmente.”

Recusei de imediato. Pedi uma semana para tentar expelir a pedra – não me agradava a ideia de algo entrando por orifícios que não foram projetados para isso. O médico riu e me desejou boa sorte. E assim passei uma das piores semanas da minha vida. Toda noite sofria com a dor e nada da pedra sair. No fim, entreguei os pontos, mandei tudo às favas e marquei a cirurgia.

Data da operação: 28 de junho, dia de jogo do Brasil na Copa. Como imaginei, só fui encaminhado ao centro cirúrgico após o jogo. Inacreditável ver um hospital parar por causa de futebol. Naquele dia, para meu desgosto, o Brasil ganhou. Mas a cirurgia correu bem. O procedimento foi relativamente rápido e no dia seguinte estava de alta.

Os dias passaram e alguns sintomas me diziam que algo estava errado. Liguei pro médico e descrevi o problema. “Provavelmente o cateter saiu do lugar e será preciso refazer a cirurgia” – disse ele. Ah, nada disso! Mal tinha saído de uma e teria que entrar em outra? Mas não teve jeito. Data da operação: 2 de julho, outro jogo do Brasil na Copa. Santa coincidência! Fiquei sozinho no quarto com a tevê ligada durante jogo. Após o primeiro gol do Brasil, perdi as esperanças, virei para o lado e cochilei. Quando acordei, o placar indicava 2 x 1 para a Holanda. Senti uma ponta de tristeza por não ter presenciado a virada. E, como da primeira vez, só após o apito final vieram me buscar para a cirurgia. Dessa vez entrei sorrindo na sala. Tive alta no dia seguinte, a tempo de celebrar meu aniversário em casa.

Da minha estadia no hospital ficam duas impressões: A primeira é o atendimento ímpar do pessoal do Hospital Aviccena, que tratam seus pacientes como hóspedes. Todos, do faxineiro às enfermeiras, merecem elogios. E a segunda é a total falta de consideração, organização e péssimo atendimento da SulAmérica Saúde, que nada fez a não ser atrapalhar e atrasar as cirurgias. Demoravam a enviar a liberação da cirurgia e, quando liberavam, seguravam os materiais que seriam utilizados na mesma – ora, com o que os médicos iriam operar? Apenas com as mãos?

Enfim, o próximo passo será o bombardeamento para ‘explodir’ o que restou da pedra e a retirada do cateter, que deve ocorrer até o final do mês. Para quem nunca teve costume de ir a um hospital, duas cirurgias na mesma semana são um feito e tanto.

E finalizando com um cliché, cito o Drummond:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Orgulho de ser brasileiro

Posted by Emilio Calil On agosto - 11 - 2009 5 COMENTARIOS

O amigo Mario Cardoso me brindou com um vídeo que não precisa de descrições. Assista e tire suas próprias conclusões:

O Cristaldo costuma citar uma frase de Olavo Bilac que cai como uma luva aqui:

Ama, com fé e orgulho a terra em que nasceste! Criança! Não verás nenhum país como este.

Sobre supostos e aspas

Posted by Emilio Calil On maio - 21 - 2009 COMENTAR

Há tempos ensaio um artigo para falar do exagero da palavra “suposto” em nossos noticiários. Mas o Cristaldo saiu na frente e publicou boa crônica a respeito do tema aqui.

Vale a leitura.

Os bovinos fumantes

Posted by Emilio Calil On maio - 18 - 2009 2 COMENTARIOS

Muito já se falou e se escreveu sobre a nova Lei Antifumo sancionada pelo governador José Serra, que passa a vigorar a partir de 1º de agosto deste ano, mas resolvi deixar aqui minha opinião também.

Detesto cigarro. Não suporto o cheiro da fumaça e detesto que fumem perto de mim. Entretanto, jamais me ocorreu tratar os fumantes como criminosos ou seres alienígenas. Tenho amigos que fumam e não fico lhes passando sermão sobre saúde, câncer de pulmão ou coisa semelhante. Que o cigarro incomoda, não há dúvida. Mas daí a cortar relações com a pessoa ou proibi-la de fumar perto de mim é outra história. Há maneiras educadas e civilizadas de se tocar no assunto e chegar a uma solução.

