03/09/2010

Emilio Calil :: Blog

Comentando o cotidiano

Power Rangers lutarão pela decência muçulmana

Posted by Emilio Calil On março - 30 - 2007 2 COMENTARIOS

O uniforme power ranger: protegendo a decência muçulmana Leio hoje no UOL que as atletas praticantes de luta livre feminina tiveram seus uniformes redesenhados às vésperas dos Jogos Panamericanos. As tradicionais malhas, parecidas com maiôs, deram lugar a um modelo que lembra uma camiseta com bermuda – o que já rendeu ao novo uniforme o apelido de “power ranger”.

No primeiro parágrafo, subentende-se que a mudança se deu pela preocupação da FILA (Federação Internacional de Lutas Associadas) pelas recorrentes exposições exageradas e constrangedoras dos corpos das atletas durante torneios oficiais. “Compreensível” – pensei – “afinal, não deve ser nada agradável para as atletas ficarem com partes do corpo à mostra em frente ao público e às câmeras”.

Porém, logo no segundo parágrafo, uma surpresa: “Isso é resultado de uma pressão por parte dos países muçulmanos, que ficam incomodados quando aparece o sutiã das lutadoras”, disse o diretor-técnico da CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas), Roberto Leitão. Ora, então a preocupação da FILA e da CBLA não é em relação à exposição dos corpos das lutadoras, e sim por causa de muçulmanos ofendidos?

No mesmo segundo ocorreu que, fossem os EUA os incomodados, não faltaria jornalista gritando jargões como “moralismo ianque hipócrita”. Mas, como os reclamantes são os protegidinhos da imprensa internacional, nem uma palavra contra. Trocam-se os uniformes e está tudo certo. Ficassem os muçulmanos calados sobre o assunto, as federações não estariam nem aí para os seios à mostra das lutadoras.

A famosa frase que todo imbecil adora repetir – “se não gosta, não veja” – parece não se aplicar aos muçulmanos. Aliás, gostaria de saber se a luta feminina dá tanta audiência por lá para que a troca dos uniformes se justifique.

Leitura recomendada

Posted by Emilio Calil On março - 28 - 2007 COMENTAR

Recentemente li o livro Mistério de Natal, de Jostein Gaarder, autor também do famoso O Mundo de Sofia (o qual ainda não li). A história narra a aventura de Joaquim, um garoto norueguês que ganha um “calendário mágico de natal” – é um calendário com pequenas “portas”, cada uma correspondendo a um dia do mês de dezembro, sendo que a última termina no dia 24, véspera de natal. Quando o garoto abre a primeira porta, revela uma gravura atrás dela e descobre um pedaço de papel, onde está escrito o pequeno trecho de uma história.

O papel do calendário fala sobre uma menina que saiu correndo de uma loja de departamentos da Noruega atrás de uma ovelha de pelúcia e encontrou, num bosque, um anjo que a convidou para ir andando até Belém, presenciar o nascimento de Cristo. Mas como eles estão em 1948, o anjo explica que, além de andar em direção a Belém, eles também voltarão no tempo à medida que caminharem. Assim começa a jornada.

Conforme Joaquim vai abrindo as outras portas do calendário, sempre uma por dia, descobre outros papéis que continuam a história da menina e do anjo, os quais vão encontrando pelo caminho outros personagens que se juntam ao grupo, como pastores, mais ovelhas, outros anjos e até os três reis magos. Eles atravessam, a pé, toda a costa da Noruega e rumam para o Oriente, passando por cidades e locais históricos, onde o anjo faz questão de relatar todos os eventos importantes relacionados a esses lugares.

Com o desenrolar de outros acontecimentos na vida de Joaquim, começam as suspeitas de que a história do calendário talvez não seja mera ficção. Assim, o livro começa a prender o leitor pelas duas aventuras simultâneas: a da menina e sua jornada, e a de Joaquim e suas deduções.

A bem da verdade, a história do livro é bem singela e escrita de maneira simples, nitidamente voltada para crianças. Entretanto, algumas coisas chamam a atenção, como os relatos do anjo, fazendo com que o leitor aprenda história sem se dar conta disso e, também, o relacionamento de Joaquim com os pais, que se tornam cúmplices do filho na ansiedade de lerem o próximo “capítulo” do calendário. O pai inclusive faz uso de diversos atlas geográficos e da própria Bíblia para mostrar por onde os viajantes andavam em cada parte da história. É o tipo de coisa que incentiva os pais a terem esse mesmo relacionamento com seus filhos (e vice-versa).

