03/09/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

Ela

Posted by Emilio Calil On agosto - 27 - 2010 3 COMENTARIOS

Vi nas bancas a revista Veja desta semana com a seguinte matéria de capa: “Casamento Faz Bem: O casamento hoje dá mais trabalho, mas traz mais satisfação”.  Não li a reportagem, mas apenas pelo texto da capa posso dizer que estou cem por cento de acordo.

Estou a exatamente uma semana do casamento. E só Deus sabe o caminho que percorri para chegar até aqui. Dizer que foi difícil não passa sequer a ideia dos fatos. Estou cansado e estressado, com pendências a resolver e dívidas a saldar.

Mas, então, por que casar? – você se pergunta. Para que passar por tudo isso? Essa resposta tenho na ponta da língua: Para estar ao lado da mulher que amo o resto da vida. Dificuldade alguma é grande demais quando se tem uma companhia ao lado que nos motiva, nos inspira e nos anima. E quanto mais se está com essa pessoa, mais se quer ficar com ela.

E essas são algumas das inúmeras qualidades dela. Companheira, amiga, namorada, noiva e, agora, esposa. Minha mente recua no tempo para a época que nos conhecemos.

A primeira vez que nos vimos, a primeira troca de olhares – tanta coisa foi dita sem uma única palavra. O primeiro beijo, a sensação de querer ficar 24h por dia com ela. A falta de apetite quando estava longe dela. O coração palpitando forte quando ela sorria.

O leitor provavelmente já passou por isso, também. Paixão. Todo relacionamento começa em paixão que depois aflui em amor. Palavrinha abstrata essa que nos engana terrivelmente ao tentarmos defini-la. E mesmo assim, apesar de indefinível, o “eu te amo” é de fácil entendimento, seja do mais ignorante ao mais letrado dos homens.

E devo dizer que amá-la é coisa das mais fáceis. Difícil mesmo é encontrar quem não goste dela. Sempre alegre, altiva, pronta a dar tudo de si para ajudar os outros. De coração tão largo quanto seu sorriso, não mede esforços para fazer as pessoas felizes. Impossível olhar um cachorro na rua e não ouvi-la dizer: “Tadinho, ele tá muito magro! Para o carro que vou comprar alguma coisa pra ele”.

Ela é assim. Capaz de brigar comigo um dia inteiro porque minha camisa não combina com as meias e, quando surge um problema realmente sério, ela apenas me abraça e diz “está tudo bem”.

Tivemos nossas discussões e nossos incontáveis vai-e-vem. Nisso viramos piada. Bastava dizer que tínhamos terminado o namoro para que alguém respondesse: “Sei… E quando vocês voltam?”. Que se pode fazer? Sempre que tentamos seguir caminhos opostos, descobríamos que os caminhos se juntavam lá na frente.

Diferenças temos aos montes. No gosto por música, filmes ou literatura, não combinamos em nada. Ela prefere praia e calor; eu gosto do campo e frio. Mas temos um acordo velado, ela me apresenta às Beyoncés e Black Eyed Peas da vida, e eu lhe mostrarei um pouco dos Mozarts e Beethovens. Eu assisto às comédias românticas dela; e ela cede aos meus filmes de ação e super-heróis. Água e óleo, direis. De fato, mas é nas diferenças que a convivência se torna divertida. Do contrário, seria monótono.

Mas nem tudo é discordância. Há coisas em que combinamos bem, como a apreciação por bons vinhos e boa gastronomia. A vontade de viajar. O prazer em estarmos reunidos com amigos. Até a decoração do apartamento foi um consenso: ambos gostamos de ambientes bem iluminados, com muito branco, vidro e inox. Minha única reclamação é sobre o sofá branco, que deixará de ser branco assim que começar a ser usado.

E como disse lá no início do texto, não foi fácil chegar até aqui. Foram altos e baixos, obstáculos, problemas e desafios. E tudo isso serviu apenas para fortalecer ainda mais o que sinto por ela. Se antes já a amava, hoje não há palavra no dicionário que exprima o que sinto por ela.

A troca de olhares hoje é quase uma cumplicidade. Como se quiséssemos dizer “e depois de tudo o que passamos, estamos aqui”. Que posso fazer a não ser agradecer a Deus por ter colocado em minha vida pessoa tão notável, tão especial?

Se posso prometer algo, é que farei de tudo para fazê-la feliz, assim como ela me faz feliz.

Que venham as dificuldades! Que venham os problemas! Esses são nada mais que marolas batendo nas canelas, pois a maior vitória eu já tive: Casar com a mulher mais linda do mundo.

E se pareço brega, paciência. A ocasião pede isso.

Para ela, depois de tudo, só resta render-me à tal expressãozinha abstrata, mas que tanto significado traz consigo: Eu te amo!

E à ela dedico o vídeo abaixo, cuja música tem um significado especial para nós.

You And Me

What day is it
And in what month
This clock never seemed so alive
I can’t keep up and I can’t back down
I’ve been losing so much time

Cause it’s you and me and all of the people
With Nothing to do, nothing to lose
And it’s you and me and all of the people and
I don’t know why I can’t keep my eyes off of you

All of the things that I want to say
Just aren’t coming out right
I’m tripping on words, you got my head spinning
I don’t know where to go from here

Cause it’s you and me and all of the people
With nothing to do, nothing to prove
And it’s you and me and all of the people and
I don’t know why I can’t keep my eyes off of you

Something about you now
I can’t quite figure out
Everything she does is beautiful
Everything she does is right

Cause it’s you and me and all of the people
With nothing to do, nothing to lose
And it’s you and me and all of the people and
I don’t know why I can’t keep my eyes off of you

You and me and all of the people
With nothing to do, nothing to prove and
It’s you and me and all of the people and
I don’t why I can’t keep my eyes off of you.

