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	<title>Emilio Calil :: Blog&#187; Crônicas</title>
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	<description>Comentando o cotidiano</description>
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		<title>Conhecendo o Windows 7</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 17:14:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Estou devendo este post há algum tempo. A vida anda tão corrida nesses meses que não dá tempo de se autopromover. Não é novidade dizer que sou apaixonado por tecnologia. E escrever sobre o assunto chega a ser mais um hobby do que trabalho propriamente dito. Sendo assim, fui convidado ano passado a escrever um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Conheça meu livro sobre o Windows 7" href="http://www.universoeditorial.com.br/ue/main.asp?loadpage=pubdetails&amp;showbannertop=no&amp;showcovers=no&amp;pubid=%7bA79E1BFB-D2EA-40B7-901B-025F8B4E3DB3%7d" target="_blank"><img style="margin: 0px 5px 0px 0px; display: inline; border-width: 0px;" title="Compre meu livro sobre o Windows 7" src="http://img.photobucket.com/albums/v220/hot_rod2k4/livro_win7.jpg" border="0" alt="" align="left" /></a>Estou devendo este post há algum tempo. A vida anda tão corrida nesses meses que não dá tempo de se autopromover.</p>
<p>Não é novidade dizer que sou apaixonado por tecnologia. E escrever sobre o assunto chega a ser mais um hobby do que trabalho propriamente dito. Sendo assim, fui convidado ano passado a escrever um livro sobre o Windows 7. Desnecessário dizer que aceitei imediatamente e mergulhei de cabeça na elaboração dos capítulos.</p>
<p>E o resultado você pode conferir <a title="Conheça meu livro sobre o Windows 7" href="http://www.universoeditorial.com.br/ue/main.asp?loadpage=pubdetails&amp;showbannertop=no&amp;showcovers=no&amp;pubid=%7bA79E1BFB-D2EA-40B7-901B-025F8B4E3DB3%7d" target="_blank">aqui</a>. O livro ensina a utilização do mais recente sistema operacional da Microsoft e contém dicas e informações tanto básicas quanto avançadas. A ideia era criar um conteúdo que pudesse auxiliar os usuários a extrair o máximo que o Windows 7 oferece. Eu, como inquieto fuçador, gosto de compartilhar as descobertas com os outros.</p>
<p>E quero agradecer aos amigos da <a title="Visite o site da Universo Editorial" href="http://www.universoeditorial.com.br" target="_blank">Universo Editorial</a> por mais uma oportunidade de contribuir com a editora – pra quem não sabe, este é o segundo livro que publico. O <a title="Conheça meu livro sobre o Windows Vista" href="http://www.universoeditorial.com.br/ue/main.asp?loadpage=pubdetails&amp;showbannertop=no&amp;showcovers=no&amp;pubid=%7b4FC03174-EB9C-4F1B-8338-E28BBDF1C56D%7d" target="_blank">primeiro </a>foi baseado no Windows Vista.</p>
<p>Feita a propaganda, espero que os leitores comprem o livro aos milhões e garantam que eu escreva sobre o Windows 8, quando for lançado.</p>
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		<title>Uma pedra no caminho</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 12:37:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já me preparava para dormir quando ela apareceu de madrugada. A princípio ignorei-a, tentando passar despercebido. Mas já a conhecia de outra data e sabia que não seria fácil. Ela não é do tipo que desiste sem luta. Sua presença foi ficando mais forte e, antes que se tornasse insuportável, precisei de ajuda para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="margin: 0px 5px 0px 0px; display: inline; border-width: 0px;" title="Uma pedra no caminho" src="http://img.photobucket.com/albums/v220/hot_rod2k4/blog/rim.jpg" border="0" alt="" align="left" />Eu já me preparava para dormir quando ela apareceu de madrugada. A princípio ignorei-a, tentando passar despercebido. Mas já a conhecia de outra data e sabia que não seria fácil. Ela não é do tipo que desiste sem luta. Sua presença foi ficando mais forte e, antes que se tornasse insuportável, precisei de ajuda para me livrar dela.</p>
<p>Faltando dois meses para o casamento, não podia deixar que a reaparição dela estragasse tudo. Ela cruzou meu caminho uma vez há três anos, mas percebi que não me esqueceu.</p>
<p>Ela, a quem me refiro, é uma cólica renal. O leitor que conhece o drama de perto sabe que não é coisa que se ignore. Ela surge do nada, como um formigamento, e vai ficando mais forte até dar a impressão de uma mão esmagando os rins. É dor que faz o mais forte dos homens chorar feito criança. E eu estou longe de ser o mais forte dos homens.</p>
<p>Um pulo no hospital para tomar buscopam acabou com a dor. Mas na noite seguinte tive outra visita dessa amiga indesejada. Dessa vez, achei melhor procurar o médico. Após exames surge o causador do tormento: Um cálculo renal desgarrado que escapou do rim e se alojou a meio caminho da bexiga.</p>
<p>O médico me chama pra conversar. “Precisamos remover a pedra para que ela não obstrua o canal e prejudique o rim”. OK, doutor, bombardeie com ondas de choque e estamos conversados. “Infelizmente não é possível no seu caso, pois a pedra está em um local onde não podemos bombardear. Além disso, ela é grande, o que impede que seja expelida naturalmente.” OK, doutor, quais as alternativas? “Fazer uma cirurgia com uma sonda para remover a pedra e colocar um cateter entre o rim e a bexiga, permitindo que o fluxo passe normalmente.”</p>
<p>Recusei de imediato. Pedi uma semana para tentar expelir a pedra – não me agradava a ideia de algo entrando por orifícios que não foram projetados para isso. O médico riu e me desejou boa sorte. E assim passei uma das piores semanas da minha vida. Toda noite sofria com a dor e nada da pedra sair. No fim, entreguei os pontos, mandei tudo às favas e marquei a cirurgia.</p>
<p>Data da operação: 28 de junho, dia de jogo do Brasil na Copa. Como imaginei, só fui encaminhado ao centro cirúrgico após o jogo. Inacreditável ver um hospital parar por causa de futebol. Naquele dia, para meu desgosto, o Brasil ganhou. Mas a cirurgia correu bem. O procedimento foi relativamente rápido e no dia seguinte estava de alta.</p>
<p>Os dias passaram e alguns sintomas me diziam que algo estava errado. Liguei pro médico e descrevi o problema. “Provavelmente o cateter saiu do lugar e será preciso refazer a cirurgia” – disse ele. Ah, nada disso! Mal tinha saído de uma e teria que entrar em outra? Mas não teve jeito. Data da operação: 2 de julho, outro jogo do Brasil na Copa. Santa coincidência! Fiquei sozinho no quarto com a tevê ligada durante jogo. Após o primeiro gol do Brasil, perdi as esperanças, virei para o lado e cochilei. Quando acordei, o placar indicava 2 x 1 para a Holanda. Senti uma ponta de tristeza por não ter presenciado a virada. E, como da primeira vez, só após o apito final vieram me buscar para a cirurgia. Dessa vez entrei sorrindo na sala. Tive alta no dia seguinte, a tempo de celebrar meu aniversário em casa.</p>
<p>Da minha estadia no hospital ficam duas impressões: A primeira é o atendimento ímpar do pessoal do Hospital Aviccena, que tratam seus pacientes como hóspedes. Todos, do faxineiro às enfermeiras, merecem elogios. E a segunda é a total falta de consideração, organização e péssimo atendimento da SulAmérica Saúde, que nada fez a não ser atrapalhar e atrasar as cirurgias. Demoravam a enviar a liberação da cirurgia e, quando liberavam, seguravam os materiais que seriam utilizados na mesma – ora, com o que os médicos iriam operar? Apenas com as mãos?</p>
<p>Enfim, o próximo passo será o bombardeamento para ‘explodir’ o que restou da pedra e a retirada do cateter, que deve ocorrer até o final do mês. Para quem nunca teve costume de ir a um hospital, duas cirurgias na mesma semana são um feito e tanto.</p>
