01/08/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

O Cavaleiro das Trevas

Posted by Emilio Calil On julho - 21 - 2008 2 COMENTARIOS

 

Já foi assistir Batman – O Cavaleiro das Trevas? Se não foi, vá! O filme é realmente tudo o que estão falando por aí e muito mais, portanto, faça um esforço para ver no cinema em vez de esperar o DVD.

Quando assisti Homem de Ferro achei que seria difícil outro filme superá-lo neste ano. Ledo engano. O Cavaleiro das Trevas está anos-luz à frente e o considero, até o momento, a melhor adaptação dos quadrinhos já feita para o cinema. E veja que liderando a minha lista sempre esteve o primeiro Super-Homem com Christopher Reeve, em segundo vinha Homem Aranha 2 e, em terceiro, Homem de Ferro. Mas – paixão pelo Homem de Aço à parte – devo reconhecer que o novo Batman é sensacional. O diretor Christopher Nolan conseguiu realizar um trabalho ainda melhor do que o feito em Batman Begins. Não vou ficar repetindo o que centenas de blogs e sites já disseram, mas cabem alguns comentários.

O Coringa de Heath Ledger está realmente bom? Sim, não há exageros só porque o ator morreu, ele é bom sim. Esqueça a versão do Jack Nicholson e o lance dos produtos químicos na fábrica de baralhos. O novo Coringa é um psicopata, absurdamente insano e assustador. Não é aquele vilão básico que vai preso ou morre no fim do filme. Ele é, em suas próprias palavras, um “agente do caos” cujo único propósito é propagar o terror em Gothan City. Ele não está atrás de riqueza ou recompensas, e é essa motivação insana que o torna o vilão perfeito. Na verdade, o Coringa é uma versão ampliada do personagem Jigsaw, de Jogos Mortais, mas que, em vez de ‘brincar’ com um grupo de pessoas, ele usa a cidade inteira como laboratório.

O Batman de Christian Bale mantém o nível apresentado no primeiro filme, mas agora está mais à vontade seja como Bruce Wayne ou como o homem-morcego. E é fantástico ver o Batman interagindo com o Comissário Gordon e o promotor Harvey Dent num clima de investigação e parceria que nos remete às melhores histórias do personagem nos quadrinhos. Até a tal ‘bat-moto’, que me fez torcer o nariz ao vê-la em fotos (se ele tem um tanque que sobe em telhados, pra quê uma moto?), surge perfeitamente plausível e arranca de você um “ah, bom”.

A trama é relativamente complexa e faz um vai-e-vem com pedaços do primeiro filme, o que exige bastante atenção dos espectadores, principalmente nos diálogos. Falando em diálogos, estes estão fantásticos, especialmente os que ocorrem entre Batman e Coringa. Não existem partes monótonas, pois, quando você não está prestando atenção na história, fica atordoado com as cenas de ação – tudo na dose certa. O filme inteiro é tenso, com um clímax atrás do outro do começo ao fim. É um suspense com doses de terror. Você fica preso à poltrona tentando adivinhar como as coisas vão se desenrolar – e elas se desenrolam da maneira mais imprevisível possível. Batman é levado a enfrentar as conseqüências de sua própria existência e se vê obrigado a tomar algumas decisões que nem sempre são as melhores opções. Não é um filme para crianças, pois não há um ‘super-herói’. Não é colorido e alegre, é triste e monocromático, quase noir.

Cenas que merecem destaque: a seqüência dos dois barcos no rio; o Coringa sendo interrogado pelo Batman; a destruição do hospital e o Coringa fazendo o ‘lápis sumir’. Enfim, reforço o que disse no começo deste texto: Procure assistir O Cavaleiro das Trevas no cinema. Vale cada centavo.

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