Uma coisa que me diverte muito é o apelido que as pessoas dão a certos restaurantes. Não sei exatamente como esses apelidos surgem – às vezes é um comentário irônico e que acaba ‘pegando’ entre os amigos. Seja como for, até no seriado Seinfeld essa questão de rebatizar restaurantes foi abordada – lembram do ‘Nazista da Sopa’?
Aqui na região de Perdizes, onde trabalho, há uma tradição na empresa em apelidar restaurantes novos que o pessoal da equipe descobre. Como esta é uma área nobre, almoçar torna-se um desafio para evitar lugares caros. Assim, geralmente existe algum desbravador que se envereda por ruas desconhecidas para trazer a notícia de algum restaurante acessível para almoçar. Acessível, porém, com algum detalhe peculiar que lhe renda o apelido.
Outro dia estávamos decidindo aonde iríamos almoçar e começaram as sugestões: “Vamos na Tia Louca?”, “Não, o Varanda do Terror é mais perto.”, “Eu queria comer massa, acho que vou lá na Cantina Bizarra“.
Fiquei rindo sozinho ao ouvir essa conversa e confesso que quem não está habituado à nossa nomenclatura peculiar para restaurantes pode achar que comemos asa de morcego, olho de lagarto ou patas de aranha. Mas esses apelidos são apenas nomes carinhosos para nossos restaurantes favoritos.
Vejamos, a “Tia Louca” é um restaurante por quilo com um ambiente familiar – tão familiar que é capaz de você se envolver nas brigas de família dos donos (a Tia Louca, o Tio Louco, a Filha Louca e o Filho Louco). Ah, e como esquecer o enorme pôster, datado de mil novecentos e sessenta e pouco, da Tia Louca agarrada ao “rei” Roberto Carlos?
Desconheço a origem do nome “Varanda do Terror”. Talvez seja um trocadilho com o nome real – “Varanda do Sabor” – ou porque alguém alguma vez pode ter tido alguma experiência aterradora ali. Também é um restaurante por quilo e a comida é boa. Ultimamente tem sido minha preferência.
Já a “Cantina Bizarra” é… hã… realmente bizarra. É uma cantina italiana típica – inclusive fiquei sabendo que serviu de lavagem de dinheiro para a Máfia há muitos anos. O dono, um italiano típico, esbanja grosseria na tentativa de atender educadamente seus clientes. Certa vez estávamos em umas dez pessoas e nossos pedidos atrasaram um pouco. Chega então o dono para resolver o problema. Sacou o bloquinho de notas e foi conferindo os pedidos. Levantei a mão para pedir uma coca e ele prontamente recusou-se a anotar: “Não! Estou aqui para ver quem está sem comida e não sem bebida. Para pedir bebida tem que falar com o Pelé. Pelé! Traz a coca do rapaz aqui!”. Pelé é um dos garçons. Na hora de pagar, a maquininha de cartão estava com a pilha fraca. E antes de trocar a pilha, o dono xingou, bateu nela, reclamou que estava com defeito e então gritou: “Pelé, cadê as pilhas dessa porcaria?”
Mas esses lugares não são exclusivos daqui da região. Quando trabalhei no Tatuapé, havia um restaurante apelidado de “Crazy Witch”. Também naquela época, às quintas-feiras, era comum irmos à Praça do Bom Parto comer fogaça numa barraca de feira. Parafraseando Seinfeld, o dono poderia ser descrito como o “Nazista da Fogaça”. Você só podia fazer um pedido por vez, senão ele se irritava. Certa vez pedi duas fogaças e ele, bufando, reclamou: “Você vai comer as duas ao mesmo tempo? Não. Então pede uma, come, e depois pede outra. Senão atrasa os pedidos das outras pessoas e a fogaça fica aí parada, esfriando”. Um verdadeiro gentleman.
Meu irmão também conta de um restaurante próximo à Rua Funchal o qual era conhecido por “Azia’s”. E alguns restaurantes sequer precisam de apelidos. Lá na região da Av. Berrini, próximo ao Centro Empresarial Nações Unidas, há um bonito café chamado “Garfus”. Se você andar uns três quarteirões, encontrará estabelecimento parecido chamado “Pratus”. Ainda não encontrei o “Copus”, mas com certeza deve estar por ali, em algum lugar.