<p>E finalizando com um cliché, cito o <strong>Drummond</strong>:</p>
<blockquote><p>No meio do caminho tinha uma pedra<br />
tinha uma pedra no meio do caminho<br />
tinha uma pedra<br />
no meio do caminho tinha uma pedra.</p>
<p>Nunca me esquecerei desse acontecimento<br />
na vida de minhas retinas tão fatigadas.<br />
Nunca me esquecerei que no meio do caminho<br />
tinha uma pedra<br />
tinha uma pedra no meio do caminho<br />
no meio do caminho tinha uma pedra</p></blockquote>
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		<title>Vai Juventus!</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 13:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Ano de Copa do Mundo. E também de eleições. Quem criou o famoso ditado popular “desgraça pouca é bobagem” devia ter em mente anos como este. Detesto futebol. E detesto política. Ou melhor, de política até gosto, não gosto é de políticos. Mas futebol não tem jeito. Na verdade, nada tenho contra o esporte em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="margin: 0px 5px 0px 0px; display: inline; border-width: 0px;" title="Futebol" src="http://img.photobucket.com/albums/v220/hot_rod2k4/blog/soccer.jpg" border="0" alt="" align="left" />Ano de Copa do Mundo. E também de eleições. Quem criou o famoso ditado popular “desgraça pouca é bobagem” devia ter em mente anos como este. Detesto futebol. E detesto política. Ou melhor, de política até gosto, não gosto é de políticos. Mas futebol não tem jeito.</p>
<p>Na verdade, nada tenho contra o esporte em si. O problema é toda essa euforia sem sentido dos brasileiros em torno do futebol, como se cada partida de um campeonato fosse questão de vida ou morte para milhões de acéfalos – e em alguns casos, acaba sendo mesmo.</p>
<p>Ora, que é o futebol se não vinte e dois jogadores correndo noventa minutos atrás de uma bola que, em última análise, é mais inteligente do que eles? Nunca me interessei por isso, nem quando criança. E não foi por falta de incentivo. Meu pai costumava jogar, todos os domingos, em campos localizados na região do Itaim Bibi. E sempre levava a mim e a meus irmãos com ele. Hoje o nome de alguns desses campos evoca certa nostalgia, sendo que <em>Itororó</em> e <em>Clube do Mé</em> são os mais fortes em minha lembrança. Este último, por sinal, sofrera uma matreira pichação nossa – se é que podemos chamar assim alguns rabiscos de giz de cera – e seu nome pintado na parede foi rebatizado para “<em>Clube do Mélda</em>”. Coisas de moleque.</p>
<p>As lembranças que tenho daquelas manhãs de domingo não se relacionam ao futebol, mas a aventuras desbravando trilhas no mato, piqueniques, escalando morros, fugindo de cachorros e assistindo a campeonatos de <em>motocross</em> numa pista ali perto. Com o tempo, troquei aquilo por <em>Transformers</em>, <em>Thundercats</em> e <em>Superamigos</em> na tevê. Os videogames viriam muito tempo depois.</p>
<p>Mas falava de futebol. Mesmo crescendo nesse meio, meu interesse no assunto é nulo. E por isso não entendo esse sentimento exacerbado dos torcedores, que riem, choram, gritam, xingam, brigam e se desesperam a troco de nada. Fora as filas quilométricas para comprar ingressos – alguns faltam ao trabalho ou pedem demissão para assistir a um jogo. A mídia, cúmplice dessa patacoada, tira proveito e enaltece esse comportamento, passando a sensação de que o jogo é mais importante do que qualquer coisa na vida. Empregassem os imbecis toda essa energia em algo útil, estaríamos entre as grandes potências do planeta.</p>
<p>E acho que é daí que vem meu desgosto pelo futebol. Esse esporte se tornou uma poderosa barreira contra nossa evolução. Eu poderia nutrir maior interesse ou até ir a estádios se o futebol fosse encarado como aquilo que realmente é: apenas um jogo. Para mim, essa história de paixão por times é pura falta de cultura de quem não tem capacidade de se apaixonar por assuntos mais nobres. Nas Copas do Mundo, sempre torço contra o Brasil, para que perca logo e impeça o agito de bandeiras e sopro de cornetas o quanto antes.</p>
<p>Outro problema que o futebol cria para mim é a falta de assunto. Ao almoçar com colegas de trabalho, é fácil falar de tecnologia, filmes, livros, viagens, etc. Mas quando caem no futebol, só resta me calar. Sequer sei a diferença de um zagueiro para um meio-de-campo, então não consigo manter conversa. Mas para isso encontrei a solução. Tenho prestado atenção nas conversas alheias sobre o tema, e acabo decorando uma ou outra frase de impacto que denote forte opinião sobre o assunto. Pronto, basta encaixar essas frases no momento certo e obtenho uma conversa animada. Eu não faço a mínima ideia do que estou falando, mas acredito que meus interlocutores também não.</p>
<p>Dia desses, entretanto, acordei diferente. Não sei bem por que razão, decidi que eu precisava de um time para torcer. Mas não queria nenhum desses grandes nomes. Então lembrei que meu bairro tem seu próprio time – o Juventus – e até um estádio homônimo. Fui atrás de maiores informações e descobri que o time é péssimo, não ganha jogo algum e vive nas divisões mais baixas. Ora, pensei, é esse mesmo! Se quiser torcer pra algum time, ainda que por brincadeira, que seja um time ruim, sem destaque e que não cause decepções, uma vez que a expectativa é a de derrota. Decepcionado ficarei se ele passar a ganhar os jogos. Aí serei obrigado a abandoná-lo.</p>
<p>Hoje, se me perguntam para qual time eu torço, respondo com um grande sorriso: Juventus! As pessoas me olham de lado, curiosas, como se eu tivesse dito que acabei de chegar de Marte. O que me deixa a sensação de que estou no caminho certo.</p>
<p>Vai Juventus!</p>
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		<title>O Pequeno Pardal</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 19:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
		<category><![CDATA[sugestões]]></category>

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		<description><![CDATA[De vez em quando, nas manhãs de sábado, gosto de levantar cedo e caminhar pelas ruas do bairro. Nenhum trajeto especial – deixo as pernas escolherem o destino. Numa dessas incursões, meses atrás, parei para fuçar alguns DVDs em promoção. Na gôndola, em meio a diversos títulos, vi o filme Piaf – Um Hino Ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De vez em quando, nas manhãs de sábado, gosto de levantar cedo e caminhar pelas ruas do bairro. Nenhum trajeto especial – deixo as pernas escolherem o destino. Numa dessas incursões, meses atrás, parei para fuçar alguns DVDs em promoção. Na gôndola, em meio a diversos títulos, vi o filme <a title="Piaf – Um Hino Ao Amor" href="http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=16914" target="_blank"><strong>Piaf – Um Hino Ao Amor</strong></a> (<em>La Môme &#8211; 2007</em>) dando sopa. Como aprecio as músicas de <strong>Edith Piaf</strong> e já tinha ouvido falar bem dessa cinebiografia, não pensei duas vezes e arrematei-a.</p>
<p>Em seguida, parei para um café. Entre mordidas no pão de queijo, peguei o filme para ler a sinopse. Na hora de pagar a conta, o dono do café puxa conversa: &#8220;Notei que você está com o filme da Edith Piaf. É muito bom, minha esposa e eu adoramos. Você fez uma ótima compra&#8221;. Saí de lá duplamente feliz. Primeiro, pela certeza de ter comprado um bom filme e, segundo, pela boa conversa com o dono do café, de cultura admirável.</p>
<p>Mas por pura falta de tempo, o DVD acabou esquecido e empoeirado na prateleira, junto a outros filmes – alguns ainda lacrados – que comprei e esperam na fila para serem vistos. Pois bem, neste fim de semana consegui um tempinho e resolvi dar uma chance à <em>La Môme Piaf</em> (Pequeno Pardal).</p>