What day is it
And in what month
This clock never seemed so alive

Você e Eu

Que dia é hoje?
e de que mês?
Esse relógio nunca pareceu tão vivo
Eu não consigo prosseguir e não consigo voltar
Tenho perdido tempo demais

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer, nada a perder
E somos você, eu e todas as pessoas e
Eu não sei por que não consigo tirar os olhos de você

Todas as coisas que quero dizer
Não estão saindo direito
Estou tropeçando nas palavras, você deixou minha mente girando
Eu não sei pra onde ir daqui

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer, nada para provar
E somos você, eu e todas as pessoas e
Eu não sei por que não consigo tirar meus olhos de você

Existe algo sobre você agora
Que não consigo compreender completamente
Tudo o que ela faz é lindo
Tudo o que ela faz é certo

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer, nada para perder
E somos você, eu e todas as pessoas e
Eu não sei por que não consigo tirar meus olhos de você

Você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer, nada para provar
E somos você, eu e todas as pessoas
E eu não sei por que não consigo tirar meus olhos de você

Que dia é hoje?
e de que mês?
Este relógio nunca pareceu tão vivo…

Os deuses sumérios

Posted by Emilio Calil On agosto - 11 - 2010 2 COMENTARIOS

 Uma das leituras que mais me fascina é sobre história antiga. E por ‘antiga’ entenda-se de quatro mil anos para trás. Impossível ler sobre civilizações que surgiram, cresceram e desapareceram sem denotar um mínimo de entusiasmo. Quem foram aquelas pessoas? Como era seu cotidiano? Claro que essas perguntas encontram respostas nos livros de história e nos achados arqueológicos – estelas de argila, inscrições, pergaminhos e papiros, que permitem traçar um esboço desses povos. Assim, temos noção de formas de governo, costumes, religião, comércio, leis e todos os elementos que compunham aquela sociedade.

Foi pesquisando sobre civilizações antigas atrás de referência para um projeto pessoal que me aprofundei na fascinante civilização da Suméria. Ela foi, sem dúvida, a mãe das civilizações da antiguidade e grande influenciadora da evolução do mundo como o conhecemos. A Suméria (Sinar na Bíblia, Sangar no Egito e KI-EN-GIR na língua nativa), que significa “Lugar dos Senhores Civilizados”, é considerada a civilização mais antiga da humanidade, localizava-se na parte sul da Mesopotâmia, posicionada em terrenos conhecidos por sua fertilidade, entre os rios Tigre e Eufrates. Evidências arqueológicas datam o início da civilização suméria em meados do quarto milênio a.C. Entre 3500 e 3000 a.C. houve um florescimento cultural e a Suméria exerceu influência sobre as áreas circunvizinhas, culminando na dinastia de Ágade, fundada em aproximadamente 2340 a.C. por Sargão I, sendo que este, ao que tudo indica, seria de etnia e língua semitas. Depois de 2000 a.C. a Suméria entrou em declínio, sendo absorvida pela Babilônia e pela Assíria.

Duas importantes criações atribuídas aos sumérios são a escrita cuneiforme, que antecede todas as outras formas de escrita, tendo sido originalmente usada por volta de 3500 a.C.; e as cidades-estado – a mais conhecida delas sendo a cidade de Ur, construída por Ur-Nammu, o fundador da terceira dinastia Ur, por volta de 2000 a.C.

Comecei a pesquisa em incontáveis páginas da web e culminei na bibliografia de Zecharia Sitchin, de quem já li uns cinco livros até agora. Sitchin, para meu desgosto, é outro desses adeptos da infame teoria de antigos ‘deuses astronautas’, indo na mesma linha do suíço Erich Von Däniken.  Sitchin nasceu em Baku, Azerbaijão, foi criado na Palestina e adquiriu conhecimentos do hebraico antigo e moderno e outras línguas europeias e semíticas, do Velho Testamento e da história e arqueologia do Oriente. Fazendo a tradução de idiomas ancestrais, ele chamou minha atenção por tocar num outro assunto de meu interesse: a etimologia. Daí o porquê de eu manter a leitura.

Traduzindo as milenares escritas cuneiformes sumérias, ele defende a tese de que há 400 mil anos os deuses da antiguidade foram astronautas que vieram de outro planeta, chamado Nibiru. Ele chegou a essa conclusão ao traduzir escritas sumérias que diziam ser as primeiras dinastias na Terra constituídas pelos ‘deuses’, ou os AN.UNNA.KI, cuja tradução é “Aqueles Que Do Céu à Terra Vieram”. E a partir daí surge uma profusão de nomes, lugares e acontecimentos que se mesclam e se confundem. Em muitos momentos as deduções encontram um paralelo hollywoodiano, como o fato dos alienígenas virem à Terra para extrair ouro, transformá-lo em pó e pulverizar a atmosfera de Nibiru, que estava se desfazendo – morra de inveja, James Cameron.

Devaneios à parte, Sitchin reconstrói uma época pré-diluviana onde deuses realmente andaram entre os homens. Quanto mais eu lia os livros, mais certeza tinha de que esses deuses foram reais. Fica nítido que os grandes ANU, ENKI, ENLIN, NINHURSAG, MARDUK, NABU, INANNA e dezenas de outras ‘divindades’ foram pessoas reais. Homens e mulheres de profundo conhecimento e sabedoria, que ditaram regras para criar uma poderosa civilização. Os atributos metafísicos ou alienígenas ficam por conta da imaginação de Sitchin, que é veementemente rebatido neste site por Michael Heiser, Ph.D. em estudos semíticos e hebreus da Universidade de Wisconsin-Madison.