Mesmo cansado de ficção, acabei lendo esse livro quase sem querer e fui cativado. Numa era onde a literatura infanto-juvenil parece ser a mina de ouro das editoras e produtoras de cinema, cada qual tentando pegar carona no sucesso de Harry Potter e semelhantes, não seria má idéia ver essa obra transformada em filme, fugindo um pouco da fantasia com elfos e dragões e centrando-se mais no relacionamento da família.

Torneiro mecânico receberá R$ 11 mil por mês

Posted by Emilio Calil On março - 22 - 2007 5 COMENTARIOS

Enquanto a maior preocupação do povo brasileiro tem sido saber quem vai deixar a casa do Big Brother, a maior preocupação dos altos escalões do governo foi o reajuste de 26,49% em seus honrados salários, oficializado hoje.

Com esse aumento, o salário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobe de R$ 8.885,48 para R$ 11.239,24. O projeto, de autoria do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), prevê que o vice-presidente passará a receber R$ 10.578,11 contra R$ 8.362,80. Para os parlamentares, o subsídio mensal sobe de R$ 12.847,20 para R$ 16.250,42.

Semana passada Lula disse que os ministros eram “heróis” por receberem tão pouco e que alguns “pagam para trabalhar”. “Quando eu fico vendo os ministros, que ganhavam muito bem [na iniciativa privada], vir ganhar R$ 7.000, R$ 8.000, eu falo: esses são heróis. Alguns pagam para serem ministros, essa é a pura verdade. E eu digo isso de cátedra, porque eu digo sempre: eu sou o único que não posso reclamar do meu salário de R$ 8.000 porque não tem nenhum torneiro mecânico no Brasil ganhando R$ 8.000 por mês.”

Bem, de fato Lula não tem do que reclamar, mas mente sobre o salário. Fossem apenas os R$ 8.000 ou R$ 11.000 mensais, até que é um valor que se assemelha ao salário de executivos de grandes empresas. Mas Lula omite todos os benefícios que o cargo lhe oferece como moradia e transporte, além do cartão de crédito ilimitado, cujas despesas são pagas pelo Estado. Assim, ele não tem que colocar a mão no bolso para nada, ou seja, os R$ 8.000 – que agora viraram R$ 11.000 – entram diretamente em seu bolso, sem que precise pagar conta alguma. Somando-se os benefícios do cargo ao salário, o presidente recebe, bruto, cerca de R$ 30 mil mensais.

Que torneiro mecânico recebe R$ 30 mil por mês? Aliás, até a profissão de torneiro mecânico já não existe mais como Lula a conheceu há mais de duas décadas (por pouco tempo, diga-se de passagem). Alguém também precisa avisar Lula que ele não é mais torneiro mecânico, mas presidente da república, já fazem longos quatro anos e três meses.

Antigamente era melhor

Posted by Emilio Calil On março - 19 - 2007 6 COMENTARIOS

Se perguntar ao seu pai se, na época da juventude dele, a vida era melhor, terá uma enfática e afirmativa resposta. Repita a pergunta para seu avô, e terá a mesma resposta. Então você conclui que, se a vida era melhor na época do seu pai, e melhor ainda na época do seu avô, a sua é uma catástrofe. A bem da verdade, seu próprio filho poderá, um dia, lhe fazer essa pergunta, e você se verá repetindo as respostas do seu pai e seu avô.

Acreditar que a vida era melhor em nossa época de juventude não significa, necessariamente, que isso seja verdade. O que muita gente faz é supervalorizar certos momentos da infância, atribuindo-lhes qualidades que, muitas vezes, existem apenas na lembrança. Uso a mim mesmo como exemplo: coleciono videogames. Tenho jogos que fizeram parte da minha infância e pelos quais nutro carinho especial. Então, quando surgem novos jogos, com recursos visuais sofisticados e diferentes daqueles que povoaram minha juventude, é comum eu torcer o nariz e dizer “bah! os jogos antigos eram melhores!”. Eram mesmo?

A vantagem de ser colecionador é que posso voltar no tempo quando quiser. Assim, muitos “jogos melhores” do passado mostraram-se não tão melhores quando jogados novamente, à luz da atualidade. É verdade que alguns continuam tão bons quanto antes, mas outros simplesmente perderam o encanto, pois eram melhores apenas nas minhas lembranças.

