Voltava para casa ontem à noite. Eram umas 18h45 e eu estava parado no trânsito da hora do rush, no viaduto que conduz à Radial Leste, depois do bairro da Liberdade. Congestionamento corriqueiro: carros parados e mau humor.
À minha frente ia um Peugeot. Quando recomeçamos a andar surge, sabe-se lá de onde, um indivíduo na passarela do viaduto. O sujeito simplesmente salta a mureta de proteção e resolve atravessar para o outro lado, correndo no meio dos carros. O Peugeot por pouco não atropela o imbecil, mas houve uma troca rápida de xingamentos entre os dois.
Inconformado com o quase atropelamento (e considerando-se absolutamente na razão), o rapaz, exaltado, procura alguma coisa no chão para atirar no carro. Não encontra nada além de uma pequena pedrinha, então volta correndo, dá um salto e esmurra a janela do Peugeot – tudo isso no meio do trânsito, arriscando-se a ser atropelado novamente. O máximo que conseguiu com isso, imagino, foi machucar a mão. Sentido-se satisfeito, o indivíduo desapareceu.
O motorista do Peugeot, irritado, tentou sair com o carro e acabou batendo no da frente. Por sorte, não houve dano algum e ambos seguiram seu caminho.
A coisa toda não durou mais do que três minutos.
Você tem esperança que nosso país se desenvolva? Acredita quando dizem que o Brasil é o país do futuro? Acha realmente que em países de Primeiro Mundo eles têm tantos problemas como nós? Então é hora de abrir os olhos e deixar de se auto-iludir.
Estamos a anos-luz de sermos uma “civilização” no real sentido da palavra. Trocássemos nossas vestimentas por peles de animais e brandíssemos tacapes no meio da rua, pouco se notaria a diferença.
Antes de querer resolver problemas de origem humana, é necessário sermos humanos. E a meu ver, no momento ainda chafurdamos na lama como animais.