É nítida a influência dos ‘deuses’ sumérios na Babilônia, Egito, Pérsia, Grécia, etc. Eram seres com amores e desafetos, constituíam família, iravam-se, riam, guerreavam, presenteavam, tinham relações incestuosas e davam pouca atenção aos ‘mortais’. Exatamente como os deuses gregos e egípcios. Daí conclui-se que a similaridade dos deuses antigos entre culturas diferentes é um reflexo ou cópia do panteão sumério. Por exemplo, a história de Inanna (Ishtar, na Babilônia) e sua insaciável libido remete à Afrodite/Vênus. Anu, o deus mais distante e que comandava os outros, é Zeus/Odin. Os irmãos Enki e Enlil são contrapartes egípcias de Ptah e Tot, respectivamente. Marduk é Rá no Egito, mas seu nome babilônico nas escrituras bíblicas é Merodaque. E por aí vai.

Os nomes de notórios monarcas da antiguidade também estão intimamente ligados aos nomes dos ‘deuses’ aos quais eles eram devotos. No princípio, dizem os textos sumérios, os reis eram sacerdotes e serviam de interlocutores com a população. Com o tempo, os ‘deuses’ foram ampliando os poderes desses sacerdotes para que pudessem ter autonomia de governo, dando origem às monarquias. Esses reis mantinham em seus nomes o nome da divindade favorita, como no caso dos reis babilônicos Nabupolasar e seu filho Nabucodonosor – ambos com o nome do ‘deus’ NABU nas iniciais, afirmando uma linhagem divina. Essa mesma formação de epítetos ocorre no Egito, no nome do faraó Ramsés (RA-MOSES ou Ra-Ms-S), que significa “Filho do Deus Rá”.

Pela visão dos sumérios, entende-se a criação do horóscopo e notamos que as adivinhações publicadas nos jornais  não são nem a sombra da ciência de observação astronômica da antiguidade. Para os sumérios (ou os Anunnaki), havia diferença entre Destino e Sorte. O Destino era tudo o que se podia prever – como a movimentação dos corpos celestes, o dia depois da noite, as estações do ano e tudo o que mantinha um movimento constante. A Sorte eram os acontecimentos que estavam além da capacidade de previsão dos próprios ‘deuses’ – os imprevistos. Assim, os sumérios sabiam que em determinada época do ano uma constelação seria vista no céu; mas não podiam dizer se alguém morreria nesse período. Parece idiota aos olhos do século XXI, mas pense nisso há seis ou sete mil anos atrás.

Surpreendeu-me, também, descobrir que ainda hoje temos influência suméria em nosso vocabulário. Por exemplo, a palavra suméria E.DIN é traduzida como a “Morada dos Justos” (de onde pode ter derivado a palavra bíblica Éden). A região de E.DIN ficava entre os rios Tigre e Eufrates, local que viria a ser conhecido depois como Mesopotâmia. É lá que se encontram os picos gêmeos do monte Arrata (Ararat). Foi em E.DIN que a primeira cidade, E.RI.DU (“Lar na Lonjura”), estabeleceu-se. O nome ‘Eridu’ foi traduzido para muitos idiomas do mundo, incluindo alemão (Erde), inglês médio (Erthe), curdo (Ertz) e hebreu (Eretz). A palavra acabou por se tornar o que em inglês atual conhecemos como Earth (Terra).

Como E.RI.DU era o nome de uma cidade-estado, os sumérios tinham outra palavra para designar o planeta Terra, que era Ki (o mesmo significado do ‘ki’ de An.unna.ki). Em acadiano, Ki tornou-se Gi (ou Ge) – de onde saiu a palavra Geo (de geografia, geologia, etc.). Mais tarde, os indo-europeus acrescentaram a palavra ‘Aia’, que significa “avó”, e daí surgiu a palavra Gaia, a “Avó-Terra”, mas que alguns antropologistas preferiram traduzir como “Mãe-Terra”.

Outra palavra suméria que usamos até hoje e que sofreu pouca alteração ao longo dos milênios é “mãe” ou “mamãe”, que deriva das palavras Mamma, Mammi ou Mami, as quais, por sua vez, são outros nomes utilizados para se referir à ‘deusa-mãe’ Ninhursag (“Senhora da Montanha”), associada à fertilidade.

Em seu livro Encontros Divinos, Sitchin faz uma descrição de inúmeros relatos registrando o encontro entre homens e ‘deuses’. Ele começa traçando um perfil de como eram esses encontros e como eles interferiam no cotidiano das pessoas, sempre pendendo para a teoria extraterrestre. Porém, Sitchin começa a enveredar por outros caminhos no último capítulo e decide traçar um paralelo entre todos os deuses sumérios e o Deus dos hebreus, no Velho Testamento. O propósito é identificar qual dos deuses sumérios seria o Deus descrito na Bíblia, então ele compara um a um buscando similaridades na personalidade, nos diálogos, nos feitos e nos milagres.

E só então um novo elemento nos é apresentado. Os poderosos ‘deuses’ da Suméria, quando viam seus planos frustrados ou quando enfrentavam algum imprevisto, reconheciam suas limitações e atribuíam esses acontecimentos a quem chamavam de “O Criador de Todas as Coisas” (cujo poder controlava tanto a Sorte quanto o Destino). Ou seja, os ‘deuses’ possuíam um Deus. Não encontrando paralelo no panteão sumério, Sitchin admite que o Deus bíblico é, de fato, o Criador de Todas as Coisas.

Essa informação é esclarecedora para os primeiros capítulos do Velho Testamento, ao visualizarmos a dificuldade e resistência que Abraão, Moisés e os outros patriarcas enfrentaram ao tentar difundir a Palavra de um Deus invisível para povos acostumados a ‘deuses’ que viviam entre eles, tinham esposas e filhos – algumas daquelas pessoas podiam até mesmo ser descendentes desses ‘deuses’.