Se com uma coisa banal como videogames é possível quebrar esse paradigma, que dizer de quem afirma que a vida toda antigamente era melhor? Claro que essa afirmação não está inteiramente errada, mas não se pode generalizar. Eu prefiro acreditar que as pessoas eram melhores, ou pelo menos tinham mais respeito umas pelas outras. Havia um respeito maior entre pais e filhos, alunos e professores, patrões e empregados – claro, sem generalizar, pois sempre há exceções.

Meu pai, que viveu sua infância nas décadas de 30 e 40, conta que ele e uns amigos se encontravam à noite, na rua, para fumar escondido. E sempre que passava um guarda, eles se apressavam em apagar o cigarro, com medo de passar uma imagem errada. Ora, a não ser por imposição dos pais, os jovens nunca foram proibidos de fumar, mas isso mostra o comportamento da época diante de uma autoridade. Hoje, alunos espancam professores em salas de aula e ninguém dá a mínima. E nem é preciso ir tão longe, voltando 20 anos no tempo já notamos essa diferença.

Muitos lembram da vida mais simples, jogando bola em campos de terra, subindo em árvores para comer fruta, etc. De fato, coisas boas ficam marcadas. Mas e as dificuldades? E o trabalho de tirar água do poço? E o fato de os banheiros serem cabanas externas sem ligação com as casas? E os ferros de passar roupa, aquecidos a carvão? E se você ficasse doente, qual era o hospital mais próximo?

Há pouco tempo minha noiva e eu almoçamos na casa da minha avó. Passamos uma tarde agradável com ela, que contava suas peripécias de meninice na roça. Ela falou de como o pai lhe ensinou a ler e escrever, dos animais que tinha no sítio, das épocas de plantação e colheita, das longas milhas percorridas a cavalo, da primeira vez que viu a cidade grande, etc. Minha noiva então perguntou: “A senhora tem saudade daquela época?”, e a resposta: “Eu não! Hoje em dia a gente tem tanto conforto, tanta comodidade, a vida antes era muito difícil”. Palavras de uma senhora de 85 anos.

Dia desses estava no ônibus e comecei a prestar atenção na conversa de uma senhora idosa. Essa senhora dizia à amiga: “Tem gente que fica falando que antigamente tudo era melhor. Mentira! A vida era mais dura, mais difícil”. A doce senhora continuava: “Quando alguém fala que antigamente era melhor, eu logo pergunto se ele conseguiu comprar uma casa naquela época. Se não comprou, então a vida não era melhor, porque ele não soube ganhar nem juntar dinheiro”. Intrigado, continuei ouvindo a explicação: “Antigamente ninguém tinha carro, nem televisão, nem computador, nem nada disso. Então, se você ganhou dinheiro e não investiu em imóvel, não soube aproveitar a vida. E se não ganhou tanto dinheiro numa época que era mais fácil do que hoje, então a vida não era melhor pra você”. Raciocínio brilhante para uma senhorinha com seus setenta e poucos anos.

E ela continuava, empolgada: “Hoje tá cheio de vagabundo por aí. Ninguém quer se esforçar pra conseguir nada, fica tudo esperando o governo trazer comida na boca. Você vê até artista desempregado porque se recusa a aceitar outro emprego. O que tem de mais em varrer chão? Eu, graças a Deus, trabalhei muito na minha vida, juntei um dinheirinho e estou aproveitando minha aposentadoria. E se aparecer a necessidade, não tenho vergonha de pegar numa vassoura ou ir passar roupa para sobreviver”. Quase comecei a aplaudir a velhinha. Infelizmente tive que descer no ponto e não ouvi o fim da conversa.

A vida antes era melhor? Para muitas pessoas ela pode ter sido mais simples, menos complicada; mas não necessariamente melhor. Muita gente passou necessidades, viveu uma vida sofrida e árdua. Hoje, lembram com saudade daquela época, mas dentro de suas casas, em confortáveis sofás, comendo bolachas e assistindo à novela das oito. Ficássemos presos à “vida melhor” de antes, estaríamos ainda nos deslumbrando com o telégrafo, veríamos as primeiras casas com luz elétrica e água encanada, imaginaríamos se era possível ao homem construir uma máquina que pudesse voar. Ficássemos presos à “vida melhor” de antigamente, você não estaria lendo este texto agora.