<p>Talvez o termo para descrever o filme deva ser usado no próprio idioma de Piaf: <em>Ces&#8217;t magnifique</em>! Conhecia pouco da vida da famosa cantora francesa e o que eu esperava era uma boa biografia musical e uma excelente atuação de <strong>Marion Cotillard</strong>, muito elogiada (e premiada) pela crítica internacional. Mas nem eu nem minha noiva estávamos preparados para uma tragédia. Acho que a vida de Edith Piaf pode ser definida assim: trágica. Trágica e ao mesmo tempo gloriosa. A impressão que se tem ao final do filme é que Piaf não conheceu a felicidade. Mesmo indo da pobreza à fama e fortuna, poucos momentos de sua vida parecem ter sido realmente felizes.</p>
<p>O filme possui uma sequencia cronológica linear que é permeada por flashbacks (e flashforwards), a fim de não perder tempo explicando demais certos detalhes. A fórmula funciona bem, mas em certos momentos a falta de explicação é um problema, como na cena do encontro com a cantora <strong>Marlene Dietrich</strong>, que me fez buscar mais detalhes na internet para entender.</p>
<p>A fotografia é soberba e a reconstituição da Paris dos anos 20/30/40 é impecável. Tão impecável que, juntamente com a atuação de Marion Cotillard (de levar às lágrimas), fica a impressão de que você não está vendo um filme, e sim uma janela para o passado em que presencia os fatos na vida de Edith tal como eles foram.</p>
<p>Enfim, fica a dica para quem está procurando um ótimo filme em que possa &#8216;entrar&#8217; na história e se perder na vida de uma das maiores cantoras francesas de todos os tempos. Siga o conselho do dono do café sem medo: É uma ótima aquisição.</p>
<p>Abaixo, o trailer:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/T-LzEPS7ji4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/T-LzEPS7ji4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Only The Good Die Young</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 12:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Eram 01h25 quando o telefone tocou naquela segunda-feira, 7 de dezembro de 2009. Impossível ligação nesse horário trazer boas notícias. De fato, não trouxe. Era minha noiva: – Oi&#8230; Tudo bem? – perguntei. – Não&#8230; – ela respondeu. – Adivinha? – A Talita? – É&#8230; Então, apesar de tudo, de todos os esforços, de toda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Talita Kormann" src="http://img.photobucket.com/albums/v220/hot_rod2k4/blog/talita_blog.jpg" /></p>
<p>Eram 01h25 quando o telefone tocou naquela segunda-feira, 7 de dezembro de 2009. Impossível ligação nesse horário trazer boas notícias. De fato, não trouxe. Era minha noiva:</p>
<p>– Oi&#8230; Tudo bem? – perguntei.    <br />– Não&#8230; – ela respondeu. – Adivinha?     <br />– A Talita?     <br />– É&#8230;</p>
<p>Então, apesar de tudo, de todos os esforços, de toda a luta, ela havia partido. Deixara-nos às 00h30. O que aconteceu a partir daí foi uma mescla de confusão, dor, tristeza e – por mais difícil que seja admitir – alívio, também. Ao menos o sofrimento terminara.</p>
<p>Desliguei o telefone e minha mente recuou no tempo. Quando a conheci? Quantas vezes a vi? Percebi, surpreso, que a conhecia muito pouco. No final de 2008 um grande amigo a apresentou como sua namorada. Apesar do pouco tempo de convivência, minha noiva e eu a considerávamos como amiga de infância. Certas pessoas simplesmente se conectam tão naturalmente às nossas vidas que dão a impressão de que sempre estiveram ali.</p>
<p>Lembro que, dias depois de nos conhecermos, ela descobriu este blog e mandou um recado: “Adorei teu blog! Acabou de ganhar uma leitora”. Ela era assim, sempre encontrando uma forma de agradar. Minha noiva teve mais contato com ela e se apaixonara pelo seu jeito simples e divertido – ambas tinham muito em comum.</p>
<p>Nesse ano que passou, ela e o namorado compraram apartamento e programaram o casamento. Os dois se completavam e, pra curtir esse momento, marcaram um cruzeiro para o início de 2010. E aí terminavam as informações que eu tinha sobre eles.</p>
<p>Então, em 26 de novembro recebi a notícia de que a Talita não estava bem. Ela havia se submetido a uma cirurgia de lipoaspiração na noite anterior e algo saiu errado – decidira fazer a lipo justamente para o cruzeiro. Depois, soubemos que tudo não passara de susto. Porém, à noite veio outra notícia preocupante: Ela fora removida para a UTI do Hospital das Clínicas.</p>
<p>As notícias vinham confusas – o estado era grave, depois não tão grave; ela piorava, depois melhorava. A confirmação do que ocorreu de fato começou a aparecer e soubemos que ela estava com os dois pulmões perfurados. Voamos para o hospital a fim de oferecer apoio à família – é pouca coisa, mas era o que podíamos fazer. Naquela tarde ela passou por uma cirurgia de emergência. Soubemos, então, que além dos pulmões, o esôfago também fora perfurado e acabou necrosando, sendo removido na cirurgia.</p>
<p>Difícil observar a família recebendo tal notícia. Como consolar alguém que transparece desespero no olhar? Como dizer que tudo vai ficar bem? Não existe fórmula mágica para isso. Nesses momentos, o que se pode fazer é manter a calma e transmitir a fé para se passar por tudo aquilo. Até os médicos do HC pareciam incertos sobre a recuperação.</p>
<p>Sobre o cirurgião plástico que fez a lipo, <a title="Digite o número do CNS no site para acessar as informações" href="http://cnes.datasus.gov.br/Lista_Prof_Nome_Sus.asp" target="_blank">Ivan Bertanha</a> (CNS: 108250207910006), pretendo não comentar nada. Conheci-o pessoalmente, obtive informações nada agradáveis a seu respeito e, por isso, minha opinião ficará para, quem sabe, outro post.</p>
<p>Não houve ninguém, entre amigos e familiares, que aprovasse a cirurgia. E não foram poucas as tentativas de fazê-la desistir da ideia. Soube, inclusive, que um dia antes ela titubeou, ficou com medo, mas, no fim, decidiu seguir em frente. Talvez essa seja a parte mais amarga. Saber que um simples ‘não’ poderia ter mudado o curso dos acontecimentos.</p>
<p>Ó vaidade, quantas vítimas serão necessárias para saciar tua fome?</p>
<p>Ela seguiu internada e as notícias não eram boas. As sequelas e possíveis consequências decorrentes das cirurgias não davam muita margem para esperança. Mesmo assim ela lutou e agarrou-se à vida. Mas as complicações foram se agravando – sanava-se uma coisa e descobria-se outra. E, assim, após onze dias, ela nos deixou.</p>
<p>A dor e a revolta da família são mais do que compreensíveis. Num dia, temos a pessoa do nosso lado, rindo, conversando, planejando&#8230; No outro dia, o vazio. Confesso que sinto mais por aqueles que ficam do que pelos que partem. Se servir de consolo, pelo menos quem está sofrendo somos nós e não nossos amados, que descansam.</p>
<p>Mas esse era o desejo dela. Foi decisão que levou até o fim. Sabia dos riscos e ninguém a fez desistir. Além disso, recebeu o melhor tratamento médico possível, o que deve nos deixar a sensação de que fizeram tudo o que podia ser feito.</p>
<p>Mais tempo, menos tempo, todos partiremos. Eu deixarei de escrever aqui um dia. No fim, não importa a maneira como deixamos este mundo e sim a forma como seremos recebidos no outro. Uns fenecem por doença, outros em acidentes, outros em guerras, outros por causas naturais, outros de fome&#8230; Há um ditado que diz: “<i>Ao morrer, o animal deixa sua pele; o homem, o seu nome</i>”. O que deixamos para trás é parte da nossa imortalidade, é a lembrança da nossa passagem por aqui, da nossa índole, do caráter e das obras que realizamos. Sendo assim, no caso da Talita podemos considerar seu rumo à imortalidade como missão cumprida.</p>