Eu poderia ficar neste assunto eternamente, mas o texto já está grande demais. Acho que me empolguei e, mesmo assim, apenas pincelei alguns tópicos que descobri sobre os sumérios. Se você, como eu, fica fascinado com história antiga, então este post deve ter plantado a vontade de saber mais. Se esse é o seu caso, basta uma pesquisa rápida na web para encontrar milhares de páginas sobre o tema. Separe o joio do trigo e boa leitura.

Conhecendo o Windows 7

Posted by Emilio Calil On julho - 15 - 2010 COMENTAR

Estou devendo este post há algum tempo. A vida anda tão corrida nesses meses que não dá tempo de se autopromover.

Não é novidade dizer que sou apaixonado por tecnologia. E escrever sobre o assunto chega a ser mais um hobby do que trabalho propriamente dito. Sendo assim, fui convidado ano passado a escrever um livro sobre o Windows 7. Desnecessário dizer que aceitei imediatamente e mergulhei de cabeça na elaboração dos capítulos.

E o resultado você pode conferir aqui. O livro ensina a utilização do mais recente sistema operacional da Microsoft e contém dicas e informações tanto básicas quanto avançadas. A ideia era criar um conteúdo que pudesse auxiliar os usuários a extrair o máximo que o Windows 7 oferece. Eu, como inquieto fuçador, gosto de compartilhar as descobertas com os outros.

E quero agradecer aos amigos da Universo Editorial por mais uma oportunidade de contribuir com a editora – pra quem não sabe, este é o segundo livro que publico. O primeiro foi baseado no Windows Vista.

Feita a propaganda, espero que os leitores comprem o livro aos milhões e garantam que eu escreva sobre o Windows 8, quando for lançado.

Uma pedra no caminho

Posted by Emilio Calil On julho - 9 - 2010 3 COMENTARIOS

Eu já me preparava para dormir quando ela apareceu de madrugada. A princípio ignorei-a, tentando passar despercebido. Mas já a conhecia de outra data e sabia que não seria fácil. Ela não é do tipo que desiste sem luta. Sua presença foi ficando mais forte e, antes que se tornasse insuportável, precisei de ajuda para me livrar dela.

Faltando dois meses para o casamento, não podia deixar que a reaparição dela estragasse tudo. Ela cruzou meu caminho uma vez há três anos, mas percebi que não me esqueceu.

Ela, a quem me refiro, é uma cólica renal. O leitor que conhece o drama de perto sabe que não é coisa que se ignore. Ela surge do nada, como um formigamento, e vai ficando mais forte até dar a impressão de uma mão esmagando os rins. É dor que faz o mais forte dos homens chorar feito criança. E eu estou longe de ser o mais forte dos homens.

Um pulo no hospital para tomar buscopam acabou com a dor. Mas na noite seguinte tive outra visita dessa amiga indesejada. Dessa vez, achei melhor procurar o médico. Após exames surge o causador do tormento: Um cálculo renal desgarrado que escapou do rim e se alojou a meio caminho da bexiga.

O médico me chama pra conversar. “Precisamos remover a pedra para que ela não obstrua o canal e prejudique o rim”. OK, doutor, bombardeie com ondas de choque e estamos conversados. “Infelizmente não é possível no seu caso, pois a pedra está em um local onde não podemos bombardear. Além disso, ela é grande, o que impede que seja expelida naturalmente.” OK, doutor, quais as alternativas? “Fazer uma cirurgia com uma sonda para remover a pedra e colocar um cateter entre o rim e a bexiga, permitindo que o fluxo passe normalmente.”

Recusei de imediato. Pedi uma semana para tentar expelir a pedra – não me agradava a ideia de algo entrando por orifícios que não foram projetados para isso. O médico riu e me desejou boa sorte. E assim passei uma das piores semanas da minha vida. Toda noite sofria com a dor e nada da pedra sair. No fim, entreguei os pontos, mandei tudo às favas e marquei a cirurgia.

Data da operação: 28 de junho, dia de jogo do Brasil na Copa. Como imaginei, só fui encaminhado ao centro cirúrgico após o jogo. Inacreditável ver um hospital parar por causa de futebol. Naquele dia, para meu desgosto, o Brasil ganhou. Mas a cirurgia correu bem. O procedimento foi relativamente rápido e no dia seguinte estava de alta.

Os dias passaram e alguns sintomas me diziam que algo estava errado. Liguei pro médico e descrevi o problema. “Provavelmente o cateter saiu do lugar e será preciso refazer a cirurgia” – disse ele. Ah, nada disso! Mal tinha saído de uma e teria que entrar em outra? Mas não teve jeito. Data da operação: 2 de julho, outro jogo do Brasil na Copa. Santa coincidência! Fiquei sozinho no quarto com a tevê ligada durante jogo. Após o primeiro gol do Brasil, perdi as esperanças, virei para o lado e cochilei. Quando acordei, o placar indicava 2 x 1 para a Holanda. Senti uma ponta de tristeza por não ter presenciado a virada. E, como da primeira vez, só após o apito final vieram me buscar para a cirurgia. Dessa vez entrei sorrindo na sala. Tive alta no dia seguinte, a tempo de celebrar meu aniversário em casa.

Da minha estadia no hospital ficam duas impressões: A primeira é o atendimento ímpar do pessoal do Hospital Aviccena, que tratam seus pacientes como hóspedes. Todos, do faxineiro às enfermeiras, merecem elogios. E a segunda é a total falta de consideração, organização e péssimo atendimento da SulAmérica Saúde, que nada fez a não ser atrapalhar e atrasar as cirurgias. Demoravam a enviar a liberação da cirurgia e, quando liberavam, seguravam os materiais que seriam utilizados na mesma – ora, com o que os médicos iriam operar? Apenas com as mãos?

