03/09/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

O professor e as leis

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 29 - 2008 COMENTAR

Escreve-me o professor Jackson Galvão, comentando meu texto sobre a lei que proíbe a pessoa de fumar dentro do próprio veículo:

Olá.

Compreedo a indignação que se faz frente a liberdade das pessoas de decidirem o melhor para si. E acredito que nem deve ser diferente. Devemos sim entender com clareza os limites que a sociedade tem sobre a individualidade, bem como esta tem sobre a sociedade. E é neste preocupação que a lei retringe o uso do fumo ao estar no volante. O cidadão não é proibido de fazer uso de fumo em seu veículo, desde que não esteja ao volante, colocando em risco, por algum eventual incidente com seu objeto de consumo, a sua vida e dos demais que pela vida transitam, tirando desta forma o direito que as outras pessoas tem de vive e decidir o que é melhor para si.

Os acidentes são inúmeros e hoje o Brasil mata mais pessoas em acidentes de transito do que a guerra do Iraque. São diversos impecílhos como estradas em más condições, pouco ou nenhuma sinalização, veículos em más condições e principalmente a combinação da ingestão alcoólica com o volante que correspodem a cerca de 60% dos acidentes de transito. Ou seja, o que vemos é pura irresponsabilidade. Realmente, o que precisamos não são de leis. O que precisamos é de EDUCAÇÃO; e o que na realidade temos são escolas superlotadas, altos salários para políticos e professores mal remunerados (e digo isto por eu, que às vezes fico 5 mêses sem receber) e de brinde (óbvio) um povo que não presa por valores simples e sensatos como o respeito a VIDA, . Se a tivéssemos, não precisaríamos de nenhuma lei, pois saberíamos nosso limites.

Abraços!

Prof. Jackson

Meu caro professor, entendo tua colocação, mas permita-me discordar. Mostra-me, então, pesquisa que indique ser o cigarro grande causador de acidentes no trânsito. Conheces alguém que bateu o carro por fumar ao volante? E, como indaguei anteriormente, por que só o cigarro? Uma pessoa não pode se distrair ao volante chupando pirulito, mascando chiclete, conversando ou até trocando a estação do rádio? Proibamos tudo isso, também! Essa lei por si só não se sustenta, não se justifica. Uma lei que tenta prever casos hipotéticos não é lei, é cerceamento de liberdade. O jornalista Reinaldo Azevedo fez boa analogia sobre assunto parecido dizendo que, para prevenir o câncer de mama, melhor amputar os seios de todas as mulheres do mundo e pronto, a doença se extingue.

Já teu segundo parágrafo é mais coerente, professor. Concordo que péssimas estradas, má sinalização e veículos em condições duvidosas – fora o álcool – são fortes causadores de acidentes. Mas não achas engraçado que todos esses itens são de responsabilidade do governo? Ora, se o governo não oferece boas estradas, não mantém sinalizações visíveis, não inspeciona os carros nem verifica se o motorista está embriagado, como pode esse mesmo governo exigir que não se fume dentro do carro para evitar acidentes? Fizesse o governo a parte que lhe cabe, não contaríamos mais mortos do que os países em guerra.

E concordo novamente quando diz que não precisamos de mais leis. De fato, as temos até demais. Um povo cônscio de suas responsabilidades não precisaria de tantas leis para exercer direitos e deveres. Bastaria, como disseste, professor, a educação e o respeito mútuo. Mas “nenhuma lei” não é exagero? Nem eu, que sou contra a onipresença do governo em nossas vidas, chegaria a ponto tão anárquico. Mesmo em países civilizados existem leis para manter a ordem. A diferença é que lá essas leis funcionam e são respeitadas.

Por fim, também compreendo tua frustração ao ver políticos corruptos milionários enquanto temos professores jogados ao relento da educação do país. Mas essa é a idéia, quanto menos cultura, menos conhecimento e menos educação, os governantes que aí estão têm voto garantido. O mínimo de discernimento político faria a população expulsá-los a pontapés. Cinco meses sem receber salário? No mínimo, frustrante. Já passei por experiência semelhante e sei o que é isso. Solidarizo-me.