<p>O leitor pode considerar este texto um exagero, uma ode a alguém vítima de fatalidade. De fato não há resposta para isso além do fato de que quem a conheceu compreende minhas palavras. Gostaria de, quando partir, deixar a mesma impressão que ela deixou.</p>
<p>À família, aos amigos e conhecidos, que palavras podem aliviar a dor? Nenhuma. Quando a ordem natural das coisas é alterada e os pais enterram seus filhos, só podemos orar para que o fardo, com o tempo, se torne mais leve. E para aqueles que cogitam se submeter a cirurgias semelhantes, fica a lição para repensarem suas decisões. Vaidade alguma vale a sua vida. Vaidade alguma vale o sofrimento daqueles que amamos.</p>
<p>A seguir, incluo alguns links de reportagens sobre o caso, que foram ao ar à época dos acontecimentos. Quem puder repassar este texto, tem minha gratidão. E logo abaixo, o clipe <i>No-One But You</i>, do Queen, que dedico à memória da Talita.</p>
<ul>
<li><a title="Veja a reportagem na Band" href="http://videos.band.com.br/v_43490_mulher_morre_apos_passar_por_lipoaspiracao_em_sao_paulo.htm" target="_blank">Band</a> </li>
<li><a title="Veja a reportagem no Terra" href="http://terratv.terra.com.br/Noticias/Brasil/4194-257300/Jovem-de-26-anos-morre-apos-fazer-lipo-em-SP.htm" target="_blank">TerraTV</a> </li>
<li><a title="Veja a reportagem no UOL" href="http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u663263.shtml" target="_blank">UOL</a> </li>
<li><a title="Veja a reportagem na Record" href="http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/jovem-morre-apos-lipoaspiracao-em-hospital-da-zona-sul-de-sp-20091207.html" target="_blank">R7</a> </li>
</ul>
<p> <object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LnDATYt_w0Q&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param> <embed src="http://www.youtube.com/v/LnDATYt_w0Q&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
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		<title>Sobre Honduras e moral</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 20:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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		<description><![CDATA[Estou me divertindo com a confusão que se estabeleceu em Honduras. Quer dizer, não que eu esteja feliz com a situação dos hondurenhos, que vão acabar pagando o pato por ações irresponsáveis de uma meia-dúzia de imbecis. Mas estou gostando de ver como Honduras tem se mantido firme em sua defesa da Constituição, ao mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou me divertindo com a confusão que se estabeleceu em Honduras. Quer dizer, não que eu esteja feliz com a situação dos hondurenhos, que vão acabar pagando o pato por ações irresponsáveis de uma meia-dúzia de imbecis. Mas estou gostando de ver como Honduras tem se mantido firme em sua defesa da Constituição, ao mesmo tempo em que muitos paspalhos acusam-na de desrespeitar a Constituição.</p>
<p>Você já deve conhecer o imbróglio: A ratazana <strong>Manuel Zelaya</strong>, ex-presidente de Honduras, foi deposta do cargo por desrespeitar a Constituição do país ao querer forçar um plebiscito para sua própria reeleição. Como reeleições não estão previstas na Constituição, Zelaya simplesmente ignorou tudo e tentou fazer as coisas à força. Deu no que deu: Foi destituído do cargo e expulso do país. Se voltasse, seria preso. Voltou. Mas está escondido na embaixada brasileira, o que é ilegal. O governo de Honduras exige que o país defina o status de Zelaya, porque, se ele for considerado exilado, terá que voltar ao Brasil. Se não for, será preso em Honduras. Ou seja, o Brasil está com uma batata quente, gorda e bigoduda nas mãos. E se recusa a admitir isso.</p>
<p>A nossa ratazana daqui, que atende pelo nome de <strong>Lula da Silva</strong>, disse que não aceitará imposições de um governo &quot;golpista&quot;. Mas na verdade quem queria dar o golpe era o Zelaya (ou Zé Laia, como o andam chamando). Sem mencionar que, quando o assunto é o Irã ou países do Oriente Médio que servem de ninhos para terroristas, o mesmo Lula disse que nação alguma tem o direito de se meter em assuntos internos de outros países. Sei, sei&#8230;</p>
<p>O mais divertido mesmo é ver o Brasil fazendo papel de palhaço nessa história. Está abrigando um cretino em sua embaixada de Honduras. Chama de &quot;golpista&quot; um governo que não invadiu a embaixada e procura meios legais de tirar Zelaya de lá. Um desses meios pode ser a revogação do status da embaixada, que, a partir do momento que for considerada &quot;ex-embaixada&quot;, as coisas podem não acabar muito bem.</p>
<p>Zelaya disse que está sendo torturado por (pasmem!) agentes secretos israelenses que disparam ondas de radiação. Parem pra pensar só um pouquinho&#8230; Isso está mais para um roteiro de <a title="Monty Python" href="http://www.bing.com/search?q=Monty+Python&amp;FORM=SSRE" target="_blank">Monty Python</a><u></u> do que para história real. Não tem jeito, onde quer que o Brasil se meta, tudo vira palhaçada. Tudo acaba em samba mesmo!</p>
<p>Quem tem acompanhado as crônicas do <strong><a title="Visite o blog do Azevedo" href="http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/" target="_blank">Reinaldo Azevedo</a></strong> tem se divertido, também. Azevedo foi o primeiro (ou um dos primeiros) a alertar que foi Zelaya quem desrespeitou a Constituição hondurenha, e não o contrário. Como de praxe, caíram matando em cima dele. Agora que a grande mídia se deu o trabalho de ler a tal Constituição, fica fazendo rodeios para não admitir o erro.</p>
<p>Não acredito que essa situação em Honduras acabe mal. Ou que haja grandes prejuízos para o país. Imagino que cedo ou tarde Zelaya será preso e Lula, mais uma vez, desmoralizado. Mas que é &#8216;moral&#8217; para a esquerda, senão uma simples palavrinha que se evoca vez ou outra contra seus adversários?</p>
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		<title>Os bovinos fumantes</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 14:35:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
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		<description><![CDATA[Muito já se falou e se escreveu sobre a nova Lei Antifumo sancionada pelo governador José Serra, que passa a vigorar a partir de 1º de agosto deste ano, mas resolvi deixar aqui minha opinião também. Detesto cigarro. Não suporto o cheiro da fumaça e detesto que fumem perto de mim. Entretanto, jamais me ocorreu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito já se falou e se escreveu sobre a nova <a title="Conhe&ccedil;a os detalhes da lei" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u561166.shtml" target="_blank">Lei Antifumo</a> sancionada pelo governador <strong>José Serra</strong>, que passa a vigorar a partir de 1º de agosto deste ano, mas resolvi deixar aqui minha opinião também.</p>
<p>Detesto cigarro. Não suporto o cheiro da fumaça e detesto que fumem perto de mim. Entretanto, jamais me ocorreu tratar os fumantes como criminosos ou seres alienígenas. Tenho amigos que fumam e não fico lhes passando sermão sobre saúde, câncer de pulmão ou coisa semelhante. Que o cigarro incomoda, não há dúvida. Mas daí a cortar relações com a pessoa ou proibi-la de fumar perto de mim é outra história. Há maneiras educadas e civilizadas de se tocar no assunto e chegar a uma solução.</p>
<p>O escritor e jornalista <strong>Janer Cristaldo</strong> também publicou um <a title="Leia a cr&ocirc;nica do Cristaldo" href="http://cristaldo.blogspot.com/2009/05/serra-mostra-os-dentes-entrou-ontem-em.html" target="_blank">ótimo texto</a> em seu blog sobre o assunto, que reflete grande parte do que eu penso a respeito dessa lei inconstitucional. Sem falar que a lei atinge diretamente os estabelecimentos comerciais e não os fumantes propriamente ditos. Que raio de lei é essa que pune uns pelo delito de outros?</p>
