03/09/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

Dia lindo

Posted by Emilio Calil On abril - 27 - 2007 5 COMENTARIOS

Nesta sexta-feira, 27 de abril, meu coração se alegra ao olhar pela janela e ver um maravilhoso céu cinzento com forte garoa sobre a cidade. Adoro dias assim.

“Você faz parte da Família Adams”, disse-me minha noiva. Talvez. Não sei se consigo explicar o inexplicável, mas é vero que muito me agradam dias frios, chuvosos e cinzentos – talvez daí venha minha predileção pelo continente europeu: Inglaterra e Escócia, por exemplo, possuem esse clima em quase 70% do ano.

Difícil transmitir aos leitores, em especial aos que adoram sol, calor e praia, que os chamados dias “feios” possuem também seu lado de beleza. Em especial quando surgem nos finais de semana. Segundo a previsão, sábado, domingo e segunda também deverão ficar assim. E com um feriado a caminho, nada melhor.

Adoro ficar em casa. E com dias assim, não se faz necessário utilizar de nenhuma desculpa ou subterfúgio para tal. Basta abrir janela e pronto, todos os planos do fim de semana deverão ser repensados.

Ver um filme, ler um livro, jogar videogame e, claro, comer bastante. Sem dúvida os próximos dias prometem ser bons.

Com esse calor insuportável que nos vem cercando há meses, fazendo 30 graus no outono, recebo de braços abertos esses poucos momentos de alívio e frescor.

Aproxima-se a o inverno. Se ele será tão quente quanto está sendo este outono, não sei dizer. É provável. Mas não custa esperar por dias verdadeiramente frios, daqueles que endurecem o rosto só de sair às ruas.

Ao menos, ajudaria a impedir que jaquetas e agasalhos acabem mofando.

Lagarto saltitante

Posted by Emilio Calil On abril - 13 - 2007 4 COMENTARIOS

Não importa quantas vezes eu assista, nunca vou me cansar disso:

Festival de besteiras

Posted by Emilio Calil On abril - 9 - 2007 22 COMENTARIOS

Ano passado escrevi um texto desmentindo uma mensagem que circulou por um tempo nos e-mails de muita gente, na qual se avisava que o 13º salário seria extinto. Pura bobagem que não tinha utilidade nenhuma a não ser se beneficiar de leitores desavisados e fazer-lhes a cabeça para se tornarem adeptos dos terroristas partidos de esquerda.

Agora, uma idiotice semelhante chamou minha atenção na última semana, forçando-me a pesquisar melhor um assunto que, apesar de ridículo, merece uma explicação para que os ingênuos não saiam por aí acreditando em engodos infantis sem nem mesmo procurar saber se a informação que lhes chega é verídica.

Para vocês entenderem: Conversava com minha noiva semana passada e ela me perguntou se eu conhecia a história da Hello Kitty. “Que história?”, perguntei. “A história de uma mulher que tinha um filho com câncer na boca e vendeu a alma para curá-lo e, em troca, criou a Hello Kitty como uma marca para espalhar pelo mundo a imagem do mal”. É provável que vocês, leitores, já tenham ouvido falar nisso, mas para mim a coisa era novidade. Tudo começou porque minha noiva colocou um papel de parede da Hello Kitty no micro do trabalho, e seus colegas a advertiram sobre a “verdadeira” história por trás da tal gata.

Comecei, então, uma busca sobre o assunto e encontrei a seguinte explicação, perdida em um site:

Havia uma menina de cerca de 14 anos q estava em fase terminal de câncer de boca. Os médicos já haviam tirado todas as esperanças da família em relação à cura da garotinha.

A mãe da menina, desesperada, tomou uma decisão insana. Fez um pacto com o demônio: consagrou a menina ao demônio para que ele a curasse e, como promessa, criaria uma marca que afetaria todo o mundo (no caso, a Hello Kitty).

Posteriormente o demônio curou a garotinha, e a mãe cumpriu o que havia prometido: criou a Hello Kitty.

A palavra Hello, em inglês, quer dizer “olá”, e a palavra Kitty, de origem chinesa, quer dizer “demônio”. Logo, Hello Kitty quer dizer: “Olá demônio”.

Vocês podem perceber que a Hello Kitty não tem boca, devido ao caso da garotinha ter o câncer de boca.

A Hello Kitty é um símbolo da Nova Era. A Nova Era é uma seita que vai contra todos os princípios de Deus. Ela busca criar símbolos “bonitinhos” para agradar a todos.

Esse texto é uma das coisas mais absurdas e desconexas que já li. Um verdadeiro festival de besteiras cujo único propósito me parece ser desacreditar a Sanrio, empresa detentora da marca da Hello Kitty. Em primeiro lugar, não existe referência a essa história em lugar algum a não ser sites brasileiros. Procurei em sites americanos, franceses, espanhóis e italianos e nada. Para uma história que se pretende verídica, o mínimo que se espera é que tenha repercussão mundial. Ou será que nós, brasileiros, fomos os únicos a ter acesso a tal revelação?