Enfim, o próximo passo será o bombardeamento para ‘explodir’ o que restou da pedra e a retirada do cateter, que deve ocorrer até o final do mês. Para quem nunca teve costume de ir a um hospital, duas cirurgias na mesma semana são um feito e tanto.

E finalizando com um cliché, cito o Drummond:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Vai Juventus!

Posted by Emilio Calil On maio - 17 - 2010 6 COMENTARIOS

Ano de Copa do Mundo. E também de eleições. Quem criou o famoso ditado popular “desgraça pouca é bobagem” devia ter em mente anos como este. Detesto futebol. E detesto política. Ou melhor, de política até gosto, não gosto é de políticos. Mas futebol não tem jeito.

Na verdade, nada tenho contra o esporte em si. O problema é toda essa euforia sem sentido dos brasileiros em torno do futebol, como se cada partida de um campeonato fosse questão de vida ou morte para milhões de acéfalos – e em alguns casos, acaba sendo mesmo.

Ora, que é o futebol se não vinte e dois jogadores correndo noventa minutos atrás de uma bola que, em última análise, é mais inteligente do que eles? Nunca me interessei por isso, nem quando criança. E não foi por falta de incentivo. Meu pai costumava jogar, todos os domingos, em campos localizados na região do Itaim Bibi. E sempre levava a mim e a meus irmãos com ele. Hoje o nome de alguns desses campos evoca certa nostalgia, sendo que Itororó e Clube do Mé são os mais fortes em minha lembrança. Este último, por sinal, sofrera uma matreira pichação nossa – se é que podemos chamar assim alguns rabiscos de giz de cera – e seu nome pintado na parede foi rebatizado para “Clube do Mélda”. Coisas de moleque.

As lembranças que tenho daquelas manhãs de domingo não se relacionam ao futebol, mas a aventuras desbravando trilhas no mato, piqueniques, escalando morros, fugindo de cachorros e assistindo a campeonatos de motocross numa pista ali perto. Com o tempo, troquei aquilo por Transformers, Thundercats e Superamigos na tevê. Os videogames viriam muito tempo depois.

Mas falava de futebol. Mesmo crescendo nesse meio, meu interesse no assunto é nulo. E por isso não entendo esse sentimento exacerbado dos torcedores, que riem, choram, gritam, xingam, brigam e se desesperam a troco de nada. Fora as filas quilométricas para comprar ingressos – alguns faltam ao trabalho ou pedem demissão para assistir a um jogo. A mídia, cúmplice dessa patacoada, tira proveito e enaltece esse comportamento, passando a sensação de que o jogo é mais importante do que qualquer coisa na vida. Empregassem os imbecis toda essa energia em algo útil, estaríamos entre as grandes potências do planeta.

E acho que é daí que vem meu desgosto pelo futebol. Esse esporte se tornou uma poderosa barreira contra nossa evolução. Eu poderia nutrir maior interesse ou até ir a estádios se o futebol fosse encarado como aquilo que realmente é: apenas um jogo. Para mim, essa história de paixão por times é pura falta de cultura de quem não tem capacidade de se apaixonar por assuntos mais nobres. Nas Copas do Mundo, sempre torço contra o Brasil, para que perca logo e impeça o agito de bandeiras e sopro de cornetas o quanto antes.

Outro problema que o futebol cria para mim é a falta de assunto. Ao almoçar com colegas de trabalho, é fácil falar de tecnologia, filmes, livros, viagens, etc. Mas quando caem no futebol, só resta me calar. Sequer sei a diferença de um zagueiro para um meio-de-campo, então não consigo manter conversa. Mas para isso encontrei a solução. Tenho prestado atenção nas conversas alheias sobre o tema, e acabo decorando uma ou outra frase de impacto que denote forte opinião sobre o assunto. Pronto, basta encaixar essas frases no momento certo e obtenho uma conversa animada. Eu não faço a mínima ideia do que estou falando, mas acredito que meus interlocutores também não.

Dia desses, entretanto, acordei diferente. Não sei bem por que razão, decidi que eu precisava de um time para torcer. Mas não queria nenhum desses grandes nomes. Então lembrei que meu bairro tem seu próprio time – o Juventus – e até um estádio homônimo. Fui atrás de maiores informações e descobri que o time é péssimo, não ganha jogo algum e vive nas divisões mais baixas. Ora, pensei, é esse mesmo! Se quiser torcer pra algum time, ainda que por brincadeira, que seja um time ruim, sem destaque e que não cause decepções, uma vez que a expectativa é a de derrota. Decepcionado ficarei se ele passar a ganhar os jogos. Aí serei obrigado a abandoná-lo.

Hoje, se me perguntam para qual time eu torço, respondo com um grande sorriso: Juventus! As pessoas me olham de lado, curiosas, como se eu tivesse dito que acabei de chegar de Marte. O que me deixa a sensação de que estou no caminho certo.

Vai Juventus!

O Pequeno Pardal

Posted by Emilio Calil On janeiro - 24 - 2010 1 COMENTARIO

De vez em quando, nas manhãs de sábado, gosto de levantar cedo e caminhar pelas ruas do bairro. Nenhum trajeto especial – deixo as pernas escolherem o destino. Numa dessas incursões, meses atrás, parei para fuçar alguns DVDs em promoção. Na gôndola, em meio a diversos títulos, vi o filme Piaf – Um Hino Ao Amor (La Môme – 2007) dando sopa. Como aprecio as músicas de Edith Piaf e já tinha ouvido falar bem dessa cinebiografia, não pensei duas vezes e arrematei-a.

