Nesta sou obrigado a concordar com o Cristaldo. Entra ano, sai ano e bebidas e alimentos mudam seu status de ‘saudável’ para ‘prejudicial’ da noite pro dia. Até um tempo atrás, ovo era um veneno repleto de colesterol. Depois, descobriram que o colesterol do ovo é bom para a saúde e pronto, todo mundo tem que comer ovo.
Agora a vítima da vez é o vinho. De saudável e benéfico para o coração, tornou-se “altamente cancerígeno”, segundo pesquisa francesa. É preciso ter muita paciência para aturar os resultados estúpidos de pesquisadores imbecis. Resultados esses que amanhã já terão mudado, por sinal. Aliás, outra coisa que me incomoda: Até hoje nunca soube de ninguém que teve problemas de saúde por beber coca-cola, e olha que desde pequeno ouço dizer que isso é um “veneno”.
Que devemos ter alimentação saudável, concordo. Mas como manter essa alimentação baseados nessas pesquisas? Ora um determinado alimento faz bem, ora faz mal. Se formos seguir o que dizem todos os médicos e nutricionistas (que por sinal nunca estão de acordo entre si), é provável que acabemos mais fracos e doentes do que quem se entope de gordura o dia inteiro.
Eu, particularmente, me recuso a comer acompanhado de uma tabelinha nutricional, contando as exatas calorias de cada alimento que coloco no prato: “Puxa, tenho que consumir 0,12 Kcal deste único tomate, então de acordo com a tabela, preciso deixar o palmito de lado”. Ora, isso não é comer, é viver em paranóia com números!
Comer, para mim, é um dos maiores prazeres que vida oferece. Não digo aquele almoço corrido do trabalho, em que se engole qualquer coisa em poucos minutos, mas uma refeição demorada, onde saboreamos o prato que nos apetece com calma, regado a bom vinho e sempre em cumplicidade com alguém que gostamos. Comer é quase um ritual, e não apenas uma forma de saciar a fome e repor as energias.
Que todos esses pesquisadores, médicos e nutricionistas me desculpem, mas cada vez que emitem uma opinião sobre o que se deve ou não comer, minha confiança na ciência despenca vertiginosamente. Se eles – por algum motivo -são contra bebidas alcoólicas, frituras, carnes, massas, molhos, temperos ou refrigerantes, que não os consumam. Mas não venham querer privar o resto da humanidade de tudo isso, sendo que a própria realidade depõe contra essas pesquisas.
Se no fim vamos todos morrer, eu pretendo partir deste mundo feliz e com a certeza de estar gastronomicamente satisfeito.