Engraçados esses tempos de internet. Você conhece muita gente, trava grandes amizades, faz inimizades, participa de acalorados debates, flerta, briga, faz as pazes, dá bronca, leva bronca, compartilha momentos, etc. E tudo ocorre, muitas vezes, sem um único contato pessoal com nossos interlocutores.
Recentemente tive o enorme prazer de encontrar, pessoalmente, uma dessas amizades virtuais. Conheço-a há uns bons três anos, devido a um antigo trabalho. Ela era meu contato em outra empresa, para quem eu enviava artigos diariamente. Com o tempo, tornou-se uma grande amiga e confidente. Divertida, inteligente, cativante e sempre pronta a falar de qualquer assunto – claro, tem lá seus defeitos, como o horrível gosto por certos tipos de música que eu nem mesmo considero ‘música’. Mas tudo bem.
Inacreditável o quão próximos nos tornamos, sem nunca termos nos conhecido. Celebramos as conquistas um do outro, partilhamos as tristezas, trocamos conselhos e – claro – rimos bastante. Na verdade fazer rir é algo tão intrínseco à sua personalidade que fica impossível manter uma conversa com ela sem ao menos esboçarmos um sorriso. É algo que faz bem à alma.
Kbytes e kbytes de mensagens trocadas, ainda sem nenhum contato pessoal, e parecia que havíamos crescido juntos. Finalmente, três anos depois, conseguimos nos encontrar pessoalmente para um café. Eu não estava em um dos meus melhores momentos, e o apoio e carinho que tive dela na época foi fundamental. Mas foi na segunda vez em que nos encontramos que ela se mostrou ainda mais maravilhosa. No dia anterior eu havia sido acometido de um forte sentimento de auto-piedade devido a alguns problemas que enfrentava, e me sentia o último dos mortais. Naquela noite, ela me veio à mente e resolvi mandar-lhe um e-mail dizendo como me sentia mal e me depreciando em cada palavra. No dia seguinte, ela leu o e-mail e me chamou: “Vamos nos ver hoje? Precisamos conversar“. Fomos.
Assim, quando nos encontramos, ela simplesmente olhou nos meus olhos e disse: “Sabe aquele monte de coisas horríveis que você escreveu sobre si mesmo? Eu concordo com cada palavra“. Para quem esperava um afago ou palavras de consolo, aquilo me atingiu como um murro. E ela continuou: “Você realmente falhou nisso e naquilo, errou neste e naquele ponto. Mas a vida seguiu seu rumo. Portanto, quando vai começar a seguir o seu?“. Naquele momento ela se mostrou muito mais do que uma amiga, pois entendeu que a única coisa que eu não precisava era alguém que dissesse “vai ficar tudo bem” e me tratasse como se eu fosse feito de vidro. Voltei pra casa renovado. Se antes eu já a adorava, naquela noite esse sentimento só aumentou.
Resolvi, então, dedicar este texto à ela. Nem de longe é algo que retribui o que ela já fez por mim, mas aí estão algumas palavras que, por não dizer pessoalmente, recorri à escrita. E ouvindo dia desses o álbum Final Fantasy Pray – o qual já comentei aqui em outro artigo – deparei-me com uma música que descreve perfeitamente a personalidade dela: Once You Meet Her. Fica, então, a singela dedicação desta música como prova do meu eterno afeto e gratidão. Para ouvir basta clicar aqui e, abaixo, segue a letra com uma tradução meio rústica:
| Once You Meet Her
And no one knows it–
Where she came from, where she’s going. And once you meet her,
You will find that something inside is changing.
She’s like a rainbow–
When she comes up, all are lit up.
And when she whispers,
You will hear this: “Don’t chase after rainbows.”
High on a hill, there’s a green meadow.
All around, it’s breezin’,
She’s smilin’,
She’ll let them sing angel songs.
She’s like a fairy
When she’s trembling, when she’s dancing.
Just see her rambling–
How it’s nice to follow her to the end.
You want some meanings of the life,
And go to see her.
Don’t ask her too much–
Oh yes, she’ll be out of your sight
Right over.
High on a hill, there’s a green meadow.
All around, it’s breezin’,
She’s smilin’,
She’ll let them sing angel songs.
Everyone is sad and blue when she is far away.
Don’t you know it’s time to pray she’ll be coming soon?
And you think you hear her voice ringing from above.
And no one knows it–
Where she came from, where she’s going. And once you meet her,
Maybe you’ll stay forever young. |
Quando Você a Conhecer
E ninguém sabe–
De onde ela veio, para onde está indo.
E quando você a conhecer,
Perceberá que algo dentro de si está mudando.
Ela é como o arco-íris–
Quando aparece, tudo se ilumina.
E quando ela sussurra,
Você ouvirá: “Não corra atrás dos arco-íris.”
No alto da colina, existe uma campina verdejante.
Há uma brisa no ar,
Ela está sorrindo,
Ela os deixará cantar as canções dos anjos.
Ela é como uma fada
Quando está tremendo, quando está dançando.
Apenas observe-a caminhar–
Como é bom segui-la até o fim.
Você busca um sentido para a vida,
E vai visitá-la.
Não a questione muito–
Oh sim, ela desaparecerá da sua visão rapidamente.
No alto da colina, existe uma campina verdejante.
Há uma brisa no ar,
Ela está sorrindo,
Ela os deixará cantar as canções dos anjos.
Todos ficam tristes e melancólicos quando ela está longe.
Mas você não sabe que é hora de fazer suas preces, pois ela está voltando?
E você já começa a ouvir sua voz vindo lá de cima.
E ninguém sabe–
De onde ela veio, para onde está indo.
E quando você a conhecer,
Talvez permaneça jovem para sempre. |