Brasil não monopoliza a estupidez

Posted by Emilio Calil On março - 14 - 2007 2 COMENTARIOS

Talvez seja difícil para você acreditar, mas existem países piores do que o Brasil em termos de estupidez. E um deles é o Irã. Mal estreou nos cinemas o filme 300, adaptação da graphic novel de Frank Miller, e o governo do Irã acusa a obra de ser um “insulto à civilização iraniana”.

O filme conta a história da batalha de Termópilas, liderada pelo guerreiro espartano Leônidas e 300 dos melhores guerreiros de Esparta contra o exército gigantesco do imperador Xerxes, da Pérsia.

As críticas ao filme ganharam espaço na imprensa iraniana. “Hollywood declara guerra aos iranianos”, afirmou a manchete do jornal Ayandeh-No. De acordo com a publicação, o filme “tenta dizer às pessoas que o Irã, que agora está no Eixo do Mal, é a fonte do mal há muito tempo e os ancestrais dos iranianos modernos são selvagens feios e estúpidos como os mostrados em 300″.

Javad Shamqadri, conselheiro cultural do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, disse que “autoridades culturais americanas pensaram que poderiam ter satisfação mental saqueando o passado histórico do Irã e insultando esta civilização”.

Como bem lembrou o amigo Kosher-X: “Os xiitas afirmam que não têm ligação alguma com o império persa, na época nem existia o islamismo, e se ofendem com esse filme que é um relato de um acontecimento histórico?”.

Isso só vem mostrar que nós, brasileiros, não monopolizamos a estupidez no mundo. Sempre haverá aqueles que se esforçarão para nos superar. E o Irã está ganhando.

A notícia completa pode ser lida aqui.

Foto: BBC

Diploma de jornalista: a novela continua

Posted by Emilio Calil On março - 13 - 2007 1 COMENTARIO

Portaria autoriza concessão de registro para jornalistas sem diploma conforme decisão judicial (veja a notícia aqui):

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou no dia 6 de março, no Diário Oficial da União (DOU), a Portaria 22/2007 de 28 de fevereiro, que revoga a anterior, de número 03/2006, que exigia curso superior de jornalista como critério para obtenção de registro profissional da categoria.

A Portaria 03/2006, ora revogada, foi editada em cumprimento a uma decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em meados de novembro de 2005, que determinou a exigência do curso superior de jornalista para a obtenção de registro profissional de jornalista.

A segunda portaria, publicada nesta terça-feira, foi editada em razão de nova decisão judicial, em sentido contrário. Dessa vez, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro do ano passado, em ação cautelar, determinando o fim da exigência do curso superior de jornalista.

Isso significa que os registros profissionais de jornalistas – invalidados pela portaria 3/2006 – serão restabelecidos. A Portaria 22/2007, ao cumprir a Decisão Judicial do STF, permite também a concessão de registros de jornalistas sem curso superior.

Ora o diploma é obrigatório, ora não é mais. Por enquanto não é, mas quem sabe amanhã pode voltar a ser. A profissão de jornalista é muitas vezes enxergada como um sacerdócio, quase beatificada – aliás, já falei disso em crônica passada. Com diploma, sem diploma, qual a diferença? Existem muitos jornalistas formados que sequer sabem onde usar “ss” e “ç”, enquanto vemos blogs de “amadores” com excelente escrita.

Nada contra a faculdade e o diploma, mas dadas as dúbias qualidades dos ditos profissionais, sem mencionar seus textos dissimulados, às vezes é melhor ler a opinião de alguém que não passou pela doutrinação de uma faculdade. Aliás, caso volte a obrigatoriedade do diploma, estender-se-ia isso aos blogs? Será necessário ser formado em jornalismo para escrever em um blog pessoal, enquanto para ocupar a cadeira da Presidência da República não se exige nem o primeiro grau completo?

Um lugar como nenhum outro

Posted by Emilio Calil On março - 10 - 2007 1 COMENTARIO

Todos nós temos, em maior ou menor grau de importância, lugares que elegemos como “santuários”, locais com os quais nos identificamos e sentimos prazer de ali estar. Há quem prefira o apartamento no litoral ou o sítio no interior. Nada mais natural, afinal, a vida em uma cidade como São Paulo pode ser estressante. Mas, às vezes, essa “fuga” pode ocasionar ainda mais stress.