Mas veja bem, professor. Em tuas mãos está parte do poder para reverter esse quadro. A ti foi confiado o futuro do país. Tens a capacidade de ajudar na formação de jovens mentes que serão eleitores – se é que já não são. Teus dissabores devem servir de exemplo para fazê-los buscar cada vez mais conhecimento, apesar de todas as dificuldades. Em ti, professor, está o embrião de novos políticos, artistas, jornalistas, médicos ou advogados. Por isso, professor, peço-te humildemente uma coisa. Não sei qual matéria leciona, nem para qual idade de alunos, mas “impecílhos” e “mêses“, entre outras, não são palavras que se espera de um educador. Rogo que não seja isso que ensina a teus alunos, do contrário, o problema com a educação é mais sério do que imagina.

De bula de remédio à Barsa

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 26 - 2008 1 COMENTARIO

Um amigo me perguntou certa vez: “Você escreve bem, o que eu preciso fazer para conseguir escrever como você”? Bem, não há resposta correta para essa pergunta, pois saliento que estou longe de escrever bem. Tenho, de fato, procurado melhorar com o tempo e o blog é ótimo exercício, mas relendo meus textos percebo inconsistências e contradições, às vezes até em crônicas seguidas. Falta muito para manter uma linha de raciocínio coesa e um estilo próprio, constante. Dou muitas derrapadas.

Ainda dentro da pergunta desse amigo, eu diria que se você prestou atenção nas aulas de português na escola e fazia suas redações (aquelas com o tema “Minhas Férias”), no mínimo aprendeu o básico para se expressar corretamente. O resto é evolução com a prática. E se não praticar, não evolui. Além disso, há o fato que considero o mais importante para se escrever bem: ler.

Ler é fundamental. Ler muito e sobre todos os assuntos possíveis. Afinal, se você não lê, como poderá escrever? Fica limitado a um vocabulário de meia-dúzia de palavras e, a bem da verdade, torna-se praticamente um semi-analfabeto. Há quem considere analfabeta a pessoa que não domina ao menos três idiomas. Não deixam de ter sua razão, mas para o momento fiquemos no português. A leitura liberta dos grilhões da barbárie e refina o intelecto, despojando-nos de idéias que só encontram existência em mentes tacanhas. Não que a leitura nos faz mudar de opinião a todo instante (como a ridícula “metamorfose ambulante” do Seixas), pelo contrário, ela pode até reforçar uma opinião já concebida. E mesmo que mude, fará isso com embasamento, comparando idéias e não apenas com ‘achismos’.

Desde pequeno sempre li de tudo. Gostava de ler quadrinhos, almanaques, enciclopédias e alguns livros. Lia por ler e aprendia alguma coisa. Aliada a isso, uma sede por conhecimentos espirituais. Enveredei por leituras de religiões e filosofias. Conheci Sócrates e Platão, flertei com Blavatsky, estudei geometria sagrada, cabala e me diverti com Lobsang Rampa. Não eram leituras que um garoto da minha idade se interessaria, mas lá estava eu devorando-as. Cresci e joguei tudo isso pra trás. Dessa fase ficou apenas um livro que lista entre meus favoritos, de tanto que li e reli: Deuses e Astronautas no Antigo Oriente, de W. Raymond Drake. Ele embarca na sandice sobre deuses da antiguidade serem extraterrestres. A afirmação usa figuras duvidosas, como Adamski, para creditar a tese. Um festival de besteiras sem igual, mas escrito de forma tão apaixonada que recomendo a quem deseja criar roteiros de ficção. Abaixo, a introdução:

Naqueles tempos maravilhosos em que a Terra era jovem e a natureza resplendia de novidade, seres celestiais desceram das estrelas para ensinar as artes da civilização ao homem simples, criando a Idade do Ouro cantada por todos os poetas da antiguidade. Durante séculos a humanidade gozou duma cultura brilhante e prosperou sob o governo benigno dos reis espaciais, que possuíam uma ciência psíquica afinada com as forças do universo e os poderes existentes dentro da alma humana. Esses seres adoravam o Sol, o divino Andrógino, símbolo do Criador; faziam ensinamentos sobre a vida depois da morte, a reencarnação, a ascensão através da existência em diferentes dimensões até a união com Deus. Em ocasiões especiais desciam à Terra e compartilhavam seus arcanos secretos e sua tecnologia com os iniciados eleitos.