O escritor e jornalista Janer Cristaldo também publicou um ótimo texto em seu blog sobre o assunto, que reflete grande parte do que eu penso a respeito dessa lei inconstitucional. Sem falar que a lei atinge diretamente os estabelecimentos comerciais e não os fumantes propriamente ditos. Que raio de lei é essa que pune uns pelo delito de outros?

Para não me estender muito, gostaria de saber se essa férrea disposição para erradicar o cigarro da face da Terra também se aplica ao combate às drogas.

Afinal, é muito fácil gritar e esbravejar com pessoas de bem, cidadãos comuns e pagadores de impostos cujo vício é colocar um cigarro na boca. Transformar pessoas inocentes em criminosos da noite para o dia por meio de lei imbecil e posar de grande herói que combate o mal do tabaco em prol da saúde pública é, além de demagógico, fácil demais. O cidadão de bem não vai se revoltar, não fechará ruas e queimará pneus, não invadirá prédios ou repartições públicas nem promoverá revoluções pelo direito de fumar. Ele vai, bovinamente, aceitar a lei e restringir o fumo à sua residência, enquanto isso ainda lhe é permitido.

Gostaria de ver José Serra falando grosso dessa forma contra traficantes e usuários de drogas (da maconha ao crack). Teria ele cojones para declarar realmente guerra ao tráfico e colocar seus ‘fiscais’ pra subir morros e favelas, ir dos bairros mais pobres aos mais luxuosos atrás do mínimo sinal de consumo de drogas? Teria José Serra a coragem de se colocar veementemente contra a liberação da maconha?

Claro que não. Para o crime (ou parceiros), as vistas grossas do governo. Melhor bater em quem não reage.

Change!!!

Posted by Emilio Calil On maio - 16 - 2009 COMENTAR

Mais duas do homem que veio salvar o mundo:

Sri Lanka prova incapacidade de Obama, dizem especialistas
ONGs criticam Obama por reabrir tribunais militares

Vamos continuar esperando a tão anunciada “mudança”. Não serão cento e poucos dias de absoluta inércia no governo que tirarão as esperanças da humanidade, não é? Afinal, se o homem resolvesse tudo em dois dias, não teria muito o que fazer nos próximos anos. Precisa haver emoção, desafio, senão perde a graça.

Se a esperança é a última que morre, então ainda veremos uma chacina de sentimentos até chegar a vez dela. Os ‘obamistas’ (ou ‘obabacas’, como quiser) devem estar pensando: “Droga! Se ao menos ele começasse a andar logo sobre as águas…”

A lógica de Lobão

Posted by Emilio Calil On maio - 12 - 2009 COMENTAR

Leio no Estadão:

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje, na Refinaria do Planalto (Replan), em Paulínia (SP), que é dever do País preservar a Petrobras e evitar críticas e acusações. “A Petrobras é um orgulho nacional”, afirmou. “É dever, portanto, preservar uma empresa nacional deste porte, desta magnitude, desta envergadura, para que ela sirva sempre aos melhores interesses nacionais. E não prejudicá-la, desgastando-a, criticando-a, acusando-a muitas vezes daquilo que ela não tem culpa. Isto não serve ao País, não serve a ela, não serve a nenhum dos senhores”, disse o ministro. “Este é um País que sabe por onde vai. Basta que seus governantes não o atrapalhem. E ele cuidará de si mesmo, quase que sozinho.”

Seguindo o raciocínio do ministro, a Petrobras está acima de qualquer crítica só porque é uma empresa brasileira. E, por isso, deve ter sua imagem preservada. Ora, que tem a ver a nacionalidade de uma empresa com a idoneidade de seus negócios?

Aliás, a Petrobras deve ser criticada sim, não por ser brasileira, mas por ser uma estatal. Que ‘orgulho’ pode nos trazer uma empresa dessas se nada, absolutamente nada do que ela produz é revertido em benefícios para os brasileiros? A menos que você considere benefício o patrocínio de péssimos filmes, peças de teatro e eventos dito ‘culturais’ – que nada mais são do que pretexto para jogar dinheiro público no lixo (ou encher os bolsos de cineastas que não estão nem aí se o filme fizer sucesso ou não).

