10/09/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

A Fábula da Galinha

Publicado por Emilio Calil em 10 de setembro de 2007

Esta é uma fábula muito popular nos países de língua inglesa, onde é conhecida como The Little Red Hen, que assim como a fábula A Formiga e a Cigarra, visa ensinar o valor do trabalho e da previdência às crianças. Coisas que os vermelhos são incapazes de entender. Existem muitas versões diferentes, além de erroneamente atruibir-se essa “fábula” ao ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Vamos à ela:

Era uma vez uma galinha ruiva que morava numa fazenda com seus três amigos: O cão preguiçoso, o gato dorminhoco e o pato barulhento. Um dia ela encontrou alguns grãos de trigo no quintal e decidiu chamar seus amigos para ajudar a plantá-los.

“Quem me ajuda a plantar este trigo?” perguntou a galinha.

“Eu não” latiu o cão preguiçoso.
“Nem eu” miou o gato dorminhoco.
“Tô fora!” grasnou o pato barulhento.

“Então eu planto sozinha” respondeu a galinha. E assim ela fez.

Logo o trigo começou a brotar e quando a época da colheita estava próxima, ela voltou a chamar seus amigos para ajudá-la.

“Quem vai me ajudar a colher o trigo?” perguntou a galinha.

“Eu não, isso cansa” latiu o cão preguiçoso.
“Nem eu, vou dormir” miou o gato dorminhoco.
“Eu não ganho nada com isso. Tô fora!” grasnou o pato barulhento.

“Então eu colho sozinha” respondeu a galinha. E assim ela fez.

Sabendo que seus amigos não iriam colaborar, a galinha levou sozinha o trigo para o moinho e o transformou em farinha para preparar o pão, mas mesmo assim ela perguntou: “Quem vai me ajudar a preparar o pão?”

“Eu não, se alguém souber que eu trabalhei perco a bolsa-ração” latiu o cão preguiçoso.
“Nem eu, recebo pensão e seguro desemprego, vou dormir” miou o gato dorminhoco.
“Você não vai me pagar hora extra! Tô fora!” grasnou o pato barulhento.

“Então eu preparo sozinha.” respondeu a galinha. E assim ela fez.

Quando os pães ficaram prontos os outros animais vieram pedir um pedaço para a galinha ruiva, que respondeu:

“Não, eu fiz os pães sozinha e sozinha vou comê-los.” E assim ela fez.

Assim termina a fábula original, a galinha come os pães e os outros animais vagabundos ficam sem nada, mas aqui o final seria bem diferente:

Após se negar a dividir os pães, a galinha começou a ser insultada pelos outros animais.

“Maldita galinha burguesa! Exijo direitos iguais!” latiu o cão preguiçoso.
“Que falta de solidariedade! Sua egoísta insensível! Não sente pena dos que têm fome?!” miou o gato dorminhoco.
“Gananciosa! Capitalista! Exploradora! Eu vou tomar seus pães à força!” grasnou o pato barulhento.

Com a confusão a galinha resolveu chamar a polícia e junto com a polícia veio um burocrata do governo dizendo que ela era obrigada a dividir os pães com o governo e com os animais que nunca a ajudaram em nada.

“Mas eu fiz tudo sozinha! Plantei o trigo, colhi, fiz a farinha, assei os pães e ninguém me ajudou em nada!” reclamou a galinha.

“Sim, mas você fez tudo isso dentro desta fazenda e aqui não somos capitalistas, todos devem dividir seus lucros com os demais para manutenção da paz. Isso é justiça social”, disse o burocrata.

Depois do pequeno discurso do burocrata os demais animais comemoravam enquanto a polícia confiscava os pães da galinha ruiva:

“Bem feito! Ficou sem nada! Se ferrou galinha elitista!” gritavam histericamente.

De posse dos pães o governo ficou com a maior parte, deixando apenas algumas fatias duras para os animais vagabundos, que comemoraram a expropriação dos pães da galinha, aplaudindo a adoção do sistema de justiça social que lhes garantia migalhas.

Entretanto, depois de algum tempo eles começaram a se questionar porque nunca mais a galinha voltou a fazer pão…

Fonte: Mídia Livre



3 Responses to “A Fábula da Galinha”

  1. Alegt disse:

    Pois é, meu caro Emílio… Na vida nada se cria, tudo se transforma. Essa fábula é tão antiga e mesmo assim, quando leio vejo vários cãos vagabundos, gatos preguiçosos e etc. Será que algum dia viveremos e trabalharemos sem ter que dividir o nosso ganho com os outros? Pagamos impostos e não temos nada em troca, seja saúde, bem estar ou até mesmo dignidade. Como eu sempre digo: “quando mais eu conheço o homem, mas, gosto do cão…”

  2. vinicius disse:

    Caro Emílio,gostei muito da fabul original,mas esse segundo final não tá com nada!

  3. Kosher-X disse:

    “Como eu sempre digo: “quando mais eu conheço o homem, mas, gosto do cão…” ”

    O Figueiredo costumava dizer coisa semelhante, que ele preferia os cavalos ao povo.

    E, Emilio, apesar de eu ter te explicado anteriormente, você confundiu as versões. A erroneamente atribuída ao Reagan é esta:
    http://digitaldevilstory.blogspot.com/2007/08/capitalismo-para-crianas.html

    A que você publicou aí é a versão própria de um blogueiro conhecido meu que eu mostrei pra você naquela ocasião, e você confundiu as versões por causa da semelhança entre elas. Mas tudo bem, isso pouco importa. Fábula é fábula, e vice-versa.

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