Prosseguindo as leituras, fiquei bom tempo preso na ficção, sendo Tolkien e Asimov meus favoritos, seguidos por Stephen King. Li O Senhor dos Anéis umas oito vezes antes que sonhassem em fazer o filme. Depois que chegou às telas, perdi o interesse. A popularização de certas obras literárias rouba-lhes o encanto. Mesmo assim, fossem os ‘hobbits’ introduzidos nas escolas brasileiras, o interesse da molecada por livros seria outro e os poupariam de Jorge Amado. Nesse ponto Harry Potter tem lá seus méritos, apesar de tudo.

Acontece que para efeito de aprimoramento intelectual a ficção tem seus limites. Ela diverte, entretém e até questiona, mas não vai muito longe. Chega um momento em que parece estagnar e você se sente impelido a beber em outras fontes. Já não basta apenas ler, mas ler algo a mais, que acrescente reais conhecimentos. Nada contra a ficção, ainda leio um ou outro livro do gênero, sem falar que Verne, Dickens ou Cervantes são atemporais. Apenas percebi que ficaria preso num círculo se não buscasse novos autores, novos textos e novas idéias. E nessa peregrinação literária é mais do que óbvio que a pessoa adquire mais cultura, enriquece o vocabulário e, se gostar de escrever, aperfeiçoa o estilo. Nem é necessário publicar um livro para mostrar erudição, mas num simples bate-papo ou mesmo em blogs nota-se a diferença.

Ouvi certa vez que se você quer crescer na vida, deve travar contato com pessoas de nível sócio-cultural igual ou superior ao seu. Pode parecer afirmação preconceituosa, mas tem fundamento. Se quiser aprender, busca quem sabe mais do que você. E para falar de igual para igual com essa pessoa, deve ampliar seus conhecimentos. Uma coisa puxa a outra.

Hoje procuro ler sobre os mais variados assuntos. Estou na metade de Infiel, autobiografia de Ayan Hirsi Ali, e já tenho em mira mais dois ou três livros que pretendo comprar, entre eles Cartas Vienenses, compilação dos escritos de Mozart. Fora a leitura no papel, recorro diariamente à web. Gosto de perambular pelos sites dos mais famosos jornais de outros países como o Corriere della Sera, da Itália, o El Pais, da Espanha, e o Le Monde, da França. Não que eu fale espanhol, italiano ou francês, mas alguma coisa dá pra entender. E sempre é bom ler textos em língua estrangeira. Esses três sites, mais a Folha, o Estadão e alguns blogs são parada obrigatória de manhã antes de começar a trabalhar.

Assim, retornando ao primeiro parágrafo e à pergunta desse meu amigo, a única dica que posso oferecer é a de ler cada vez mais, mesmo. De crônicas políticas a poesias; de bula de remédio aos compêndios da Barsa; de histórias em quadrinhos a revistas científicas – tudo é válido. Um povo que não tem apreço pela leitura não pode ser chamado de civilizado e, conseqüentemente, seu país não merece o titulo de nação.

Uma noite no Municipal

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 22 - 2008 2 COMENTARIOS

Nesta quinta-feira dediquei-me a atividade que há tempos estava ensaiando, mas nunca me sobrava tempo. Cedendo ao convite de amigos, fomos ao Teatro Municipal assistir a apresentação do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Experiência magnífica.

Primeiro, pelo próprio Municipal, que enche os olhos. Estou tão acostumado a criticar São Paulo e o Brasil que às vezes esqueço que há coisas belas por aqui, também. O Teatro é lindo e transporta você para outras épocas. A sensação de imaginar as pessoas que já passaram por ali, desde a fundação, em 1911, é mágica. E a história escorre pelas paredes do lugar. Se você nunca foi, vá. Não se arrependerá.