Nutro esperanças de que nenhum brasileiro se aventure a divulgar essa besteira em outros países e nos faça passar vergonha, pois, já disse aqui antes que nós não monopolizamos a estupidez, mas nos esforçamos para conquistar esse título.

Voltando à história da Hello Kitty, diverte o fato de misturarem dois idiomas diferentes (inglês e chinês) para explicarem a origem do nome da gata. A tradução de “hello” está certa, mas o “kitty” é de doer – especialmente porque a empresa Sanrio é japonesa. Ainda assim, existem duas palavras que significam demônio em chinês: “wu gui” e “wu mo”. A primeira é composta pelos ideogramas que significam “mal” + “diabo”. A segunda é composta por “mal” + “magia”. Em mandarim são “e-gui” e “e-mo”. A palavra “kitty” não significa demônio em nenhum idioma do planeta.

O fato da Hello Kitty não ter boca é outra palhaçada. Quem conhece desenhos japoneses sabe que muitas vezes os artistas suprimem a boca dos personagens para destacar a expressão nos olhos – a boca fica subentendia. É coisa comum por lá. Desde a primeira vez que vi o desenho da tal gata, jamais pensei que ela não tinha boca, mas sim que estava de boca fechada. A imagem ao lado mostra que, quando necessário, a gata usa sua boca.

O último parágrafo, que faz referência à “nova era”, parece estar ali gratuitamente. Não é auto-explicativo e nem possui referência que justifique tal afirmação. Triste é ver menções a Deus em besteiras assim, apenas para tentar dar credibilidade às insanidades.

Em tempo: A Hello Kitty é o bem sucedido resultado do trabalho da designer Ikuko Shimizu para a empresa Sanrio, sediada em Tóquio, Japão. Os primeiros itens foram lançados no mercado em 01 de novembro de 1974. Um ano depois, Ikuko Shimizu deixou a empresa e foi substituída por Setsuko Yonekuboe. Desde 1980 a responsabilidade pelo design da personagem é de Yuko Yamaguchi.

Fica claro que essa mensagem absurda é uma forma de protesto contra o sucesso da marca. Não é novidade, especialmente no Brasil. Estamos tão acostumados à corrupção e mediocridade que, quando um conhecido é promovido na empresa ou alcança um sucesso financeiro, perguntamos quem ele roubou para chegar aonde chegou. Mérito próprio, esforço, dedicação, reconhecimento pelo trabalho e até uma bênção estão fora de questão.

O mesmo vale para outras marcas famosas. O fato de multinacionais como Coca-Cola e Microsoft serem detentoras de enorme sucesso econômico só pode ser porque seus líderes fizeram algum pacto maligno para serem bem sucedidos. Já que nós não temos capacidade para nos igualar a eles, atiremos pedras.

Não digo que não existam pessoas que façam pactos ou vendam a alma visando sucesso pessoal – afinal, o que não falta no mundo é a tendência para o mal. Mas estes são pobres coitados que chafurdam em sua própria desgraça. Entretanto, cabe o mínimo de bom senso a quem se pretende culto e civilizado para discernir uma história verdadeira de um boato ridículo e sem fundamento.

Portanto, se você está com medo de usar uma mochila da Hello Kitty ou vira o rosto quando vê a imagem da gata estampada em algum lugar, pode respirar aliviado. Ela é apenas fruto de uma idéia de marketing. Seria bom se nós, antes de amaldiçoarmos as trevas, lembrássemos primeiro de agradecer pela luz.

Foto: Cartoon Network

A ironia do Big Brother

Posted by Emilio Calil On abril - 3 - 2007 2 COMENTARIOS

Não, não me refiro ao emburrecedor programa de televisão onde meia-dúzia de retardados passam semanas enclausurados em uma prisão de luxo emitindo pérolas de sabedoria uma atrás da outra, enquanto a população os assiste hipnotizada.

Falo do verdadeiro Big Brother – ou o “Grande Irmão” – criado no livro 1984, de George Orwell – e que, tristemente, acabou originando o programa de TV.

Quem diria, a casa do famoso escritor, situada em Londres, hoje é vigiada por nada menos que 32 câmeras de segurança. Vítima de sua própria criação, Orwell deve estar se virando no túmulo.

Segundo um levantamento feito pelo site ThisIsLondon.co.uk, a Inglaterra possui 4,2 milhões de câmeras de segurança, uma para cada 14 habitantes do Reino Unido. Nem o pub predileto do escritor, o Compton Arms, escapou à constante vigia que tomou conta do país.

Visto que outra criação de Orwell, a “novilíngua”, também se tornou realidade na forma da ditadura do politicamente correto, não é exagero dizer que a realidade encontrará outras inspirações na obra do escritor. E um forte candidato a isso é o “duplipensar”: “Guerra é paz”; “Liberdade é escravidão” e “Ignorância é força”.

Leia a notícia completa no El Pais.

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