Em época de festas de fim de ano, carnaval ou feriados prolongados, milhares de pessoas entopem aeroportos e passam horas presas em insuportáveis engarrafamentos para poderem “relaxar”. Eleva-se o nível de stress justamente pelo pretexto de combatê-lo. Tal qual animais enjaulados que são soltos repentinamente, as massas precipitam-se para praias e campos em nome da diversão, tornando esses lugares inabitáveis.

Felizmente, desse mal não sofro. Quando quero desfrutar de momentos agradáveis em um lugar tranqüilo, basta abrir a porta de casa e sair caminhando pelas ruas do meu bairro.

O texto acima dá início a um novo projeto meu, o blog O Melhor da Mooca, onde compartilharei com os leitores minha paixão por este que é um dos mais tradicionais bairros de São Paulo.

Os leitores poderão acompanhar minhas incursões por diversas regiões do bairro, onde falo de pessoas, lugares, memórias e procuro mostrar o que existe de melhor na Mooca em termos de cultura, gastronomia e entretenimento; tudo em forma de crônicas e artigos publicados regularmente.

A idéia é fazer com que as os leitores possam enxergar o bairro da Mooca como eu enxergo e desfrutarem de um lugar onde, apesar de todos os avanços da modernidade, o tempo parece andar mais devagar, ainda preso a uma época simples, de simples prazeres.

Sintam-se desde já convidados para um café e um pouco de “parolagem”, além de um passeio por nostálgicas ruas do passado.

Visitem: O Melhor da Mooca

Serviços de estupidificação

Posted by Emilio Calil On março - 6 - 2007 9 COMENTARIOS

Que a imprensa brasileira, em geral, presta um desserviço à nação, não é novidade. Praticamente todas as notícias dos grandes jornais são filtradas, editadas e distorcidas para se fomentar opiniões erradas, enganar o leitor e desenvolver uma nação de imbecis. E não adianta trocar de jornal, todos sofrem do mesmo mal. E ai de você se contestar a opinião desses “grandes profissionais”.

Mas o problema, mesmo, é quando se nota o que esses jornais consideram notícias importantes a ponto de ganharem lugares de destaque. Numa rápida passagem entre os portais UOL, Terra e iG, encontrei as seguintes notícias, acompanhadas até de fotos, ocupando os cabeçalhos dos sites:

    - Quem rebola melhor? Confira Beyonce e Shakira juntas.
    - O mais desejado do Brasil: Saiba tudo sobre Diego, o Alemão do BBB7.
    - Qual sua posição sexual preferida? – Pergunta o líder do Coldplay.
    - Estudantes picham muros com inscrições anti-Bush em SP.
    - Novela propõe o debate: Como enfrentar o turismo sexual?

Honestamente eu não sei como uma pessoa poderia sair para trabalhar sem ler qualquer uma dessas notícias importantíssimas. A estupidificação dos leitores brasileiros vem em doses cavalares, e parece que ninguém mais se importa. Ainda que você não saiba inglês, francês ou italiano, dê uma passada nos sites do Corriere Della Sera, do Le Figaro, do El Pais e da BBC (a de Londres, bem entendido, pois a brasileira também não presta). Veja nesses sites citados se você encontra alguma notícia tão cretina quanto às dos sites brasileiros – não que todos esses jornais transbordem qualidade e imparcialidade, mas compare-os com os nossos e tire suas próprias conclusões.

E aí fico sabendo que o Brasil é 11º país em número de internautas, ou seja, mais e mais brasileiros poderão ter acesso instantâneo às últimas notícias do Big Brother ou poderão participar de pesquisas sobre suas posições sexuais favoritas. Chega a ser cômico, mas não sinto vontade nenhuma de rir.

Cada dia que passa está mais difícil encontrar alguém para uma boa conversa, alguém que consiga falar sobre diversos assuntos com desenvoltura e sem os cabrestos impostos pela nossa imprensa. Alguém que saiba que Che Guevara não foi herói coisa nenhuma, que não culpe as “elites” e a “desigualdade social” pelos problemas da criminalidade, que tenha coragem de dizer que Paulo Coelho não serve nem para papel higiênico, que Raul Seixas é péssimo e por aí vai. E se depender do fantástico serviço de lobotomia dos jornais brasileiros, essas pessoas serão extintas em pouco tempo. Salve-se quem puder.

VÍDEO DO DIA » GAME BRASILEIRO PROMISSOR
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