Em segundo, claro, pelo próprio Quarteto, composto por Betina Stegmann (violino), Nelson Rios (violino), Marcelo Jaffé (viola) e Robert Suetholz (violoncelo). Destaque para Betina, que fazia seu violino criar vida de forma tão suave que dava a impressão de sequer encostar o arco nas cordas. Na apresentação, tocaram o Quarteto nº 2 do compositor brasileiro Cesar Guerra-Peixe (1914-1993), contemporâneo de Villa-Lobos (1899-1959), e A Morte e a Donzela, de Franz Schubert (1797-1828). Confesso que não conhecia Guerra-Peixe e como primeira impressão não me agradou. A peça era uma mistura de estilos em alternância constante, chegando quase à cacofonia. Os instrumentos pareciam não se entender. Depois me disseram que essa música não foi composta para ser realmente harmoniosa, mas para incorporar estilos musicais brasileiros a sinfonias e testar a habilidade do músico – é quase um forró com instrumentos clássicos. Mas me garantiram que o compositor tem outras obras belíssimas, “estas sim com harmonia”, disseram, então darei outra chance a Guerra-Peixe qualquer hora.

Mas quando começaram Schubert a diferença foi gritante. Execução impecável, de arrepiar, mesmo. Tocaram quatro movimentos da peça e tudo transcorreu de forma tão suave e integrada que, às vezes, não se percebia a troca de um movimento para outro. Marcelo Jaffé aproveitava as pausas para contar um pouco sobre a vida dos dois compositores em destaque na noite, o que achei excelente, pois dava ao público uma visão geral da época em que eles viveram e do porquê criaram tais obras. Triste foi notar o teatro vazio. Havia bastante gente, sim, mas as cadeiras vazias estavam em maior número. O leitor deve estar pensando que desembolsei uma pequena fortuna lá e, por isso, não é programa para as massas. Bem, esta hora e vinte de música sublime me custou R$ 10. Um ingresso para um jogo de futebol está na faixa dos R$ 20 (R$ 60 os mais caros) e os estádios vivem lotados, portanto preço não é desculpa. E não havia exigência de trajes específicos, ou seja, você podia ir de jeans e camiseta ou de terno – a escolha era sua. Aliás, vi muita molecada de piercing, tatuagem e cabelos esquisitos lá. E, se não me engano, também vi o prefeito Kassab.

Na saída, como nem tudo é perfeito, queríamos ficar conversando um pouco na escadaria do Municipal e aproveitar a brisa refrescante pós-chuva. Infelizmente, a abordagem constante de pedintes e sujeitos embriagados nos forçou a apressar as despedidas. Estávamos no Brasil, apesar de tudo – claro que eu não deixaria escapar essa farpa.

Mas fica a sugestão para um programa de classe, culturalmente rico, emocionante e barato. Afinal, acredito que todos possam abrir mão de R$ 10 uma vez por mês, que seja, para apreciar boa música. Devo voltar lá mais vezes e farei saber os dias. Quem quiser aparecer por lá, já está convidado.

Mendigos não admitem concorrência

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 18 - 2008 2 COMENTARIOS

Parado no farol a caminho do trabalho, percebi de longe os famosos ‘bichos’ das faculdades pedindo dinheiro entre os carros. Divertido ver essa molecada tingida de guache dos pés à cabeça implorando centavos aos motoristas. O dinheiro obtido, claro, não será usufruído pelos ‘bichos’, mas pelos veteranos que torrarão tudo no bar mais próximo. A chance dos ‘bichos’ de enveredarem-se pelos bares terá que esperar o ano que vem, quando estes poderão ir à forra contra novos calouros.

Gosto desse clima festeiro que funciona como ritual de iniciação para uma nova fase da vida. Claro, não me agrada ter o cabelo pintado (como já tive), mas faz parte da brincadeira, que se há de fazer? Entretanto, o que me chamou a atenção não foram os garotos e garotas multicoloridos correndo entre os carros, mas um sisudo mendigo que, apoiado em uma bengala, vinha xingando a molecada. Ele estava irado porque os estudantes pediam dinheiro em “seu” semáforo. Bufando, bradava: “Vão pedir dinheiro em outro lugar, esse farol é meu! Sou deficiente!”