<p>Para não me estender muito, gostaria de saber se essa férrea disposição para erradicar o cigarro da face da Terra também se aplica ao combate às drogas.</p>
<p>Afinal, é muito fácil gritar e esbravejar com pessoas de bem, cidadãos comuns e pagadores de impostos cujo vício é colocar um cigarro na boca. Transformar pessoas inocentes em criminosos da noite para o dia por meio de lei imbecil e posar de grande herói que combate o mal do tabaco em prol da saúde pública é, além de demagógico, fácil demais. O cidadão de bem não vai se revoltar, não fechará ruas e queimará pneus, não invadirá prédios ou repartições públicas nem promoverá revoluções pelo direito de fumar. Ele vai, bovinamente, aceitar a lei e restringir o fumo à sua residência, enquanto isso ainda lhe é permitido.</p>
<p>Gostaria de ver José Serra falando grosso dessa forma contra traficantes e usuários de drogas (da maconha ao crack). Teria ele <em>cojones</em> para declarar realmente guerra ao tráfico e colocar seus &#8216;fiscais&#8217; pra subir morros e favelas, ir dos bairros mais pobres aos mais luxuosos atrás do mínimo sinal de consumo de drogas? Teria José Serra a coragem de se colocar veementemente contra a liberação da maconha?</p>
<p>Claro que não. Para o crime (ou parceiros), as vistas grossas do governo. Melhor bater em quem não reage.</p>
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		<title>A l&#243;gica de Lob&#227;o</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 17:38:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio no Estadão: O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje, na Refinaria do Planalto (Replan), em Paulínia (SP), que é dever do País preservar a Petrobras e evitar críticas e acusações. &#8220;A Petrobras é um orgulho nacional&#8221;, afirmou. &#8220;É dever, portanto, preservar uma empresa nacional deste porte, desta magnitude, desta envergadura, para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leio no <a title="Veja a mat&eacute;ria completa" href="http://www.estadao.com.br/noticias/economia,ministro-lobao-condena-criticas-a-petrobras,369618,0.htm" target="_blank">Estadão</a>:<br />
<blockquote>
<p>O ministro de Minas e Energia, <strong>Edison Lobão</strong>, disse hoje, na Refinaria do Planalto (Replan), em Paulínia (SP), que é dever do País preservar a Petrobras e evitar críticas e acusações. &#8220;A Petrobras é um orgulho nacional&#8221;, afirmou. &#8220;É dever, portanto, preservar uma empresa nacional deste porte, desta magnitude, desta envergadura, para que ela sirva sempre aos melhores interesses nacionais. E não prejudicá-la, desgastando-a, criticando-a, acusando-a muitas vezes daquilo que ela não tem culpa. Isto não serve ao País, não serve a ela, não serve a nenhum dos senhores&#8221;, disse o ministro. &#8220;Este é um País que sabe por onde vai. Basta que seus governantes não o atrapalhem. E ele cuidará de si mesmo, quase que sozinho.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>Seguindo o raciocínio do ministro, a Petrobras está acima de qualquer crítica só porque é uma empresa brasileira. E, por isso, deve ter sua imagem preservada. Ora, que tem a ver a nacionalidade de uma empresa com a idoneidade de seus negócios?
<p>Aliás, a Petrobras deve ser criticada sim, não por ser brasileira, mas por ser uma estatal. Que &#8216;orgulho&#8217; pode nos trazer uma empresa dessas se nada, absolutamente nada do que ela produz é revertido em benefícios para os brasileiros? A menos que você considere benefício o patrocínio de péssimos filmes, peças de teatro e eventos dito &#8216;culturais&#8217; – que nada mais são do que pretexto para jogar dinheiro público no lixo (ou encher os bolsos de cineastas que não estão nem aí se o filme fizer sucesso ou não).
<p>Fora isso, sendo a Petrobras nacional, o preço da gasolina nos postos BR deveria ser mais barato. Mas não é. E mais, no mundo inteiro houve uma queda de preços significativa do barril do petróleo, que se reverteu em redução de preços do litro da gasolina. Que fez a Petrobras? Lançou um comunicado dizendo que não iria reduzir preços por que esta é uma decisão política da empresa.
<p>Que orgulho, então, pergunto ao ministro Lobão, deve o brasileiro sentir deste que é o maior e mais inchado cabide de empregos do Brasil? Que a Petrobras tenha lá seus méritos, concordo. Mas isso é motivo para isentá-la de críticas? Só na cabeça de quem possui uma lógica torpe.
<p>Mas concordo com o ministro quando diz que o país cuidaria de si mesmo quase que sozinho, bastando que seus governantes não atrapalhem. Sendo assim, peço então a Lobão que desde já tome a iniciativa dessa declaração e saia de cena o mais rápido possível.</p>
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		<title>Ecologicamente t&#243;xicos</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 17:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
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		<description><![CDATA[Divirto-me ao ler sobre o empenho de empresas para se mostrar ecologicamente responsáveis. Agora todos querem fazer deste planeta um lugar melhor. Muitos setores da indústria já possuem suas chamadas &#8216;linhas verdes&#8217; de produtos. Até internet entrou na roda, com o debate de que sites com fundo preto gastam menos energia do monitor – e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Divirto-me ao ler sobre o empenho de empresas para se mostrar ecologicamente responsáveis. Agora todos querem fazer deste planeta um lugar melhor. Muitos setores da indústria já possuem suas chamadas &#8216;linhas verdes&#8217; de produtos. Até internet entrou na roda, com o debate de que sites com fundo preto gastam menos energia do monitor – e há os que defendem o contrário, que sites brancos são menos poluentes.</p>
<p>Há uns dez anos, para uma empresa ser &#8216;moderna&#8217;, não podia vender produtos, tinha que &#8220;fornecer soluções e se comprometer com resultados dos clientes&#8221;. Hoje isso é o mínimo que se espera. Agora o mote mudou, empresa moderna cuida do meio-ambiente. Ora, isso também é o mínimo, e não diferencial.</p>
<p>Não ironizo a redução de poluição, reciclagem e coleta seletiva. São ações importantes. A ironia está em ver que isso é apenas moda. Alguém disse que consumidores compram mais de empresas engajadas com o meio-ambiente e agora um quer ser mais ecológico que o outro. Isso é coisa de eco-chatos esquerdistas que vivem falando em causas ambientais, mas sem resultados. É como abraçar árvore. Ninguém está nem aí para a derrubada de árvores, então faz-se uma ação onde pessoas dão as mãos e &#8216;abraçam&#8217; uma árvore. Pronto, a natureza está salva.</p>
<p>Isso me remete a meados de 2005, época em que a agência onde trabalhei atendia uma indústria química de Piracicaba. Visitei o lugar algumas vezes. Quem andasse pelas instalações não imaginaria que ali se produzia resinas. Entre os galpões e tonéis, ruelas de pedra arborizadas davam num jardim com quiosque e churrasqueira. Parecia um sítio. Acima ficava o reservatório de água, com muros forrados de vegetação e uma criação de carpas. Para quem não sabe, carpa demanda água cristalina e cuidados especiais para sobreviver. Aquelas carpas habitando a água tratada da fábrica provavam o cuidado com o meio-ambiente.</p>
<p>Conversando com o diretor comercial, sugeri ressaltar essas preocupações ambientais com clientes e imprensa. Sorrindo, me respondeu: &#8220;Bem, Emílio&#8230; Apesar do verde e água limpa, eu não usaria isso como diferencial. Há alguns meses houve um vazamento e os resíduos contaminaram água e solo de uma favela lá embaixo no vale. Tivemos problemas sérios com a prefeitura e ficamos com a pecha de empresa malvada que despeja lixo tóxico nos pobres&#8221;. Tragicômico. Com tantos lugares para o vazamento escoar, foi logo para a favela.</p>