Fora isso, sendo a Petrobras nacional, o preço da gasolina nos postos BR deveria ser mais barato. Mas não é. E mais, no mundo inteiro houve uma queda de preços significativa do barril do petróleo, que se reverteu em redução de preços do litro da gasolina. Que fez a Petrobras? Lançou um comunicado dizendo que não iria reduzir preços por que esta é uma decisão política da empresa.

Que orgulho, então, pergunto ao ministro Lobão, deve o brasileiro sentir deste que é o maior e mais inchado cabide de empregos do Brasil? Que a Petrobras tenha lá seus méritos, concordo. Mas isso é motivo para isentá-la de críticas? Só na cabeça de quem possui uma lógica torpe.

Mas concordo com o ministro quando diz que o país cuidaria de si mesmo quase que sozinho, bastando que seus governantes não atrapalhem. Sendo assim, peço então a Lobão que desde já tome a iniciativa dessa declaração e saia de cena o mais rápido possível.

Ecologicamente tóxicos

Posted by Emilio Calil On março - 10 - 2009 COMENTAR

Divirto-me ao ler sobre o empenho de empresas para se mostrar ecologicamente responsáveis. Agora todos querem fazer deste planeta um lugar melhor. Muitos setores da indústria já possuem suas chamadas ‘linhas verdes’ de produtos. Até internet entrou na roda, com o debate de que sites com fundo preto gastam menos energia do monitor – e há os que defendem o contrário, que sites brancos são menos poluentes.

Há uns dez anos, para uma empresa ser ‘moderna’, não podia vender produtos, tinha que “fornecer soluções e se comprometer com resultados dos clientes”. Hoje isso é o mínimo que se espera. Agora o mote mudou, empresa moderna cuida do meio-ambiente. Ora, isso também é o mínimo, e não diferencial.

Não ironizo a redução de poluição, reciclagem e coleta seletiva. São ações importantes. A ironia está em ver que isso é apenas moda. Alguém disse que consumidores compram mais de empresas engajadas com o meio-ambiente e agora um quer ser mais ecológico que o outro. Isso é coisa de eco-chatos esquerdistas que vivem falando em causas ambientais, mas sem resultados. É como abraçar árvore. Ninguém está nem aí para a derrubada de árvores, então faz-se uma ação onde pessoas dão as mãos e ‘abraçam’ uma árvore. Pronto, a natureza está salva.

Isso me remete a meados de 2005, época em que a agência onde trabalhei atendia uma indústria química de Piracicaba. Visitei o lugar algumas vezes. Quem andasse pelas instalações não imaginaria que ali se produzia resinas. Entre os galpões e tonéis, ruelas de pedra arborizadas davam num jardim com quiosque e churrasqueira. Parecia um sítio. Acima ficava o reservatório de água, com muros forrados de vegetação e uma criação de carpas. Para quem não sabe, carpa demanda água cristalina e cuidados especiais para sobreviver. Aquelas carpas habitando a água tratada da fábrica provavam o cuidado com o meio-ambiente.

Conversando com o diretor comercial, sugeri ressaltar essas preocupações ambientais com clientes e imprensa. Sorrindo, me respondeu: “Bem, Emílio… Apesar do verde e água limpa, eu não usaria isso como diferencial. Há alguns meses houve um vazamento e os resíduos contaminaram água e solo de uma favela lá embaixo no vale. Tivemos problemas sérios com a prefeitura e ficamos com a pecha de empresa malvada que despeja lixo tóxico nos pobres”. Tragicômico. Com tantos lugares para o vazamento escoar, foi logo para a favela.

Não basta querer ser ou se auto-proclamar ecologicamente responsável. O menor descuido destrói essa imagem.

Outro exemplo clássico é o do ex-vice-presidente americano Al Gore e seu demagogo evento Live Earth, que reuniu, em 2007, artistas de todo o mundo contra o aquecimento global e desperdício de energia, sendo que o próprio Gore gasta mais energia em um mês na sua casa do que um americano médio em um ano.