Sem querer duvidar da veracidade da deficiência do cidadão, mas eu não consideraria um andar ligeiramente manco como incapacidade de exercer qualquer profissão – nem que fosse para vender balas. Afinal, à exceção de uma das pernas, o homem parecia perfeitamente saudável e ainda era jovem. Meu avô também tinha problemas nas pernas e andava com bengala, mas, aposentado, dedicava-se a desenhar, pintar e fazer belíssimos modelos em madeira dos antigos bondes de São Paulo. Não ganhava dinheiro com isso, mas não lhe faltavam encomendas. Ele não vendia porque não queria.

Ainda sobre o ocorrido, o mendigo de hoje lembrou-me de outros dois, nesse mesmo local, numa tarde de domingo do ano passado. Eram um casal. O homem, já com idade avançada e completamente bêbado, dirigiu-se a um dos carros para pedir dinheiro. Mal parava em pé e balbuciava algo indecifrável. A mulher, também com certa idade e também bêbada, vendo a cena do outro lado da rua, apanhou um bloco de concreto e veio correndo em direção ao homem, dizendo que ele estava invadindo o “espaço dela” e que não poderia pedir dinheiro ali. Ela arremessou a pedra (acho que era um pedaço da calçada) diretamente no peito do homem, que caiu sentado. Caiu mais por cauda da bebedeira do que por causa da pedra, já que a mulher não tinha forças para um grande ataque.

Engraçado notar como os mendigos defendem com unhas e dentes os locais públicos como se fossem propriedade privada. Se reclamar com algum deles por dormirem na porta da sua casa, ouvirá que a rua é pública e eles têm o direito de ficar aonde bem entenderem. Mas ai de você se resolver ficar em algum lugar que possa lhes prejudicar os ‘negócios’, ainda que seja também um local público. E nem pense em utilizar o mesmo argumento em sua defesa. Eles têm a ‘vantagem’ de se auto-inferiorizar e, por isso, tornam-se superiores. Dois pesos, duas medidas.

Se há algo que me recuso a dar, é esmola. Ainda mais quando vejo que o pedinte não a merece. Sejam crianças seminuas cujas mães lhes ordenam a mendigar enquanto ficam sentadas na calçada ou sujeitos até mais bem nutridos do que eu e que me chamam de “tio”, não dou uma moeda. Mas corta-me o coração ver velhinhos (desses que até a água precisa ser moída para beberem) em situação de necessidade e, mesmo assim, vendendo alguma coisinha em vez de mendigar. Aqueles que pedem por pedir, sem se preocupar em fazer por merecer, deveriam olhar para esses velhinhos arrastando pesadas malas e sentirem vergonha de si próprios.

Violência: Relógios devem ser atrasados em 1 hora

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 17 - 2008 COMENTAR


Manchete do site da Folha de S. Paulo deste domingo, a respeito do horário de verão. Fato que o país está cada vez mais violento, mas jamais pensei que a simples ação de atrasar os relógios pudesse ser considerada violência. Triste país este nosso.

Preciso de um dia de 96 horas

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 13 - 2008 COMENTAR

Semana agitadíssima. Parece que todas as pendências iniciadas desde a criação do universo precisam ser resolvidas até sexta-feira. Portanto, textos novos por aqui só na semana que vem. Não por falta de inspiração, mas por falta de tempo, mesmo. Claro, se alguém se habilitar a me pagar um salário de R$ 15 mil apenas para ficar escrevendo aqui, não vou reclamar.

Mas publiquei em meu outro blog uma nota a respeito do lançamento da campanha (RED) da Dell e Microsoft para combater a AIDS da África. O site da campanha você vê aqui.