<p>Não basta querer ser ou se auto-proclamar ecologicamente responsável. O menor descuido destrói essa imagem.</p>
<p>Outro exemplo clássico é o do ex-vice-presidente americano <strong>Al Gore</strong> e seu demagogo evento <em>Live Earth</em>, que reuniu, em 2007, artistas de todo o mundo contra o aquecimento global e desperdício de energia, sendo que o próprio Gore <a title="Uma verdade inconveniente" href="http://pt.wikinews.org/wiki/Al_Gore_gasta_mais_energia_num_m%C3%AAs_do_que_um_americano_m%C3%A9dio_num_ano" target="_blank">gasta mais energia</a> em um mês na sua casa do que um americano médio em um ano.</p>
<p>Tenho visto gente comemorar o surgimento do <a title="Conhe&ccedil;a o Kindle" href="http://www.amazon.com/Kindle-Amazons-Wireless-Reading-Device/dp/B000FI73MA" target="_blank">Kindle</a>, o leitor de e-books da Amazon. É sem dúvida um produto revolucionário – você armazena centenas de livros digitais em um único aparelho. Mas esses que celebram o Kindle mandam uma mensagem aos jornais convencionais: &#8220;Parem de derrubar árvores!&#8221;. Alto lá! Apesar dos leitores de e-books substituírem livros e jornais de papel, não podemos ignorar que o produto é feito de plástico, possui tela LCD e usa bateria – para ler as notícias do dia, você estará gastando energia. Não que o Kindle seja um agente poluente, mas há de se pesar os prós e contras. Árvores podem ser replantadas.</p>
<p>E mais uma vez volto àquele diretor da indústria química. Na mesma conversa, insisti que poderiam fazer parceria com algum instituto de proteção ambiental. E ele: &#8220;Veja bem, Emílio. Nós não fabricamos móveis, não vendemos frutas, não produzimos tecidos. Somos uma indústria química que produz plástico, produto que leva mais de 100 anos para começar a se decompor. O plástico sempre será visto como o pior vilão contra a natureza. Nenhum instituto ambiental se interessaria em nos ter como parceiros, pois nosso trabalho implica em poluir mais ou poluir menos, mas sempre poluir. É bem provável que estejamos, neste exato momento, contribuindo para o fim do mundo. Mas o planeta inteiro depende de plástico e, até que alguém invente uma alternativa viável, não há nada que nós ou nossos concorrentes possamos fazer&#8221;.</p>
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		<title>Quem decide o que &#233; melhor para seus filhos?</title>
		<link>http://www.emiliocalil.com/blog/cronicas/o-melhor-para-seus-filhos?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=o-melhor-para-seus-filhos</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 17:42:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[O Ministério Público Federal torna a tema antigo, já discutido anteriormente e que se acreditava resolvido: A presença de brinquedos vinculados a lanches de redes fast food como McDonald&#8217;s e Burger King. É o que nos diz a notícia do G1: MPF quer suspensão da venda de brinquedos em redes de fast food A princípio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério Público Federal torna a tema antigo, já discutido anteriormente e que se acreditava resolvido: A presença de brinquedos vinculados a lanches de redes <em>fast food</em> como McDonald&#8217;s e Burger King. É o que nos diz a notícia do G1: <a title="Leia a not&iacute;cia" href="http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1025953-5605,00-MPF%20QUER%20SUSPENSAO%20DA%20VENDA%20DE%20BRINQUEDOS%20EM%20REDES%20DE%20FAST%20FOOD.html" target="_blank">MPF quer suspensão da venda de brinquedos em redes de fast food</a></p>
<p>A princípio, você pode considerar um ato nobre, de preocupação do Governo com a saúde dos infantes. Mas para quem sabe ler nas entrelinhas, a mensagem é clara: &#8220;Atenção pais, vocês não sabem o que é melhor para seus filhos, então o Governo está assumindo essa função e tomará as decisões por vocês&#8221;.</p>
<p>Ora, que me desculpe o procurador da República <strong>Marcio Schusterschitz</strong>, autor dessa recomendação, mas acredito que ele nunca tenha dado uma volta na praça de alimentação de um shopping. O que mais se vê nas filas dos McDonald&#8217;s da vida durante a semana são adolescentes e adultos. Às crianças são reservados os finais se semana, geralmente quando a família inteira resolve fazer o &#8216;pacote completo&#8217; (almoço + compras + cinema). Ainda assim, nem todas as famílias almoçam em <em>fast food</em>. Que os brinquedos atrelados aos lanches são chamariz, concordo. Mas desconheço família que permita que seus filhos comam todo dia nessas lanchonetes só para ganhar&nbsp; brinquedo.</p>
<p>O que mais vejo em minhas andanças por shoppings – e de shopping eu entendo um pouquinho – são crianças comendo no mesmo lugar que seus pais escolhem para comer. Vejo muitos protótipos de gente – que ainda nem sabem segurar talheres direito – comendo arroz, bife, macarrão, comida chinesa, peixe, etc. E, é claro, nos <em>fast foods</em> também. </p>
<p>Uma amiga minha faz de tudo para manter seu filho de 2 anos longe de refrigerantes e lanches o máximo que puder. Só suco e comida saudável. E eu não apenas concordo como apóio a decisão! Mas ela sabe que vai chegar a hora inevitável em que ele se encontrará com um <em>Big Mac</em>. Nessa hora, entretanto, ele já terá discernimento o suficiente para saber que os lanches estão longe de ser refeição saudável. Mas vez ou outra, não faz mal. Eu mesmo costumo comer no McDonald&#8217;s apenas uma vez por mês. Às vezes nem isso.</p>
<p>Assim, o Ministério Público presume que os pais são criaturas desprovidas de inteligência e cuidado com os próprios filhos (OK, alguns até são mesmo, mas é minoria) e simplesmente resolve arrancar-lhes das mãos o direito de decidir o que a criançada pode ou não pode comer. Tudo isso para camuflar um ódio velado a multinacionais norte-americanas, que costumam ser associadas ao dito &#8216;capitalismo selvagem&#8217;.</p>
<p>Aonde houver ações de marketing bem sucedidas lá estará o Estado exercendo seu totalitarismo, sob pretexto de proteger a pobre população de propagandas irrecusáveis. Claro, investigar como os sujeitos lá da Praça da Sé conseguem vender um lanche de churrasco grego (junto com suco) por R$ 1, ninguém quer. Afinal, trata-se da classe &#8220;pobre e trabalhadora&#8221; tentando ganhar a vida. Para esses, as vistas grossas do governo.</p>
<p>O que o Ministério Público parece desconsiderar é que existe a maior arma contra propagandas e técnicas de marketing que buscam roubar a alma de nossas indefesas criancinhas: A capacidade dos pais de dizer &#8216;não&#8217;.</p>
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		<title>Comendo números</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 13:25:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Gastronomia]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
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		<description><![CDATA[Nesta sou obrigado a concordar com o Cristaldo. Entra ano, sai ano e bebidas e alimentos mudam seu status de &#8216;saudável&#8217; para &#8216;prejudicial&#8217; da noite pro dia. Até um tempo atrás, ovo era um veneno repleto de colesterol. Depois, descobriram que o colesterol do ovo é bom para a saúde e pronto, todo mundo tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta sou <a title="Leia a cr&ocirc;nica do Cristaldo" href="http://cristaldo.blogspot.com/2009/02/paradoxo-do-perigord-e-outros-paradoxos.html" target="_blank">obrigado a concordar</a> com o <strong>Cristaldo</strong>. Entra ano, sai ano e bebidas e alimentos mudam seu status de &#8216;saudável&#8217; para &#8216;prejudicial&#8217; da noite pro dia. Até um tempo atrás, ovo era um veneno repleto de colesterol. Depois, descobriram que o colesterol do ovo é bom para a saúde e pronto, todo mundo tem que comer ovo.</p>