Em seguida, parei para um café. Entre mordidas no pão de queijo, peguei o filme para ler a sinopse. Na hora de pagar a conta, o dono do café puxa conversa: “Notei que você está com o filme da Edith Piaf. É muito bom, minha esposa e eu adoramos. Você fez uma ótima compra”. Saí de lá duplamente feliz. Primeiro, pela certeza de ter comprado um bom filme e, segundo, pela boa conversa com o dono do café, de cultura admirável.

Mas por pura falta de tempo, o DVD acabou esquecido e empoeirado na prateleira, junto a outros filmes – alguns ainda lacrados – que comprei e esperam na fila para serem vistos. Pois bem, neste fim de semana consegui um tempinho e resolvi dar uma chance à La Môme Piaf (Pequeno Pardal).

Talvez o termo para descrever o filme deva ser usado no próprio idioma de Piaf: Ces’t magnifique! Conhecia pouco da vida da famosa cantora francesa e o que eu esperava era uma boa biografia musical e uma excelente atuação de Marion Cotillard, muito elogiada (e premiada) pela crítica internacional. Mas nem eu nem minha noiva estávamos preparados para uma tragédia. Acho que a vida de Edith Piaf pode ser definida assim: trágica. Trágica e ao mesmo tempo gloriosa. A impressão que se tem ao final do filme é que Piaf não conheceu a felicidade. Mesmo indo da pobreza à fama e fortuna, poucos momentos de sua vida parecem ter sido realmente felizes.

O filme possui uma sequencia cronológica linear que é permeada por flashbacks (e flashforwards), a fim de não perder tempo explicando demais certos detalhes. A fórmula funciona bem, mas em certos momentos a falta de explicação é um problema, como na cena do encontro com a cantora Marlene Dietrich, que me fez buscar mais detalhes na internet para entender.

A fotografia é soberba e a reconstituição da Paris dos anos 20/30/40 é impecável. Tão impecável que, juntamente com a atuação de Marion Cotillard (de levar às lágrimas), fica a impressão de que você não está vendo um filme, e sim uma janela para o passado em que presencia os fatos na vida de Edith tal como eles foram.

Enfim, fica a dica para quem está procurando um ótimo filme em que possa ‘entrar’ na história e se perder na vida de uma das maiores cantoras francesas de todos os tempos. Siga o conselho do dono do café sem medo: É uma ótima aquisição.

Abaixo, o trailer:

Only The Good Die Young

Posted by Emilio Calil On janeiro - 8 - 2010 7 COMENTARIOS

Eram 01h25 quando o telefone tocou naquela segunda-feira, 7 de dezembro de 2009. Impossível ligação nesse horário trazer boas notícias. De fato, não trouxe. Era minha noiva:

– Oi… Tudo bem? – perguntei.
– Não… – ela respondeu. – Adivinha?
– A Talita?
– É…

Então, apesar de tudo, de todos os esforços, de toda a luta, ela havia partido. Deixara-nos às 00h30. O que aconteceu a partir daí foi uma mescla de confusão, dor, tristeza e – por mais difícil que seja admitir – alívio, também. Ao menos o sofrimento terminara.

Desliguei o telefone e minha mente recuou no tempo. Quando a conheci? Quantas vezes a vi? Percebi, surpreso, que a conhecia muito pouco. No final de 2008 um grande amigo a apresentou como sua namorada. Apesar do pouco tempo de convivência, minha noiva e eu a considerávamos como amiga de infância. Certas pessoas simplesmente se conectam tão naturalmente às nossas vidas que dão a impressão de que sempre estiveram ali.

Lembro que, dias depois de nos conhecermos, ela descobriu este blog e mandou um recado: “Adorei teu blog! Acabou de ganhar uma leitora”. Ela era assim, sempre encontrando uma forma de agradar. Minha noiva teve mais contato com ela e se apaixonara pelo seu jeito simples e divertido – ambas tinham muito em comum.

Nesse ano que passou, ela e o namorado compraram apartamento e programaram o casamento. Os dois se completavam e, pra curtir esse momento, marcaram um cruzeiro para o início de 2010. E aí terminavam as informações que eu tinha sobre eles.

Então, em 26 de novembro recebi a notícia de que a Talita não estava bem. Ela havia se submetido a uma cirurgia de lipoaspiração na noite anterior e algo saiu errado – decidira fazer a lipo justamente para o cruzeiro. Depois, soubemos que tudo não passara de susto. Porém, à noite veio outra notícia preocupante: Ela fora removida para a UTI do Hospital das Clínicas.

As notícias vinham confusas – o estado era grave, depois não tão grave; ela piorava, depois melhorava. A confirmação do que ocorreu de fato começou a aparecer e soubemos que ela estava com os dois pulmões perfurados. Voamos para o hospital a fim de oferecer apoio à família – é pouca coisa, mas era o que podíamos fazer. Naquela tarde ela passou por uma cirurgia de emergência. Soubemos, então, que além dos pulmões, o esôfago também fora perfurado e acabou necrosando, sendo removido na cirurgia.

Difícil observar a família recebendo tal notícia. Como consolar alguém que transparece desespero no olhar? Como dizer que tudo vai ficar bem? Não existe fórmula mágica para isso. Nesses momentos, o que se pode fazer é manter a calma e transmitir a fé para se passar por tudo aquilo. Até os médicos do HC pareciam incertos sobre a recuperação.

Sobre o cirurgião plástico que fez a lipo, Ivan Bertanha (CNS: 108250207910006), pretendo não comentar nada. Conheci-o pessoalmente, obtive informações nada agradáveis a seu respeito e, por isso, minha opinião ficará para, quem sabe, outro post.