Mil gols, mil carnavais

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 6 - 2008 1 COMENTARIO

Nesses dias de feriado de carnaval, tudo o que eu queria era ter o mínimo de informações possíveis sobre carnaval. Recusei-me a ler, ouvir ou assistir qualquer coisa que fizesse menção a esse festejo imbecil do brasileiro. Gastei esses dias fazendo coisas que realmente me aprazem ao lado das pessoas que gosto. Verdade que tive que trabalhar quase todos os dias, mas trabalhei na tranqüilidade de casa.

Voltando ao carnaval, a gente nunca sabe quando será pego de surpresa por demonstrações de total falta de inteligência. Tudo bem, carnaval por si só é demonstração de total falta de inteligência, mas às vezes ocorrem ações combinadas que servem de prova cabal contra a teoria evolucionista de Darwin.

Como disse, fugi de toda e qualquer referência carnavalesca nesses dias, à exceção de poucos minutos na noite da segunda-feira. Iríamos assistir ao DVD de Piratas do Caribe: No Fim do Mundo. Antes do filme, aqueles últimos preparativos: um vai pegar a pipoca, outro o refrigerante, um terceiro vai ao banheiro, etc. Nesse vai-e-vem, acabei ficando sozinho no sofá por alguns minutos. E, sozinho, comecei a zapear os canais antes de começar o filme. Nisso, deparo com um desses programas de entrevistas, totalmente focado no carnaval. Pensei em assistir aos trailers do DVD enquanto aguardava, mas resolvi ver um pouco do programa. Afinal, que mal faria?

No programa, uma menina totalmente descerebrada entrevistava o jogador Romário, em um camarote no Rio. Com uma entrevistadora daquelas e um entrevistado daqueles, melhor seria ver estáticas na TV. Mas tudo bem, vamos dar chance à moça, pensei. De repente, a menina solta a pérola: “Romário, mil gols você já conseguiu, será que agora vai participar de mil carnavais?”

Sou contra a obrigatoriedade de diploma de jornalismo. Tenaz defensor da idéia de que qualquer pessoa pode exercer essa profissão sem precisar de faculdade, quase repensei minha posição ante aquela pergunta cretina. Mas, enfim, o que a menina estava fazendo ali não era jornalismo e a opinião de alguém como Romário também não serve pra nada. Além disso, era carnaval, o que serve como atenuante. Futilidade por futilidade, o idiota fui eu, que resolveu ver a entrevista.

Pelo menos Piratas do Caribe foi bom. Mas algo me incomoda até agora. Se, fugindo a todas as notícias de carnaval, presenciei tamanha imbecilidade em poucos minutos, o que será que eu não devo ter perdido nos outros dias?

Meu conceito de um bom carnaval

Posted by Emilio Calil On fevereiro - 4 - 2008 1 COMENTARIO

Estou em casa, frente ao micro, aproveitando esta segunda-feira de carnaval para adiantar alguns trabalhos freelancer. Pela janela do quarto entra uma brisa gelada e, quando olho para fora, vejo as gotas de chuva tamborilando nas plantas do jardim, que assume uma cor verde escura e com ar de ‘saúde’. Não sei por que, sempre associei vegetação molhada a algo saudável.

O frio é agradável e a luminosidade do dia cinzento transmite profunda sensação de paz. Ficaria horas olhando a janela sem me queixar. À minha frente, um bom livro que pretendo adiantar a leitura mais à noite. À esquerda, videogames esperando para serem jogados. Com sorte (e tempo), conseguirei aventurar-me em alguns joguinhos.

Enquanto trabalho, ouço a suave trilha sonora que Hans Zimmer compôs para O Amor Não Tira Férias (The Holiday), filme de Nancy Meyers, a mesma diretora de Alguém Tem Que Ceder – aliás, recomendo esses dois filmes. A música de Zimmer encaixa perfeitamente com o dia de hoje. Logo mais pegarei minha noiva e vamos bater perna em algum lugar – provavelmente um shopping – tomaremos um café e aproveitaremos esta São Paulo deserta.

Não há carnaval melhor do que este. Samba? Desfiles? Bagunça? Desculpe, não sei do que você está falando.

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