<p>Agora a vítima da vez é o vinho. De saudável e benéfico para o coração, tornou-se &#8220;altamente cancerígeno&#8221;, segundo pesquisa francesa. É preciso ter muita paciência para aturar os resultados estúpidos de pesquisadores imbecis. Resultados esses que amanhã já terão mudado, por sinal. Aliás, outra coisa que me incomoda: Até hoje nunca soube de ninguém que teve problemas de saúde por beber coca-cola, e olha que desde pequeno ouço dizer que isso é um &#8220;veneno&#8221;.</p>
<p>Que devemos ter alimentação saudável, concordo. Mas como manter essa alimentação baseados nessas pesquisas? Ora um determinado alimento faz bem, ora faz mal. Se formos seguir o que dizem todos os médicos e nutricionistas (que por sinal nunca estão de acordo entre si), é provável que acabemos mais fracos e doentes do que quem se entope de gordura o dia inteiro.</p>
<p>Eu, particularmente, me recuso a comer acompanhado de uma tabelinha nutricional, contando as exatas calorias de cada alimento que coloco no prato: &#8220;Puxa, tenho que consumir 0,12 Kcal deste único tomate, então de acordo com a tabela, preciso deixar o palmito de lado&#8221;. Ora, isso não é comer, é viver em paranóia com números!</p>
<p>Comer, para mim, é um dos maiores prazeres que vida oferece. Não digo aquele almoço corrido do trabalho, em que se engole qualquer coisa em poucos minutos, mas uma refeição demorada, onde saboreamos o prato que nos apetece com calma, regado a bom vinho e sempre em cumplicidade com alguém que gostamos. Comer é quase um ritual, e não apenas uma forma de saciar a fome e repor as energias.</p>
<p>Que todos esses pesquisadores, médicos e nutricionistas me desculpem, mas cada vez que emitem uma opinião sobre o que se deve ou não comer, minha confiança na ciência despenca vertiginosamente. Se eles &#8211; por algum motivo -são contra bebidas alcoólicas, frituras, carnes, massas, molhos, temperos ou refrigerantes, que não os consumam. Mas não venham querer privar o resto da humanidade de tudo isso, sendo que a própria realidade depõe contra essas pesquisas.</p>
<p>Se no fim vamos todos morrer, eu pretendo partir deste mundo feliz e com a certeza de estar gastronomicamente satisfeito.</p>
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		<title>Queijo su&#237;&#231;o</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 18:10:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma das coisas mais cretinas que tenho presenciado nos últimos dias é o samba do afro-descendente doido em relação ao caso da advogada que diz ter sido atacada por neo-nazistas na Suíça. Nossa imprensa, assim como nossos governantes, conseguiram nos envergonhar ainda mais lá fora, tecendo opiniões imbecis e gritando palavras de ordem contra a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas mais cretinas que tenho presenciado nos últimos dias é o samba do afro-descendente doido em relação ao caso da advogada que diz ter sido atacada por neo-nazistas na Suíça.</p>
<p>Nossa imprensa, assim como nossos governantes, conseguiram nos envergonhar ainda mais lá fora, tecendo opiniões imbecis e gritando palavras de ordem contra a Suíça, ameaçando denunciar o país à ONU, falando em xenofobia, etc. e tal. A notícia de que a advogada Paula Oliveira havia sido atacada por um bando de neo-nazistas na Suíça, sendo espancada e esfaqueada e, com isso, vindo a abortar sua gravidez de gêmeos de fato chocou o país.</p>
<p>Mas as investigações sequer haviam iniciado por lá e a nossa imprensa já tecia um sem-número de acusações, exigências, considerações e por aí vai. Dezenas de colunas e blogs pintaram a Suíça como o inferno na Terra.</p>
<p>Foi só aparecerem as primeiras evidências de que a tal moça de fato se auto-mutilou e jamais esteve grávida para os pseudo-jornalistas brasileiros enfiarem o rabo entre as pernas e arriscarem um quase pedido de desculpas. Quase, porque não se desculparam e tentam, agora, inverter a situação dizendo que a polícia suíça se precipitou em divulgar o laudo, que deveria ter esperado o término das investigações para comunicar os resultados.</p>
<p>Ora, não é isso o que esses mesmos jornalistas imbecis deveriam ter feito desde o início? Que esperassem, então, o término das investigações para publicarem suas opiniões sobre o caso. Agora que a Suíça confronta as teorias tupiniquins com a verdade e fatos forenses, nossos intrépidos defensores do &#8216;terceiromundismo&#8217; sobem nos tamancos e exclamam: &#8220;Quem esses suíços pensam que são para falar assim com os brasileiros?&#8221; – e isso, pergunto ao leitor, não seria a real demonstração de xenofobia? Já li até cronistas tentando vincular o caso da brasileira aos bancos suíços! O que tem a ver uma coisa com a outra?</p>
<p>A coisa chegou a tal ponto que já não interessa se a moça inventou toda essa história e se auto-flagelou. Interessa é encontrar algum culpado por esse ataque xenófobo, mesmo que o mesmo jamais tenha existido.</p>
<p>Algum &#8216;jornalista&#8217; (entre aspas, mesmo) se preocupou em entrevistar pessoas próximas ao local onde a moça disse ter sido atacada? Alguém resolveu encontrar o banheiro onde ela disse ter abortado? Onde estão os fetos? Há alguma roupa com sangue? Se ela foi espancada, por que não há hematomas no corpo?</p>
<p>O Brasil, que já comprou briga com a Itália por abrigar um assassino terrorista, agora compra briga com a Suíça por desmascarar o golpe de uma moça que precisa de sérios tratamentos psiquiátricos. Se a Itália tem que engolir a tal &#8220;soberania brasileira&#8221; sobre a decisão do terrorista, então o Brasil que engula a &#8220;soberania suíça&#8221; sobre a decisão da moça.</p>
<p>O Brasil nunca foi um país sério. E jamais chegará a ser. Acontece que muitos acreditam que esse &#8216;oba-oba&#8217; que acontece aqui também acontece em outros lugares. Não! Lá fora a lei se faz cumprir! Lá fora existem pessoas sérias! Lá fora não é lugar pra criança birrenta! Lá fora existe civilização.</p>
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		<title>O pre&#231;o de um sorriso</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 18:09:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na rua da empresa onde trabalho há um pequeno café de esquina. É nosso point das tardes. Lá pelas 16h ou 17h corremos lá para um cafezinho, doces e bate-papo. O lugar foi batizado de &#8216;Tia Rica&#8217; devido aos altos preços que cobrava. Trocou de dono já há algum tempo, os preços melhoraram um pouco, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na rua da empresa onde trabalho há um pequeno café de esquina. É nosso <em>point</em> das tardes. Lá pelas 16h ou 17h corremos lá para um cafezinho, doces e bate-papo. O lugar foi batizado de &#8216;Tia Rica&#8217; devido aos altos preços que cobrava. Trocou de dono já há algum tempo, os preços melhoraram um pouco, mas o apelido continua – confesso que nem sei o nome real do lugar.</p>
<p>As atendentes garantem momentos de humor com comentários pitorescos sobre o cotidiano. E são honestas a ponto de dizer: &#8220;Ih, não pega esse quindim, está aí há dias. Mas a torta de limão é de hoje&#8221;. Um atendimento que faz diferença e garante nosso retorno quase diário.</p>
<p>Limítrofe ao café, abriu recentemente um estacionamento. Estacionamento é exagero. É um corredor estreito, onde cabem uns dez carros na diagonal. Virou moda na região estacionamentos não possuírem mais vagas para mensalistas – afinal, por que cobrar R$ 100 mensais de um veículo que ficará ocupando espaço de outros que pagam R$ 15 por dia? Esse novo estacionamento não é diferente. Mas apesar de pequeno, está estrategicamente bem posicionado na rua e chama atenção de muitos que lutam por um espacinho para estacionar.</p>