Não houve ninguém, entre amigos e familiares, que aprovasse a cirurgia. E não foram poucas as tentativas de fazê-la desistir da ideia. Soube, inclusive, que um dia antes ela titubeou, ficou com medo, mas, no fim, decidiu seguir em frente. Talvez essa seja a parte mais amarga. Saber que um simples ‘não’ poderia ter mudado o curso dos acontecimentos.

Ó vaidade, quantas vítimas serão necessárias para saciar tua fome?

Ela seguiu internada e as notícias não eram boas. As sequelas e possíveis consequências decorrentes das cirurgias não davam muita margem para esperança. Mesmo assim ela lutou e agarrou-se à vida. Mas as complicações foram se agravando – sanava-se uma coisa e descobria-se outra. E, assim, após onze dias, ela nos deixou.

A dor e a revolta da família são mais do que compreensíveis. Num dia, temos a pessoa do nosso lado, rindo, conversando, planejando… No outro dia, o vazio. Confesso que sinto mais por aqueles que ficam do que pelos que partem. Se servir de consolo, pelo menos quem está sofrendo somos nós e não nossos amados, que descansam.

Mas esse era o desejo dela. Foi decisão que levou até o fim. Sabia dos riscos e ninguém a fez desistir. Além disso, recebeu o melhor tratamento médico possível, o que deve nos deixar a sensação de que fizeram tudo o que podia ser feito.

Mais tempo, menos tempo, todos partiremos. Eu deixarei de escrever aqui um dia. No fim, não importa a maneira como deixamos este mundo e sim a forma como seremos recebidos no outro. Uns fenecem por doença, outros em acidentes, outros em guerras, outros por causas naturais, outros de fome… Há um ditado que diz: “Ao morrer, o animal deixa sua pele; o homem, o seu nome”. O que deixamos para trás é parte da nossa imortalidade, é a lembrança da nossa passagem por aqui, da nossa índole, do caráter e das obras que realizamos. Sendo assim, no caso da Talita podemos considerar seu rumo à imortalidade como missão cumprida.

O leitor pode considerar este texto um exagero, uma ode a alguém vítima de fatalidade. De fato não há resposta para isso além do fato de que quem a conheceu compreende minhas palavras. Gostaria de, quando partir, deixar a mesma impressão que ela deixou.

À família, aos amigos e conhecidos, que palavras podem aliviar a dor? Nenhuma. Quando a ordem natural das coisas é alterada e os pais enterram seus filhos, só podemos orar para que o fardo, com o tempo, se torne mais leve. E para aqueles que cogitam se submeter a cirurgias semelhantes, fica a lição para repensarem suas decisões. Vaidade alguma vale a sua vida. Vaidade alguma vale o sofrimento daqueles que amamos.

A seguir, incluo alguns links de reportagens sobre o caso, que foram ao ar à época dos acontecimentos. Quem puder repassar este texto, tem minha gratidão. E logo abaixo, o clipe No-One But You, do Queen, que dedico à memória da Talita.

Sobre Honduras e moral

Posted by Emilio Calil On setembro - 28 - 2009 COMENTAR

Estou me divertindo com a confusão que se estabeleceu em Honduras. Quer dizer, não que eu esteja feliz com a situação dos hondurenhos, que vão acabar pagando o pato por ações irresponsáveis de uma meia-dúzia de imbecis. Mas estou gostando de ver como Honduras tem se mantido firme em sua defesa da Constituição, ao mesmo tempo em que muitos paspalhos acusam-na de desrespeitar a Constituição.

Você já deve conhecer o imbróglio: A ratazana Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras, foi deposta do cargo por desrespeitar a Constituição do país ao querer forçar um plebiscito para sua própria reeleição. Como reeleições não estão previstas na Constituição, Zelaya simplesmente ignorou tudo e tentou fazer as coisas à força. Deu no que deu: Foi destituído do cargo e expulso do país. Se voltasse, seria preso. Voltou. Mas está escondido na embaixada brasileira, o que é ilegal. O governo de Honduras exige que o país defina o status de Zelaya, porque, se ele for considerado exilado, terá que voltar ao Brasil. Se não for, será preso em Honduras. Ou seja, o Brasil está com uma batata quente, gorda e bigoduda nas mãos. E se recusa a admitir isso.

A nossa ratazana daqui, que atende pelo nome de Lula da Silva, disse que não aceitará imposições de um governo "golpista". Mas na verdade quem queria dar o golpe era o Zelaya (ou Zé Laia, como o andam chamando). Sem mencionar que, quando o assunto é o Irã ou países do Oriente Médio que servem de ninhos para terroristas, o mesmo Lula disse que nação alguma tem o direito de se meter em assuntos internos de outros países. Sei, sei…

O mais divertido mesmo é ver o Brasil fazendo papel de palhaço nessa história. Está abrigando um cretino em sua embaixada de Honduras. Chama de "golpista" um governo que não invadiu a embaixada e procura meios legais de tirar Zelaya de lá. Um desses meios pode ser a revogação do status da embaixada, que, a partir do momento que for considerada "ex-embaixada", as coisas podem não acabar muito bem.

Zelaya disse que está sendo torturado por (pasmem!) agentes secretos israelenses que disparam ondas de radiação. Parem pra pensar só um pouquinho… Isso está mais para um roteiro de Monty Python do que para história real. Não tem jeito, onde quer que o Brasil se meta, tudo vira palhaçada. Tudo acaba em samba mesmo!