Tenho visto gente comemorar o surgimento do Kindle, o leitor de e-books da Amazon. É sem dúvida um produto revolucionário – você armazena centenas de livros digitais em um único aparelho. Mas esses que celebram o Kindle mandam uma mensagem aos jornais convencionais: “Parem de derrubar árvores!”. Alto lá! Apesar dos leitores de e-books substituírem livros e jornais de papel, não podemos ignorar que o produto é feito de plástico, possui tela LCD e usa bateria – para ler as notícias do dia, você estará gastando energia. Não que o Kindle seja um agente poluente, mas há de se pesar os prós e contras. Árvores podem ser replantadas.

E mais uma vez volto àquele diretor da indústria química. Na mesma conversa, insisti que poderiam fazer parceria com algum instituto de proteção ambiental. E ele: “Veja bem, Emílio. Nós não fabricamos móveis, não vendemos frutas, não produzimos tecidos. Somos uma indústria química que produz plástico, produto que leva mais de 100 anos para começar a se decompor. O plástico sempre será visto como o pior vilão contra a natureza. Nenhum instituto ambiental se interessaria em nos ter como parceiros, pois nosso trabalho implica em poluir mais ou poluir menos, mas sempre poluir. É bem provável que estejamos, neste exato momento, contribuindo para o fim do mundo. Mas o planeta inteiro depende de plástico e, até que alguém invente uma alternativa viável, não há nada que nós ou nossos concorrentes possamos fazer”.

Quem decide o que é melhor para seus filhos?

Posted by Emilio Calil On março - 4 - 2009 COMENTAR

O Ministério Público Federal torna a tema antigo, já discutido anteriormente e que se acreditava resolvido: A presença de brinquedos vinculados a lanches de redes fast food como McDonald’s e Burger King. É o que nos diz a notícia do G1: MPF quer suspensão da venda de brinquedos em redes de fast food

A princípio, você pode considerar um ato nobre, de preocupação do Governo com a saúde dos infantes. Mas para quem sabe ler nas entrelinhas, a mensagem é clara: “Atenção pais, vocês não sabem o que é melhor para seus filhos, então o Governo está assumindo essa função e tomará as decisões por vocês”.

Ora, que me desculpe o procurador da República Marcio Schusterschitz, autor dessa recomendação, mas acredito que ele nunca tenha dado uma volta na praça de alimentação de um shopping. O que mais se vê nas filas dos McDonald’s da vida durante a semana são adolescentes e adultos. Às crianças são reservados os finais se semana, geralmente quando a família inteira resolve fazer o ‘pacote completo’ (almoço + compras + cinema). Ainda assim, nem todas as famílias almoçam em fast food. Que os brinquedos atrelados aos lanches são chamariz, concordo. Mas desconheço família que permita que seus filhos comam todo dia nessas lanchonetes só para ganhar  brinquedo.

O que mais vejo em minhas andanças por shoppings – e de shopping eu entendo um pouquinho – são crianças comendo no mesmo lugar que seus pais escolhem para comer. Vejo muitos protótipos de gente – que ainda nem sabem segurar talheres direito – comendo arroz, bife, macarrão, comida chinesa, peixe, etc. E, é claro, nos fast foods também.

Uma amiga minha faz de tudo para manter seu filho de 2 anos longe de refrigerantes e lanches o máximo que puder. Só suco e comida saudável. E eu não apenas concordo como apóio a decisão! Mas ela sabe que vai chegar a hora inevitável em que ele se encontrará com um Big Mac. Nessa hora, entretanto, ele já terá discernimento o suficiente para saber que os lanches estão longe de ser refeição saudável. Mas vez ou outra, não faz mal. Eu mesmo costumo comer no McDonald’s apenas uma vez por mês. Às vezes nem isso.