<p>O manobrista desse estacionamento, entretanto, é um verdadeiro bronco. Não faz questão de ser gentil, quase não conversa com os clientes e passa a maior parte do dia em pé, braços cruzados, encostado na porta do café da esquina. Soube de pessoas que deixaram o carro com ele e envolveram-se em bate-boca.</p>
<p>Nessa terça houve problemas com a internet na empresa e, como meu trabalho depende cem por cento da web, saí pra tomar café. E lá estava o manobrista-neandertal, feito lagartixa na parede. Enquanto eu estava entretido com minha xícara, um carro parou na esquina. Lá de dentro, uma mulher olhou para o manobrista e perguntou: &#8220;Olá, vocês têm vagas para mensalistas?&#8221;. Ele, sem mover a cabeça nem descruzar os braços ou tirar o pé da parede, resmungou: &#8220;Só diária&#8221;. A mulher do carro quase se desculpou por ter feito a pergunta e foi embora. Uma das atendentes do café brincou: &#8220;Que horror, hein? Vai ser grosso assim lá longe! Custava ser gentil com a mulher? Mas nem um sorriso?&#8221;.</p>
<p>Ele respondeu: &#8220;Sou pago pra manobrar carros, não pra sorrir&#8221;. Engraçado como uma simples parede separa dois estabelecimentos com atendimentos tão distintos. Eu já comentei antes aqui sobre pessoas que fazem somente aquilo pelo qual são pagas pra fazer, mas às vezes até eu me espanto.</p>
<p>Qual será o valor a ser acrescido no salário do sujeito para que ele mostre os dentes além de manobrar carros?</p>
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		<title>A tampa do ralo</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 13:57:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Último post de 2008. Cogitei escrever crônica com retrospectiva do ano ou coisa parecida, mas desisti. Entra ano, sai ano e, analisando friamente, nada de novo ocorre sobre a Terra. Com 2008 não foi diferente. &#8220;Ah, mas tivemos a eleição do Obama, a crise econômica mundial, as guerras no Oriente Médio, as catástrofes em Santa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Último post de 2008. Cogitei escrever crônica com retrospectiva do ano ou coisa parecida, mas desisti. Entra ano, sai ano e, analisando friamente, nada de novo ocorre sobre a Terra. Com 2008 não foi diferente.</p>
<p>&#8220;Ah, mas tivemos a eleição do Obama, a crise econômica mundial, as guerras no Oriente Médio, as catástrofes em Santa Catarina e as mortes da Eloá e da Isabella&#8221;, dirá o leitor inconformado. Sim, e daí? Eleições acontecem no mundo todo e, a exemplo de Obama, quase nunca os eleitos são escolhas inteligentes. Guerras existem e existirão, seja no Oriente Médio ou entre vizinhos – está na natureza humana o anseio pela autodestruição. A crise, mais tempo menos tempo passa e volta a bonança (até a próxima crise). Catástrofes naturais continuarão ocorrendo – aqui ou em outras plagas – e não há muito o que se possa fazer a não ser juntar os cacos e começar de novo. Mortes de crianças e inocentes ocorrem aos montes, de formas até mais brutais do que as que viraram assunto para jornalistas com falta de pauta. Não que eu não me sensibilize com tudo isso, mas basta erguer o pescoço um pouquinho para perceber que esses não são casos isolados.</p>
<p>Ora, crise por crise, catástrofe por catástrofe, morte por morte, tive um pouquinho disso tudo em minha vida particular. Como também tiveram, imagino, muitos dos leitores do blog. Perdas e ganhos, alegrias e tristezas, basta estar vivo para fazer parte desse jogo. Cada um carrega sua &#8216;roda do <em>samsara&#8217;</em> pessoal.</p>
<p>A meu ver, não acho que o mundo está melhorando ou que vá melhorar. Não enxergo a menor hipótese de termos um futuro brilhante, com união dos povos e fim de muitos problemas. E nem vou comentar as teses que falam da chegada de espaçonaves extraterrestres que ajudarão a humanidade a entrar na era de aquário.</p>
<p>O que percebo, na verdade, é a acelerada ascensão da futilidade. A glorificação da inutilidade e da hipocrisia, abafando vozes que realmente mereciam ser ouvidas. Rumamos aos tropeções a um futuro de incertezas, cada vez mais turvo e problemático, com os dias se abreviando. É como se tivessem puxado a tampa do ralo de uma pia – quanto mais perto do buraco, mais rápidas e confusas ficam as coisas.</p>
<p>Ainda assim – ou apesar de tudo isso –, gostaria de desejar um ótimo 2009 a todos vocês. &#8220;Contradição!&#8221; – gritarão alguns. &#8220;Como podes pintar um futuro tão negro e terrível e ousar desejar bom ano novo?&#8221;. Fácil! Meu desejo de que o ano de 2009 seja formidável é sincero e independe de minhas soturnas previsões. Além disso, sempre haverá aquele que ri quando todo o resto chora. Por que não posso desejar que esse alguém seja você?</p>
<p>A não conformidade com a situação impele muitas pessoas a buscar algo melhor. Mesmo que as trevas prevaleçam na maior parte do mundo, é a luz da esperança – essa pequena centelha divina que brilha nos corações de muitos (mas não de todos) – que mostrará o caminho a ser trilhado. Para esses, independente da situação em que se encontram, um dia é sempre melhor do que o outro. E para esses é que vão meus mais sinceros votos de excelente ano novo, pois sei que terão.</p>
<p>Nos vemos no ótimo 2009. </p>
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		<title>It&#225;lia vive momentos de Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 19:04:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emilio Calil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De uma hora para outra, os políticos italianos parecem ter sido acometidos pelo mesmo mal encontrado nos legisladores brasileiros. Aparentemente a Itália vive um surto de leis imbecis, que variam de região para região do país. É o que se pode ler nesta reportagem. Em determinadas cidades, agora é proibido circular com garrafas de vinho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De uma hora para outra, os políticos italianos parecem ter sido acometidos pelo mesmo mal encontrado nos legisladores brasileiros. Aparentemente a Itália vive um surto de leis imbecis, que variam de região para região do país. É o que se pode ler <a title="Leia a mat&eacute;ria original" href="http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI3108940-EI1141,00.html" target="_blank">nesta reportagem</a>.
<p>Em determinadas cidades, agora é proibido circular com garrafas de vinho ou latas de cerveja na mão, andar sem camisa, soltar fogos de artifício em festas privadas, cortar grama nos finais de semana, fazer castelos de areia na praia, andar de tamancos, se beijar dentro de automóveis, comer e beber perto de monumentos e quem colher conchas e levar areia para casa pode pegar multa de 25 a 250 euros (R$ 75 a R$ 750).
<p>A argumentação das autoridades é de que essas leis visam garantir a segurança e a compostura no país. Quanto aos fogos de artifício e comidas perto de monumentos, entende-se. Mas os tamancos e castelos de areia são o exemplo do que o excesso de poder em mentes vazias pode causar &#8211; igual à nossa &#8216;Lei Seca&#8217; por aqui.
<p>Mas nem todas essas novas leis são inúteis. Algumas poderiam &#8211; deveriam! &#8211; ser aplicadas por aqui. Por exemplo, multa de R$ 120 para flanelinhas, que também têm o dinheiro ganho apreendido pela policia, e a proibição de pedir esmolas.
<p>Enfim, uma ou outra lei se salva. Mas não consigo deixar de pensar que os políticos brasileiros estão fazendo escola na Itália.</p>
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