Quem tem acompanhado as crônicas do Reinaldo Azevedo tem se divertido, também. Azevedo foi o primeiro (ou um dos primeiros) a alertar que foi Zelaya quem desrespeitou a Constituição hondurenha, e não o contrário. Como de praxe, caíram matando em cima dele. Agora que a grande mídia se deu o trabalho de ler a tal Constituição, fica fazendo rodeios para não admitir o erro.

Não acredito que essa situação em Honduras acabe mal. Ou que haja grandes prejuízos para o país. Imagino que cedo ou tarde Zelaya será preso e Lula, mais uma vez, desmoralizado. Mas que é ‘moral’ para a esquerda, senão uma simples palavrinha que se evoca vez ou outra contra seus adversários?

Os bovinos fumantes

Posted by Emilio Calil On maio - 18 - 2009 2 COMENTARIOS

Muito já se falou e se escreveu sobre a nova Lei Antifumo sancionada pelo governador José Serra, que passa a vigorar a partir de 1º de agosto deste ano, mas resolvi deixar aqui minha opinião também.

Detesto cigarro. Não suporto o cheiro da fumaça e detesto que fumem perto de mim. Entretanto, jamais me ocorreu tratar os fumantes como criminosos ou seres alienígenas. Tenho amigos que fumam e não fico lhes passando sermão sobre saúde, câncer de pulmão ou coisa semelhante. Que o cigarro incomoda, não há dúvida. Mas daí a cortar relações com a pessoa ou proibi-la de fumar perto de mim é outra história. Há maneiras educadas e civilizadas de se tocar no assunto e chegar a uma solução.

O escritor e jornalista Janer Cristaldo também publicou um ótimo texto em seu blog sobre o assunto, que reflete grande parte do que eu penso a respeito dessa lei inconstitucional. Sem falar que a lei atinge diretamente os estabelecimentos comerciais e não os fumantes propriamente ditos. Que raio de lei é essa que pune uns pelo delito de outros?

Para não me estender muito, gostaria de saber se essa férrea disposição para erradicar o cigarro da face da Terra também se aplica ao combate às drogas.

Afinal, é muito fácil gritar e esbravejar com pessoas de bem, cidadãos comuns e pagadores de impostos cujo vício é colocar um cigarro na boca. Transformar pessoas inocentes em criminosos da noite para o dia por meio de lei imbecil e posar de grande herói que combate o mal do tabaco em prol da saúde pública é, além de demagógico, fácil demais. O cidadão de bem não vai se revoltar, não fechará ruas e queimará pneus, não invadirá prédios ou repartições públicas nem promoverá revoluções pelo direito de fumar. Ele vai, bovinamente, aceitar a lei e restringir o fumo à sua residência, enquanto isso ainda lhe é permitido.

Gostaria de ver José Serra falando grosso dessa forma contra traficantes e usuários de drogas (da maconha ao crack). Teria ele cojones para declarar realmente guerra ao tráfico e colocar seus ‘fiscais’ pra subir morros e favelas, ir dos bairros mais pobres aos mais luxuosos atrás do mínimo sinal de consumo de drogas? Teria José Serra a coragem de se colocar veementemente contra a liberação da maconha?

Claro que não. Para o crime (ou parceiros), as vistas grossas do governo. Melhor bater em quem não reage.

A lógica de Lobão

Posted by Emilio Calil On maio - 12 - 2009 COMENTAR

Leio no Estadão:

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje, na Refinaria do Planalto (Replan), em Paulínia (SP), que é dever do País preservar a Petrobras e evitar críticas e acusações. “A Petrobras é um orgulho nacional”, afirmou. “É dever, portanto, preservar uma empresa nacional deste porte, desta magnitude, desta envergadura, para que ela sirva sempre aos melhores interesses nacionais. E não prejudicá-la, desgastando-a, criticando-a, acusando-a muitas vezes daquilo que ela não tem culpa. Isto não serve ao País, não serve a ela, não serve a nenhum dos senhores”, disse o ministro. “Este é um País que sabe por onde vai. Basta que seus governantes não o atrapalhem. E ele cuidará de si mesmo, quase que sozinho.”

Seguindo o raciocínio do ministro, a Petrobras está acima de qualquer crítica só porque é uma empresa brasileira. E, por isso, deve ter sua imagem preservada. Ora, que tem a ver a nacionalidade de uma empresa com a idoneidade de seus negócios?

Aliás, a Petrobras deve ser criticada sim, não por ser brasileira, mas por ser uma estatal. Que ‘orgulho’ pode nos trazer uma empresa dessas se nada, absolutamente nada do que ela produz é revertido em benefícios para os brasileiros? A menos que você considere benefício o patrocínio de péssimos filmes, peças de teatro e eventos dito ‘culturais’ – que nada mais são do que pretexto para jogar dinheiro público no lixo (ou encher os bolsos de cineastas que não estão nem aí se o filme fizer sucesso ou não).

Fora isso, sendo a Petrobras nacional, o preço da gasolina nos postos BR deveria ser mais barato. Mas não é. E mais, no mundo inteiro houve uma queda de preços significativa do barril do petróleo, que se reverteu em redução de preços do litro da gasolina. Que fez a Petrobras? Lançou um comunicado dizendo que não iria reduzir preços por que esta é uma decisão política da empresa.

Que orgulho, então, pergunto ao ministro Lobão, deve o brasileiro sentir deste que é o maior e mais inchado cabide de empregos do Brasil? Que a Petrobras tenha lá seus méritos, concordo. Mas isso é motivo para isentá-la de críticas? Só na cabeça de quem possui uma lógica torpe.

Mas concordo com o ministro quando diz que o país cuidaria de si mesmo quase que sozinho, bastando que seus governantes não atrapalhem. Sendo assim, peço então a Lobão que desde já tome a iniciativa dessa declaração e saia de cena o mais rápido possível.

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