Assim, o Ministério Público presume que os pais são criaturas desprovidas de inteligência e cuidado com os próprios filhos (OK, alguns até são mesmo, mas é minoria) e simplesmente resolve arrancar-lhes das mãos o direito de decidir o que a criançada pode ou não pode comer. Tudo isso para camuflar um ódio velado a multinacionais norte-americanas, que costumam ser associadas ao dito ‘capitalismo selvagem’.

Aonde houver ações de marketing bem sucedidas lá estará o Estado exercendo seu totalitarismo, sob pretexto de proteger a pobre população de propagandas irrecusáveis. Claro, investigar como os sujeitos lá da Praça da Sé conseguem vender um lanche de churrasco grego (junto com suco) por R$ 1, ninguém quer. Afinal, trata-se da classe “pobre e trabalhadora” tentando ganhar a vida. Para esses, as vistas grossas do governo.

O que o Ministério Público parece desconsiderar é que existe a maior arma contra propagandas e técnicas de marketing que buscam roubar a alma de nossas indefesas criancinhas: A capacidade dos pais de dizer ‘não’.

Comendo números

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 19 - 2009 7 COMENTARIOS

Nesta sou obrigado a concordar com o Cristaldo. Entra ano, sai ano e bebidas e alimentos mudam seu status de ‘saudável’ para ‘prejudicial’ da noite pro dia. Até um tempo atrás, ovo era um veneno repleto de colesterol. Depois, descobriram que o colesterol do ovo é bom para a saúde e pronto, todo mundo tem que comer ovo.

Agora a vítima da vez é o vinho. De saudável e benéfico para o coração, tornou-se “altamente cancerígeno”, segundo pesquisa francesa. É preciso ter muita paciência para aturar os resultados estúpidos de pesquisadores imbecis. Resultados esses que amanhã já terão mudado, por sinal. Aliás, outra coisa que me incomoda: Até hoje nunca soube de ninguém que teve problemas de saúde por beber coca-cola, e olha que desde pequeno ouço dizer que isso é um “veneno”.

Que devemos ter alimentação saudável, concordo. Mas como manter essa alimentação baseados nessas pesquisas? Ora um determinado alimento faz bem, ora faz mal. Se formos seguir o que dizem todos os médicos e nutricionistas (que por sinal nunca estão de acordo entre si), é provável que acabemos mais fracos e doentes do que quem se entope de gordura o dia inteiro.

Eu, particularmente, me recuso a comer acompanhado de uma tabelinha nutricional, contando as exatas calorias de cada alimento que coloco no prato: “Puxa, tenho que consumir 0,12 Kcal deste único tomate, então de acordo com a tabela, preciso deixar o palmito de lado”. Ora, isso não é comer, é viver em paranóia com números!

Comer, para mim, é um dos maiores prazeres que vida oferece. Não digo aquele almoço corrido do trabalho, em que se engole qualquer coisa em poucos minutos, mas uma refeição demorada, onde saboreamos o prato que nos apetece com calma, regado a bom vinho e sempre em cumplicidade com alguém que gostamos. Comer é quase um ritual, e não apenas uma forma de saciar a fome e repor as energias.

Que todos esses pesquisadores, médicos e nutricionistas me desculpem, mas cada vez que emitem uma opinião sobre o que se deve ou não comer, minha confiança na ciência despenca vertiginosamente. Se eles – por algum motivo -são contra bebidas alcoólicas, frituras, carnes, massas, molhos, temperos ou refrigerantes, que não os consumam. Mas não venham querer privar o resto da humanidade de tudo isso, sendo que a própria realidade depõe contra essas pesquisas.

Se no fim vamos todos morrer, eu pretendo partir deste mundo feliz e com a certeza de estar gastronomicamente satisfeito.

Por que a surpresa?

Posted by Emilio Calil On janeiro - 8 - 2009 COMENTAR

Lula declarou em entrevista que não lê revistas nem jornais porque isto lhe provoca azia.

A declaração do molusco provocou mal-estar na imprensa brasileira e diversos blogs já tecem um sem-número de comentários, considerações e reinterpretações da afirmação de Lula.

Ora, gastam palavras à toa os que fingem surpresa ante este fato. O problema não é que Lula não lê revistas nem jornais, e sim que ele não lê. Ponto.

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